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Sonic Forces

By : Ryu

Ok, seus malditos... Vocês querem review de Sonic Forces, né? Tá aqui a review de Sonic Forces então, e espero que não me encham mais o saco com isso porque eu não tenho a menor vontade de jogar essa porcaria de novo agora que terminei ele apropriadamente! Sonic Forces é o pior jogo do Sonic que existe, é pior que Sonic '06, Sonic Boom, Shadow the Hedgehog, Sonic Lost World e Sonic 4: Episode I juntos! Jogar Sonic Forces é pior do que ver o seu pai morrer de AIDS na sua frente enquanto o seu cachorro é arrombado e dissecado vivo pelo Trevor Philips no mesmo quarto e as caixas de som tão tocando músicas do Blood on the Dance Floor no volume máximo! Esse jogo é a prova de que Sonic não funciona e nunca funcionará em 3D, ou melhor, é a prova de que Sonic nunca foi bom! Sonic devia acabar logo, parem de estragar ainda mais essa franquiaaaa!

Bem, agora que eu já falei o que muita gente queria ter lido, vamos falar então de Sonic Forces. Oh, Sonic Forces... Por que você me deixou tão desapontado, porém nem um pouco surpreso? Esse podia ser o ano em que o Sonic ganharia dois jogos principais bons, um 2D e um 3D, mas nããããão... É claro que isso não pode acontecer, não enquanto a Sonic Team estiver a cargo dos jogos 3D, porque lá a palavra "esforço" foi banida do dicionário e o lema da equipe é "Decepção em primeiro lugar" desde 2005. E antes que você venha me falar sobre jogos como Sonic Unleashed, Colors e Generations serem bons ou pelo menos acima da média... Sim, eles são, mas a Sonic Team que fez esses jogos já não existe mais, a grande maioria desse pessoal saiu da Sonic Team de 2008 pra cá. Então sim, aquela coisa de "DOS MESMOS CRIADORES DE SONIC COLORS E GENERATIONS" que tava no primeiro trailer de Sonic Forces era mentira, até já compararam os créditos desse jogo com os do Colors e do Generations e existem pouquíssimos nomes em comum.

O marketing de Sonic Forces no geral foi cheio de mentiras e propagandas enganosas, acho que no fundo a Sonic Team sabia do quão medíocre esse jogo tava e queria pelo menos marketar ele de modo que parecesse maior do que realmente é. Fizeram aquele trailer muito maneiro mostrando os "vilões que retornam" do lado do Eggman: Shadow, Chaos, Metal Sonic e Zavok. Falaram aí sobre como o Shadow tá lutando do lado do Eggman por "motivos pessoais" e que a gente só vai saber o que exatamente aconteceu quando o jogo sair, hyparam o Infinite como se fosse esse novo grande vilão misterioso que a gente devia adivinhar quem é, e que a identidade dele vai ser revelada aos poucos... Nada disso é verdade! Nada! Essa não é a primeira vez que a Sonic Team é desonesta com quem vai comprar os jogos, a propósito. Lembra de quando os trailers do jogo do Shadow diziam "HERÓI OU VILÃO? VOCÊ DECIDE!" e na verdade você não decide porra nenhuma porque a Last Story onde o Shadow é o herói e salva o mundo é a única coisa canon daquele jogo? Pois é, a Sonic Team não aprendeu nada de 2005 pra cá, aparentemente.

E não, eu não era uma dessas pessoas que já se colocaram contra Sonic Forces desde o primeiro trailer lá, quando o jogo ainda se chamava "Project Sonic 2017" e ninguém sabia o que exatamente era. Muito pelo contrário, eu fiquei cuidadosamente otimista! Eu caí na pegadinha de ser dos mesmos criadores do Colors e do Generations e pensei que o design raso das fases das demos era só por serem as primeiras fases do jogo, fiquei relativamente interessado na história pela premissa mostrar o Dr. Eggman dominando o mundo, um vilão novo que parecia interessante, os outros personagens fazendo coisas ao invés de serem figurantes inúteis, e finalmente o Shadow ia agir como um anti-herói de verdade e não um carinha do bem genérico que faz pose de badass igual nos jogos depois do Heroes.

A história também parecia que ia ser pelo menos não tão horrível assim porque não foi escrita pelo Ken Pontac e o Warren Graff, só traduzida por eles... Pois é, mas ainda tinha o elefante na sala: Esse jogo é produzido pelo Shun Nakamura, assim como a história também foi escrita por ele. Caso vocês não saibam, Shun Nakamura foi o diretor de Sonic '06, e eu nem sei como diabos confiaram nele de novo após de ter dirigido aquela atrocidade... Mas tinha a desculpa de que Sonic '06 teve desenvolvimento apressado, a equipe foi dividida, bla bla bla. Então ok, eu dei uma chance pra ele provar que não é tão incompetente assim com o Forces, e adivinhem só: Não deu certo! Talvez esse cara só seja incompetente mesmo, aliás... Talvez a Sonic Team em si seja só incompetente, já vão fazer 7 anos desde que o último jogo 3D bom do Sonic saiu. Meh, então tá... Chega de enrolar, vamos começar logo a review e explicar por que Sonic Forces é mais decepcionante do que receber uma notificação de mensagem direta no Discord, e quando você abre é só um "@everyone" em um grupo qualquer.

A ficção distópica menos distópica que eu já vi


O jogo abre com o Dr. Eggman resmungando sobre como ele odeia o Sonic e dessa vez criou um instrumento de destruição perfeito pra acabar com ele, e então o cientista ataca o que eu creio que seja a cidade central...? Sei lá, mas com certeza é uma cidade. Nisso, o Tails chama o Sonic pra ajudar a repelir o ataque e o nosso herói não perde tempo, mas chegando lá ele se depara com a nova invenção do Eggman, um personagem misterioso mascarado chamado Infinite, junto com Shadow, Metal Sonic, Chaos e Zavok. Sonic luta contra essa galera enquanto o Tails fica lá olhando e não fazendo nada... Porque é exatamente assim que ele age desde o começo da série, não sei do que vocês estão falando com esse negócio de "desenvolvimento de personagem" que ele teve em jogos passados, ou dele ter dado conta até de lutar sozinho contra o Eggman no Adventure 2. Não, nada disso aconteceu!

Bem, pra surpresa de ninguém, o Sonic apanha igual um boneco de malhação de Judas e acaba sendo derrotado. Com o seu maior inimigo fora do caminho, aparentemente o Dr. Eggman em alguns meses conseguiu expandir seu império e dominar o mundo inteiro... Ou melhor: 99% do mundo, porque o Knuckles formou uma resistência junto com Silver, que tá no presente sem nenhuma explicação, Amy, os Chaotix e mais um monte de furries. Sim, Sonic Forces é o primeiro jogo do Sonic a mostrar que existem outros furries além do Sonic e os amigos dele! E... Não é tão empolgante quanto parece, acredite. Eu poderia reclamar e perguntar onde diabos estão os humanos, pois eles foram estabelecidos antes no universo da série, mas... Alguém ainda liga pra consistência em universo de Sonic a esse ponto? Eu não ligo mais, foda-se. Nem o Takashi Iizuka sabe mais o que diabos é esse universo, caras!

Enfim... Knuckles e o pessoal da Resistência agora têm um novo recruta, que é o personagem que você mesmo cria no jogo e é chamado por apelidos como "Rookie" ou "Buddy", porém eu vou chamá-lo de Original the Character. Original the Character é um sobrevivente do ataque do Eggman e do Infinite à cidade, e é basicamente isso que a gente vai ter de backstory pra ele aqui, mas agora ele tá pronto pra lutar ao lado da Resistência usando armas fabricadas com Wisps chamadas de Wispons. Existe alguma explicação pra como essas armas foram criadas? É claro que não, é só mais um jeito da Sonic Team forçar Wisps em jogos que não se chamam Sonic Colors, porque a Sonic Team acha que se a gente gostou de uma coisa em um jogo específico, significa que essa coisa agora deve ser enfiada de qualquer jeito em todos os jogos futuros possíveis.

O Sonic aparentemente tá morto, a Resistência não tá conseguindo muito progresso na sua luta contra o império do Eggman, e o Tails "perdeu a cabeça" de acordo com o Silver, mas agora que o Original the Character tá aí, eles têm alguma esperança de virar o jogo. Enquanto isso, o Tails é atacado pelo Chaos, mas ele não faz porra nenhuma além de ficar encolhido pedindo ajuda pro Sonic, e direto de um portal que surgiu em um jogo muito melhor vem o Sonic Clássico, que acaba com o Chaos dando um pulo na cabeça dele e mais nada. Então... Ok, o Sonic Clássico e o Tails agora são uma equipe e tão agindo pra chegar ao fundo dessa história toda enquanto o Original the Character ajuda a Resistência a lutar contra o Eggman, até que eles descobrem que na verdade o Sonic tá vivo e só foi mantido preso e torturado por todos esses meses. Não, eu não tô inventando isso, eles dizem mesmo que ele foi torturado, o que é hilário porque o Sonic não parece nem um pouco afetado por essa tortura quando a gente vê ele de novo, ele continua sendo o mesmo comediante rejeitado de programa de humor da Globo que ele tem sido desde o Colors.

Não que eu queira que o Sonic vire algum tipo de soldado atormentado com PTSD, mas... Se esse negócio de tortura não adiciona nada na história, então por que caralhos essa menção tá aí? É só pra fazer a história parecer mais séria e sombria? Isso só cria uma dissonância de tom quando é feito dessa forma, seus idiotas incompetentes com merda na cabeça ao invés de cérebro, aprendam a escrever um roteiro consistente antes de enfiar ele em algum jogo! Argh... Tá, eles salvam o Sonic e aí a história "começa" de verdade, eu suponho.

Eu não sei... Eu realmente não sei como a Sonic Team consegue ser tão consistente em pegar conceitos ótimos pra uma história e executar eles da forma mais sem graça e decepcionante que eles puderem. O Eggman dominou o mundo, mas não parece, porque isso não afeta a história em nada além de trazer uns cenários de fundo pós-apocalípticos pros personagens passarem correndo, não existe nenhum senso de perigo, urgência ou ameaça nessa história. Nem mesmo a suposta "morte" do Sonic importa porque logo na segunda fase já aparece a notícia de que ele tá vivo! O Eggman não faz nada 90% do tempo, o Infinite por algum motivo não mata o Sonic e nem faz nada depois de derrotar ele pela segunda vez, ele só aparece pra falar umas frases clichê de vilão de anime Shounen e parecer intimidador até você derrotar ele em uma luta de boss.

Aliás, a backstory do Infinite que é contada no DLC do Shadow é uma das coisas mais hilárias e estúpidas que eu já vi numa história de um jogo. A identidade dele nunca é realmente revelada dentro do próprio jogo, mas ele era um chacal mercenário que acreditava que era fodão e tal, aí um certo dia ele é contratado pelo Eggman pra repelir a invasão do Shadow em uma das suas bases. Infinite apanha pro Shadow, que diz que ele é fraco, e depois ele dá um faniquito falando "NÃO SOU FRACO UAAAAAAAA" e assim ele deixou o Eggman fazer experimentos com ele usando a Phantom Ruby como fonte de energia ou algo assim. Aliás... Sim, a Phantom Ruby é parte da história desse jogo, e o poder dela é criar ilusões que aparentemente causam danos reais no corpo, mesmo não sendo reais, o que não faz sentido nenhum, mas foda-se, e também existem outras cópias da Phantom Ruby que o Eggman criou baseadas na original. De onde diabos a Phantom Ruby veio? Como ela foi criada? Por que ela tem esse poder? Sei lá, é mágica! Eu sou roteirista da Sonic Team, não tenho que explicar merda nenhuma! Cria sua teoria aí pra isso e comece a defender a minha história como se a sua teoria fosse canônica, seu otário!

Sabe o Sonic Clássico? Pois é, ele não contribui com nada nessa história também, o que torna a ligação desse jogo com Sonic Mania inútil, claramente forçaram o Sonic Clássico nesse jogo numa tentativa desesperada e patética de fazer os fãs dele como eu comprarem isso e de alguma forma gostarem. Sabe os vilões que retornam? Pois é, todos eles são apenas cópias, ilusões criadas pela Phantom Ruby, dois deles são derrotados em cutscenes, nem pra ter lutas de boss contra todos eles... E sim, o Shadow no fim das contas era um mocinho esse tempo todo, porque é claro que a Sonic Team ia fazer isso, eles não são capazes de fazer nada que não seja um pedaço de mediocridade decepcionante.

Pelo menos alguns personagens como o Knuckles e o Silver até que ficaram ok nesse jogo, é bom ver o Knuckles não sendo um imbecil comic relief pra variar, e o Silver pela primeira vez em toda a sua carreira dentro dessa franquia não é burro e nem irritante. Ainda assim, isso não justifica o que fizeram com o Tails, que é o que o pessoal mais anda reclamando. No entanto, o que as pessoas não entendem é que Sonic Forces não é o primeiro jogo a estragar a caracterização do Tails, eles já têm feito isso há anos, desde 2005 o Tails não é nada além de um figurante mais ou menos útil pras histórias, e eu tô usando o termo "útil" aqui de forma bem liberal.

Mas o Sonic me ofende mais, porque ele é extremamente irritante nessa história, quando não tá fazendo alguma piadinha sem graça, ele faz uns discursos de "poder da amizade" pelo laço dele com o Original the Character que parecem ter saído direto de um episódio de Naruto. Nem o Sonic do Heroes que fica falando "YEAAAH THE REAL SUPERPOWER OF TEAMWORK" e essas coisas é tão ridículo quanto esse aqui, especialmente porque o Heroes não é um jogo com uma história tão séria (ou que tenta ser séria) quanto o Forces, então pelo menos lá essa breguice ainda se encaixa melhor. A melhor cena do Sonic nesse jogo é a do primeiro trailer onde ele aparece puto e vai correndo na direção dos Death Egg Robots gigantes, e essa cena nem ao menos tá no jogo! Aliás, eu posso dizer que aquele trailer é uma propaganda enganosa também? Porque ele implica que o personagem em questão vai ser mais sério e que o Sonic Clássico vai ser importante de alguma forma, e nenhum dos dois realmente acontece no jogo.

Meh, que se foda. Eles nem tentaram com essa história, além das coisas que eu já citei ela também é cheia de furos que outras pessoas já apontaram antes e eu não tô interessado o suficiente pra falar quais são aqui, se a Sonic Team não se esforçou com a história desse jogo, então eu é que não vou me esforçar pra falar dela em detalhes. Ainda assim eu já vi umas reviews dizendo que "história boa" é um dos pontos positivos desse jogo... Onde que essa história é boa? Qual é essa versão de Sonic Forces com história boa que vocês jogaram, pessoal? Poderiam me emprestar pra eu ver como é essa história boa? O que eu joguei tem uma história que parece que foi escrita por um garoto de 8 anos que é fã de Sonic e não tem muita noção de como escrever roteiro. Talvez eu tenha pego a versão errada mesmo, ou esses caras foram premiados pela Sega com algum tipo de Sonic Forces: Good Writing Edition e fizeram review dele.

Bonito, mas pouco variado


Sonic Forces foi desenvolvido usando a Hedgehog Engine 2 que, assim como o nome sugere, seria uma versão melhorada da Hedgehog Engine que eles têm usado desde Sonic Unleashed, essa aqui é a versão nova pra geração atual. Os resultados são... Decentes, eu acho. Os modelos dos personagens são levement e mais detalhados que os que a gente viu na primeira Hedgehog Engine, o que... É aceitável, eu diria. No entanto, eu devo dizer também que tô meio decepcionado, porque sendo essa uma nova geração, eu esperava que os gráficos desse jogo fossem no mesmo nível que o do primeiro trailer lá, que por sinal já não era tão bonito quando os gráficos das CGs que a Marza Animation fez pra jogos como Shadow the Hedgehog, Sonic '06 e Sonic Unleashed, por exemplo.

Por outro lado, o modelo do Original the Character, e por consequência os dos outros personagens furries que foram claramente criados com o editor de personagens desse jogo, não é nem um pouco impressionante. Todos os personagens customizados nesse jogo têm exatamente o mesmo corpo, só muda a cabeça, não importa nem de qual espécie ele ou ela seja, tá tão na cara que eles só criaram uns modelos aleatórios nesse editor e colocaram lá que em algumas cutscenes têm personagens figurantes exatamente idênticos uns aos outros! Qual é, Sonic Team? Pelo menos tentem fingir que vocês não tão cagando e andando pra esse jogo ou pra qualidade dele, isso é ridículo...

As animações não fazem feio, mas também não são coisa de outro mundo, nem extremamente fluídas e nem nada do tipo, no máximo as expressões faciais do Original the Characters em algumas partes são meio engraçadas não-intencionalmente, mas tanto faz. Apesar que eu vou cumprimentar Sonic Forces por ter cutscenes com mais ação comparado com as cenas monótonas de Sonic Colors, Generations e Lost World que em grande parte eram só os personagens parados falando e gesticulando enquanto nada acontece. Tem umas sequências onde os personagens lutam, o Silver chega a enfrentar o Infinite, tem a cena lá do Sonic levando um sacode do Infinite e as ilusões dele, as cenas das QTEs (sim, esse jogo tem QTEs) também são legais... Não é nada incrível, mas já é bem mais empolgante de assistir do que o Sonic falando sozinho pra uma nave que não vai responder ou fazendo piada de peido/arroto. Se isso for levar a cutscenes mais interessantes com cenas de ação melhores em jogos futuros, então vocês têm meu total apoio, façam mais disso!


Em questão de cenários, Sonic Forces é um pacote misturado. Algumas vezes o cenário parece muito bonito e proporciona umas vistas belíssimas, como a da imagem acima, mas outras fases visualmente são meio... Eh, monótonas, pra ser honesto. Mas eu sei exatamente por que: Sonic Forces têm exatamente 30 fases, porém todas essas 30 são variações dos 7 cenários que o jogo tem no total, e adivinha só: A Green Hill e a Chemical Plant tão aí, é claro! Porém, pelo menos esse jogo dá uma variada de leve nessas fases recicladas de modo parecido com Sonic Mania, a Green Hill tá meio que misturada com deserto e a Chemical Plant nem parece a Chemical Plant algumas vezes, então menos mal. Só que mesmo assim, são poucos cenários e mesmo as fases separadas baseadas neles não fazem muito pra se destacar que nem Sonic Adventure 2 quando reusava cenários e conseguia dar uma atmosfera diferente pra cada fase.

Pessoal, existe um motivo pras fases dos jogos clássicos durarem 2 Acts, 3 no máximo: Depois de passar tempo demais olhando pra esse cenário, você inevitavelmente vai se cansar dele. Sem falar que alguns cenários aqui nem são tão bonitos assim de qualquer forma, enquanto tem umas fases bonitas como a Death Egg, a Chemical Plant e a cidade destruída que aí se chama apenas "City", porque o pessoal da Sonic Team é muito criativo, outras como a Metropolis (não é a de Sonic 2 reciclada, é uma fase original desse jogo com o mesmo nome) e a Mystic Jungle são tediosas. A Metropolis é só uma cidade futurista genérica com a cor branca espalhada pra todo lado, deve ter sido o Ku Klux Klan que projetou essa cidade depois de ter se juntado ao Eggman, em matéria de fase de cidade futurista, a Grand Metropolis do Heroes é muito mais bonita, óbvio que com texturas piores, mas a direção de arte é melhor e mais variada. Agora a Mystic Jungle deve ser a fase mais feia desse jogo, é uma fase de cassino que se passa numa floresta, e deve ser a fase de cassino mais sem vida que eu já vi em um jogo do Sonic até hoje, até os backgrounds dessa fase são preguiçosos, eles pegam o mesmo castelo colorido lá no fundo e repetem ele várias vezes.

Bem, no geral, Sonic Forces não é um jogo feio, mas com certeza sofre pela falta de variedade nos cenários. Ainda assim, os gráficos são satisfatórios pra o que seria o primeiro jogo do Sonic da oitava geração, a Hedgehog Engine 2 mostra potencial pra realmente brilhar quando polirem ela ao ponto de poder apresentar visuais realmente deslumbrantes em um jogo 3D futuro do Sonic. Mas isso é coisa pra outro jogo, o que tem aqui graficamente é bom, mas não costuma ir muito além disso.

Da equipe que viu uns gameplays de Sonic Colors e Generations


Bem, diz o trailer que Sonic Forces foi criado pela mesma equipe que fez Sonic Colors e Generations. Pra ser justo, esse jogo bem que tenta ser como aqueles dois, tenta até demais... Mas ao mesmo tempo, esse jogo não consegue entender por que as pessoas gostaram dos outros dois em que ele se inspira tanto e no fim das contas acaba caindo de cara no chão enquanto tenta trilhar o mesmo caminho. O gameplay aqui é dividido em três: O Sonic Moderno, o Original the Character e o Sonic Clássico.

Não se engane: Sonic Forces não tem exatamente o mesmo gameplay que o do Generations igual muita gente leiga que não sabe porra nenhuma do que tá falando diz. Me escute, porque eu sou a única pessoa que importa quando se trata de opiniões de Sonic em toda a internet brasileira, Sonic Forces tá mais pra uma versão modificada de Sonic Lost World pra ficar parecido com o Generations do que uma conversão real do gameplay do Generations propriamente dita. Eles pegaram o gameplay do Lost World, que já era ruim por si só, então tiraram o botão de correr e trocaram o Spin Dash de lá pelo Boost, o que honestamente não faz tanta diferença assim porque o "Spin Dash" do Lost World já era um Boost carregável fingindo que era Spin Dash.

Dá pra perceber a "Lost Worldzice" desse gameplay quando você bota o Sonic pra correr naturalmente, pois ao invés dele ir ganhando impulso na medida em que corre até chegar na sua aceleração máxima, ele simplesmente vai de 0 pra 1000 de um segundo pro outro como se tivesse passado de marcha... Ou como se você tivesse segurado um botão de correr! Só que eles deram uma ajustada na velocidade também, porque o Lost World já era lento normalmente e o Sonic ainda por cima perde impulso com qualquer viradinha que você dava, no Forces não, ele é mais rápido e não perde tanto impulso assim com as viradas... Porque ele continua indo reto independente de você virar demais ou não. Honestamente, esses controles não são bons e parece até que a própria Sonic Team sabia disso, porque quase sempre os caminhos por onde o Sonic corre nas fases têm um script que mantém ele correndo no meio da pista, ele até vira curvas automaticamente porque também tiraram o Drift do Generations, ou nesse caso nunca existiu um Drift, já que se trata do gameplay do Lost World modificado. E olha que até esses scripts ainda falham algumas vezes, já morri aleatoriamente caindo pra fora da pista em seções onde o Sonic deveria virar automaticamente seguindo o script, mas por algum motivo ele passou direto e morreu.

O pulo nesse jogo também é exatamente igual ao do Lost World no sentido de ser pesado e você contar com o pulo duplo pra fazer qualquer coisa, a menos que você esteja usando o Boost, o pulo do Sonic nunca vai ser proporcional à velocidade que ele tinha enquanto corria, e isso atrapalha tanto a calcular os pulos nas seções de platforming quanto atrapalhava no Lost World. Mas talvez seja até pior aqui, porque essa aceleração nem um pouco natural do Sonic a princípio já me fez cair em buracos nas seções 2D porque eu apenas queria dar uma corrida pra pular pra uma próxima plataforma, mas o Sonic simplesmente decidiu começar a correr rápido e me atrapalhou todo.

Depois que eu me acostumei com esse negócio, Sonic Forces ficou até jogável e tal, mas esses controles ainda são ruins, especialmente comparados com os dos outros jogos 3D com Boost. Apesar disso, eu vou ser obrigado a admitir que eu meio que gostei de certas propriedades dessa versão do Boost, o modo como ele estende o salto do Sonic quando usado no ar como se ele voasse por um curto período de tempo é uma boa ideia, o mais perto que eu cheguei de me divertir jogando Sonic Forces foi fazendo speedruns em algumas fases usando esse Boost aéreo voador, é uma pena que raramente o level design tira vantagem dessa habilidade e te permite usá-la de formas inteligentes enquanto pensa fora da caixa.

O Original the Character tem uma customização extremamente limitada pra aparência do corpo dele, mas você pode escolher se quer que ele seja ouriço, lobo, cachorro, gato, urso, pássaro ou coelho, cada um com certos benefícios de gameplay. Mas pra ser honesto, a maioria desses benefícios são triviais, exceto o do lobo que atrai anéis igual a um ímã ou o pássaro que pode usar pulo duplo, e no meu caso, meu Original the Character foi um pássaro, pois nem me deixaram criar o Rock the Strong Echidna... Malditos! De qualquer forma, você começa não tendo tantas opções assim de roupas pro seu Original the Character, mas na medida em que progride no jogo, vai abrindo um monte de coisa pra poder colocar nele... E quando eu digo um monte, é um monte mesmo, a customização de roupas desse jogo é imensa, quem me dera se dessem tanta liberdade assim pra modelar o corpo do personagem também. Infelizmente, essas roupas não fazem nada no gameplay, são apenas mudanças cosméticas no personagem, o que não é exatamente uma coisa ruim, mas foi uma oportunidade perdida pra fazer peças de roupa únicas que dão habilidades extras.

Agora, o gameplay do Original the Character é um pouco mais interessante que o do Sonic Moderno... Só um pouco, quase nada. É parecido e tem exatamente os mesmos controles com os mesmos problemas, porém ele não é tão rápido quanto e nem tem Boost ou Homing Attack, mas tem uma corda com gancho que ele pode usar pra dar um "Homing Attack" mais lento e piorado nos inimigos, assim como pode balançar em certos pontos do cenário. Ele também pode usar as Wispons, começando com a Burst que é um lança-chamas e tem uma habilidade especial de dar um monte de saltos explodindo no ar, o Lightning que é um chicote elétrico e tem a habilidade especial de seguir trilhas de anéis igual ao Lightspeed Dash, o Cube que transforma inimigos em cubos e tem como habilidade especial criar plataformas, o Hover que manda os inimigos voando pra longe e também te permite flutuar... Você entendeu, né? Pois é, essas foram as Wispons que eu usei enquanto jogava, e com exceção do Cube que é inútil e só quebra o ritmo do jogo, as outras Wispons são decentes. Pena que a IA dos inimigos nesse jogo é uma piada, porque eles ficam mais tempo parados esperando você matar eles do que fazendo alguma coisa, então não tem profundidade alguma nos combates contra eles: Só sai spammando o ataque da sua Wispon que vai ficar tudo ok.

Existem algumas fases Tag Team onde você controla o Sonic e o Original the Character juntos, mas nenhuma dessas fases faz alguma coisa interessante com essa ideia, é quase como se não fizesse diferença você estar jogando com um ou outro nelas. Essas fases são exatamente iguais ás fases normais com eles separados, a única diferença é que elas têm uma parte onde os dois usam um Double Boost e você tem um QTE pra esmagar botões antes deles saírem correndo juntos... E é só isso, eles não têm mais nenhuma outra habilidade em grupo e nem nada do tipo, só o Double Boost que é literalmente uma cutscene glorificada, você não precisa fazer NADA enquanto eles usam o Double Boost, o jogo literalmente se joga pra você nessas partes!

Falando em se jogar, o level design desse jogo no geral é fraquíssimo. Sabe o apelido de "Boost to Win" que esses jogos ganharam de uma certa parte da fanbase do Sonic? Sonic Forces é exatamente isso! Quase todas as fases aqui são basicamente segurar pra frente e usar Boost pra vencer, de vez em quando com umas seções básicas de platforming 2D aparecendo algumas vezes, porque a Sonic Team acha impossível fazer platforming 3D com Sonic. A maioria das fases parecem a mesma coisa uma da outra, poucas têm alguma gimmick que faça com que se destaquem, eu nem me lembro de nenhum pedaço de level design que tenha me feito usar movimentos como a rasteira do Sonic, e o Stomp que também existe aí e tá com o efeito sonoro zoado foi usado no total de uma (1) fase.

O Original the Character tem um Drift que ele faz automaticamente com o gancho, e tem um Wall Jump que ele usa em apenas uma das fases finais, mas por que essas não podiam ser habilidades normais dele pra ter mais possibilidades de level design? Por que deixaram essas coisas scriptadas? Nem o gancho que ele usa pra balançar pra lá e pra cá é usado de alguma forma criativa, isso quando ele também não usa o gancho pra balançar automaticamente em certos pedaços de fase sem você precisar fazer nada. É um desperdício de potencial absurdo, imagina as possibilidades de fases 3D abertas usando esse gancho, os bosses que poderiam ser feitos com essa mecânica... Argh...

Quando existe algum "caminho alternativo" na maioria dessas fases, é só uma outra pista reta por onde o Sonic corre até voltar pro caminho principal em poucos segundos, ou algumas vezes o Original the Character tem uns caminhos diferentes pra pegar baseado em qual Wispon ele tem, mas até esses também oferecem alguma coisa interessante. Eu me lembro de algumas poucas fases interessantes por serem marginalmente mais abertas que o resto, como a Null Space que é uma fase Tag Team com algumas maneiras diferentes de ir de ponto A até ponto B, a Chemical Plant do Sonic Moderno que tem a primeira parte totalmente 3D mais aberta do jogo inteiro, e a 2D tem uma gimmick legal usando a água roxa da Chemical Plant pra girar plataformas, além de ser relativamente aberta também. A fase na Metropolis onde o Infinite muda a gravidade e destrói alguns trechos na medida em que você progride também é legal, provavelmente a mais única do jogo.

Mas até essas poucas fases interessantes acabam antes mesmo de eu aproveitá-las, pois as fases desse jogo no geral são ridiculamente curtas, eu demorei de 1 a 2 minutos pra passar da grande maioria delas. O modo como elas simplesmente acabam assim é meio frustrante porque não parece que elas vão acabar, parece que na verdade a fase ainda vai ter a sua seção mais robusta... Mas não, simplesmente acaba assim. Sonic Forces tem 30 fases, mas são 30 fases extremamente curtas e rasas ao invés de poucas fases cheias de conteúdo como era em Sonic Generations, por exemplo, é exatamente o oposto do que os jogos do Sonic costumam ser, que é priorizar qualidade sobre quantidade. Ainda assim, é engraçado porque Sonic Forces consegue ser mais curto do que o Generations ou o Colors, eu demorei cerca de 3 horas pra terminar a história desse jogo, e isso foi na minha primeira e única jogatina do começo ao fim!


Não, eu não me esqueci do Sonic Clássico, quis deixar ele por último mesmo porque... Wow, Sonic Clássico, o que diabos fizeram com você? Os gameplays do Sonic Moderno e do Original the Character não são exatamente bons, mas pelo menos são jogáveis e funcionais depois que você se acostuma com os controles ruins e tal, medíocres na melhor das hipóteses. Agora isso aqui? Puta que me pariu, quem foi o responsável por esse assassinato barbárico do gameplay clássico do Sonic? Prendam esse meliante, pena de morte nele porque isso é crime hediondo!

O Sonic Clássico do Forces na teoria deveria ser uma versão melhor do Generations, mas de alguma forma eles conseguiram piorar ao invés de melhorar, um talento que apenas a Sonic Team conseguiu desenvolver com maestria. Esse Sonic Clássico aí tem uma movimentação totalmente travada, com um pulo imprevisível de controlar que consegue ser pesado ao mesmo tempo que flutuante demais, ele simplesmente não ganha velocidade correndo normalmente, nem se você botar ele pra correr numa fodendo descida ele ganha velocidade! Tem uma seção específica da Chemical Plant que mostra exatamente isso, você corre por uma descida íngreme sem dash pads e nem nada, e o Sonic mantém a mesma velocidade o tempo todo, ele não consegue nem impulso o suficiente pra subir na rampa que vem logo depois da descida, o que é patético.

Mas pelo menos usar Spin Dash e rolar funciona, né? Não, não funciona! É um script mal feito que eles usam pro rolamento do Sonic que literalmente só funciona direito quando ele rola em uma descida diagonal, mas a partir do momento em que ele encosta em alguma parede ou qualquer outra estrutura que não seja essa descida enquanto faz essa animação, por algum motivo o Sonic simplesmente cai pra baixo igual um peso de chumbo, e tanto o Spin Dash quanto o Drop Dash, que eles enfiaram aí nesse jogo pra ter ligação com Sonic Mania, têm um bug esquisito onde certas coisas fazem o Sonic rolar pra direção contrária de onde ele vai. Não sei por que diabos isso acontece, mas é chocante o trabalho porco que eles fizeram com o Sonic Clássico nesse jogo, é quase como se ele tivesse sido colocado aí com essa ligação com o Mania de última hora só pra ver se ganham mais uma grana extra dos otários que forem comprar isso pelo Sonic Clássico achando que seria pelo menos no mesmo nível que o Generations.

Não é só ruim comparado com Sonic Mania, é ruim comparado com qualquer coisa. Eu até me arrisco a dizer que é tão ruim quanto Sonic 4: Episode I, sem dúvidas tá empatado com aquilo ou então só um pouco atrás no quesito de pior jogo 2D do Sonic que eu já joguei. Sabe o que é mais engraçado? Super Mario Odyssey existe, naquele jogo o Mario pode rolar que nem o Sonic, e em todos os vídeos de gameplay em que eu vi gente usando isso, o Mario rolando ganha/perde impulso dependendo do terreno com o qual ele interage da forma mais natural possível. É isso aí, meus amigos, chegamos nesse ponto: Um jogo do Mario tem uma física de rolamento melhor e mais natural do que a de um jogo do Sonic. Isso é uma vergonha, caras. Uma VER-GO-NHA! Sabe o que a Sonic Team vai precisar fazer depois disso? Acabar com a franquia Sonic e começar tudo de novo, porque depois dessa não dá mais.

As fases do Sonic Clássico em si não são nada especial, ainda mais porque já que a física não funciona, você pode apostar o seu rabo que eles encheram essas fases de dash pads, molas e o caralho a quatro pra que você não precise ganhar velocidade naturalmente, já que não tem como aqui. No entanto, por mais triste ou engraçado que isso possa parecer, elas são as fases desse jogo com o melhor level design, porque pelo menos os caminhos diferentes realmente parecem caminhos diferentes, tem até uma versão da Death Egg que faz um uso decente da gimmick de gravidade da original, pena que jogar nessa fase é uma bosta graças ao modo como eles programaram o gameplay do Sonic com a bunda. Parece tão óbvio que eles colocaram o Sonic Clássico aí de última hora que, além dele não fazer nada na história e mal aparecer direito, ele tem só umas 3 ou 4 fases nesse jogo todo, e enfrenta só um boss antes do último.

Isso levanta a maior pergunta do ano passado: Era necessário colocar o Sonic Clássico nesse jogo? Não, não era, ninguém pediu por isso.

Eu e os outros fãs da era clássica estávamos perfeitamente felizes só de ver Sonic Mania sendo anunciado, até porque eu não vou querer outro jogo do Sonic Moderno com o Sonic Clássico enfiado lá se eu sei que a Sonic Team não é capaz de recriar o gameplay clássico do Sonic fielmente, e também sei que isso tornaria o aspecto único do Generations mais fraco, pois agora tem outro jogo que faz a mesma coisa e bota os dois Sonics trabalhando juntos e tal. Mas não, claro que não é assim que as coisas funcionam pra Sonic Team, olha só pros Wisps, o pessoal gostou dos Wisps no Colors e agora eles enfiam Wisps de qualquer jeito em todo jogo novo do Sonic que é lançado, óbvio que iam querer fazer isso com o Sonic Clássico depois do Generations ter feito sucesso.

No final desse jogo eles ainda se atrevem, eles têm a audácia de colocar um diálogo lá implicando que o Sonic Clássico vai aparecer de novo num jogo moderno, com o Sonic Moderno falando "I'm sure we'll run into him again" pro Tails. Não, eu não quero mais dessa merda, ninguém quer mais dessa merda, deixem o Sonic Clássico quieto nos jogos dele com a equipe do Mania! Por favor não toquem no Sonic Clássico de novo, de preferência nem pensem em fazer alguma coisa com ele, finjam que o único Sonic que existe nas suas cabeças é o Moderno e... Olha, apenas deixem o Sonic Clássico e o gameplay dele pra quem pode fazer direito e vai ficar tudo bem pra mim e pra vocês também, ok? Estamos entendidos? Eu espero que sim.


Pois é, eu mencionei bosses, né? Sim, Sonic Forces tem bosses, ou pelo menos tem uns negócios que são considerados como bosses. Eu sei, eu sei, bosses nunca foram exatamente o ponto mais forte dos jogos do Sonic, mesmo os melhores jogos dessa franquia não têm exatamente os bosses mais empolgantes que existem... Mas pelo menos nos outros jogos ainda me dá a ligeira impressão de que eles tentaram criar uns bosses legais, mesmo não conseguindo na maior parte do tempo, dá pra perceber que houve um esforço colocado nas lutas e tal. Sem falar que as lutas que são boas definitivamente merecem destaque também, já elogiei um bocado de bosses específicos em reviews passados de jogos do Sonic, tanto nos jogos 2D quanto 3D.

Infelizmente, Sonic Forces é extremamente preguiçoso até mesmo com os bosses. Como se já não bastasse a propaganda enganosa sobre os vilões e eles na verdade serem só ilusões, dois desses vilões, que são o Chaos e o Shadow, são derrotados em cutscenes e não contribuem com nada nem no jogo e nem na história. Por que caralhos eles apareceram no trailer então? Por que fingiram que eles teriam alguma relevância nesse jogo se nem ao menos alguma luta contra eles existe? Aliás, o único boss que o Sonic Clássico enfrenta nesse jogo antes da última parte, que é o Egg Dragoon que apareceu na demo e nos outros vídeos de gameplay, tem o conceito dele repetido pra parte do último boss que o Sonic Clássico enfrenta: Ele solta umas balas de canhão e você pula nelas pra jogar elas de volta nele. Sim, é um pouco diferente porque as balas de canhão destroem a plataforma onde o Sonic Clássico está, mas não justifica eles reusarem a mesma ideia que um boss passado teve pra essa luta, especialmente quando era a única luta que o Sonic Clássico teve no jogo todo, podiam pelo menos ter feito algo mais único.

Mas calma que fica pior, as lutas com o Infinite são uma piada, tudo o que você tem que fazer enfrentando ele com o Sonic Moderno é soltar Boost até você ficar próximo o suficiente pra poder usar o Homing Attack nele e aí você ataca e repete o cíclo. Ah sim, tem o Homing Attack desse jogo que também é meio esquisito e algumas vezes a mira não aparece no boss mesmo eu estando perto o suficiente dele, o que é outra sequela do gameplay do Lost World que tinha o pior Homing Attack da história da franquia toda, só que admitidamente não acontece com a mesma frequência. A luta do Zavok mesmo, nas vezes em que ele desce com o robô dele lá e me manda pra cima, a mira do Homing Attack que devia aparecer nele pra eu atacar enquanto tô no ar simplesmente não quis aparecer algumas vezes e eu não sinto que isso era culpa minha e nem nada do tipo. Qual diabos era o problema com o Homing Attack do jeito que tava no Generations? Eu não sei, mas esse Homing Attack que os jogos andam tendo desde o Lost World até agora claramente não tá dando certo.

Ok, voltando pras lutas do Infinite, o Original the Character também tem uma luta contra ele dentro de uma sala fechada onde ele fica sobrevoando o local e usando uns ataques que criam ilusões em forma de hazards quando te acertam, o que é um conceito muito legal dessas lutas com ele. Infelizmente, essa luta pode ser terminada em menos de um minuto, especialmente se você estiver com a Lightning Wispon equipada, o ataque do chicote alcança o Infinite lá em cima e aí você pode dar várias porradas de graça nele. A luta contra o Metal Sonic que você joga no modo Tag Team também é basicamente só usar Boost até chegar perto o suficiente pra spammar o Homing Attack nele, e por algum motivo ele fica gigante, mas não faz diferença nenhuma na luta em si isso... Mas pera, no final você dá um Double Boost nele, porque é claro que sim! Aí vem a terceira luta do Infinite que é exatamente igual à do Metal Sonic, com as mesmas animações e até mesmo o negócio dele ficar gigante por motivos misteriosos, e ela também termina com um Double Boost.

Aí tem o Final Boss, que não é outra luta do Super Sonic e nem nada do tipo, mas sim um "Death Egg Robot" com o poder da Phantom Ruby ou algo assim... Aliás, não existem Chaos Emeralds nesse jogo, aparentemente. A única parte dessa luta que é até decente é a do Original the Character, porque pelo menos é uma luta totalmente original onde você evita os ataques do boss, toma cuidado porque ele destrói a plataforma com os ataques e assim que ele abre brecha você acerta o ponto fraco dele. Agora a última parte, que é com o Sonic Moderno, o Sonic Clássico e o Original the Character juntos... É o Final Boss de Sonic Colors reciclado... Pela segunda vez! Já fizeram essa palhaçada no Lost World e repetiram aqui de novo. Bravo, Sonic Team, bravo! E não, essa luta não termina com um Double Boost, mas sim um Triple Boost, que é totalmente diferente, aham, claro.

Aliás, como exatamente isso é um Boost duplo ou triplo se o único desses três que pode usar um Boost é o Sonic Moderno- Ah, foda-se, tanto faz!

Aliás, não tem Super Sonic pra destravar no jogo em si, nem coletando Red Rings ou completando missões extras nas fases porque isso só abre mais roupas pro Original the Character, as missões em si também não são tão legais quanto as missões alternativas boas do Generations, a maioria delas são ainda mais curtas que as fases normais, o que é meio que inacreditável. Ao invés disso, o Super Sonic é uma DLC... Sim, você tem que pagar pra ter o Super Sonic, um elemento que sempre, desde o jogo em que ele foi introduzido, é algo que você abre dentro do próprio jogo como uma recompensa por ter completado Special Stages, ou completado todas as campanhas no caso dos Adventure, chegar ao fim do jogo em outros... Enfim, não interessa o método, o Super Sonic sempre foi algo que já tem no jogo. Aí vocês vão e me botam ele como DLC? Sério mesmo? Vão dar pro cavalo...

(Aparentemente, agora a DLC do Super Sonic é de graça pra sempre, o que alivia o problema de certa forma. Isso significa que eu perdoo eles? Não, isso não devia nem ser conteúdo separado do jogo pra começo de conversa.)

Do que mais eu falo? A DLC do Shadow? Não tem muito o que falar dela, só mostra a história tosca do Infinite enquanto você passa por fases "originais" da campanha do Shadow, que na verdade parecem que foram feitas num criador de fases por cima dos assets das que já existem no jogo, isso quando não repetem seções que já têm nas fases normais, e o Shadow é só o Sonic Moderno com outra skin, exceto que algumas vezes quando aparecem umas fileiras de inimigos voadores ele pode usar um Homing Attack que destrói eles enquanto percorre o caminho, como se fosse o Lightspeed Dash. Essa mecânica é usada de alguma forma que não seja superficial e básica em alguma dessas fases? Claro que não! É ridículo o modo como não teve esforço nenhum colocado nessas coisas, mas pelo menos essa DLC do Shadow é de graça, então tanto faz.

Olha só a intro do meu canal de Minecraft que foda


Eu queria dizer que pelo menos Sonic Forces tem uma trilha sonora boa, como jogos do Sonic costumam ter, mas... Sendo totalmente honesto, eu não me lembro de quase nenhuma das músicas desse jogo, e quando lembro de alguma, nem é exatamente de forma positiva. As músicas têm essa pegada eletrônica com aquele sintetizador com pitch alto que aparece por toda a parte, e essa OST ficou repetitiva pra diabo por causa disso, as músicas de boss parecem intros de canal de Minecraft, as músicas das fases do Sonic Moderno parecem aberturas de anime sem vocais, as do Original the Character são uns J-Pop com vocais, e são tão fora de lugar que chega a ser engraçado jogar as fases finais com ele.

Pra você ter uma ideia, na fase final do Original the Character ele tem que impedir um sol gigante de destruir o mundo enquanto acontece uma guerra logo abaixo de onde ele tá... Agora imagina esse cenário de "PUTA MERDA FODEU O MUNDO VAI ACABAR" com essa música no fundo. A letra nem faz sentido, tipo... "The Sun has fallen in the sky beyond / Light is fading from our world" uhhh... Não? O sol tá caindo no planeta, então a luz não tá exatamente sumindo do nosso mundo, moça. Por acaso foi mesmo o Tomoya Ohtani que fez essa trilha sonora? Porque sinceramente, não parece nem um pouco que ele foi responsável por isso, eu sempre gostei do trabalho dele dentro dessa franquia, mas aqui... Meh, as músicas desse jogo são tão genéricas... E francamente, vale a pena falar das músicas do Sonic Clássico nisso aqui? Não, eu vou fingir que elas não existem porque é melhor assim.

Bem, tem a música tema principal, Fist Bump, cantada pelo Douglas Robb do Hoobastank, que é... Uma música ok. Tá longe de ser a minha música tema vocal favorita da franquia, nem se compara com temas passados como Open Your Heart, Live and Learn, I Am All of Me, His World e Endless Possibility, mas é até legalzinha de qualquer forma, faz o seu trabalho apesar da letra conseguir ser brega mesmo pra padrões de letra de música vocal de Sonic. Tem também a música tema do Infinite pelo Dangerkids, que é aquela música que geral zoa pra caralho por ser edgyzona e tal, mas ouve escondido. Eu sei que você ouve, cala a boca.

A dublagem é ok, não tenho muito o que falar dela que eu já não tenha falado antes a esse ponto. O Sonic do Roger Craig Smith ainda soa igual um tiozão de 40 anos tentando agir como adolescente pra entrosar com a turma do sobrinho dele, o Mike Pollock continua sensacional como Eggman, a Amy agora não tem mais uma voz que parece roubada da Minnie Mouse, e o Infinite é dublado pelo Caius Ballad... Não, eu não me lembro o nome do dublador, mas dá pra reconhecer a voz facilmente, e esse cara faz um bom trabalho também.

Considerações finais

Essa review pode ter soado mais negativa do que qualquer outra coisa, mas... Não considero Sonic Forces um jogo ruim, porém com certeza ele chega bem perto de ser ruim. Se o Sonic Clássico tivesse o mesmo número de fases que os outros dois personagens, pode ter certeza que eu daria uma nota mais baixa pra esse jogo, porque é a única parte realmente horrível. Não que o Sonic Moderno e o Original the Character sejam bons, mas pelo menos dá pra suportar as partes em que você joga com eles e vez ou outra aparecem uns momentos legais nas fases deles... Beeeem de vez em quando, mas acontece. Então por que tem tanta gente que tá absolutamente puta, pistolada com Sonic Forces? Por que um jogo tão medíocre quanto esse causou tanta treta e negatividade na fanbase de Sonic?

Bem, o motivo já deve estar claro se você leu esse texto todo até aqui, mas ok. Sonic Forces, apesar de não ser o pior jogo que o Sonic já teve, é um jogo tão ofensivamente medíocre e sem substância que isso me deixa frustrado. O maior elogio que eu consigo fazer a esse jogo é que pelo menos ele não é totalmente quebrado e provavelmente eu ia preferir jogar ele ao invés de jogar Sonic Lost World, Shadow the Hedgehog ou Sonic '06... Mas isso lá é algo pra se usar como elogio pra qualquer coisa? Acho que não, né?

Eu queria que Sonic Forces fosse um jogo bom, eu acreditava que seria um jogo bom quando foi anunciado, vários conceitos desse jogo soavam promissores, e se a mesma equipe do Colors e do Generations realmente estivesse por trás desse jogo, pode ter certeza que ele seria no mesmo nível ou ainda melhor do que esses dois. Tudo o que a Sonic Team precisava fazer era reunir mesmo essa mesma equipe e colocar um roteirista decente pra aproveitar bem a ideia de um universo distópico onde o Dr. Eggman dominou o mundo com a ajuda de um villão misterioso que tem poderes sobre a própria realidade em si, nas mãos certas esse podia ser facilmente um dos melhores jogos 3D do Sonic, se não o melhor deles mesmo. Mas a maior parte do pessoal que trabalhou no Colors e no Generations não tá mais na Sonic Team, e claramente eles ainda tão precisando de algum roteirista bom.

Eu me senti traído com Sonic Forces, assim como muitos outros fãs de Sonic se sentiram, porque a Sonic Team mentiu na cara dura sobre um monte de coisa enquanto marketava isso. Eles merecem toda essa reação negativa que tão tendo, porque mentir pras pessoas que vão comprar o seu produto é filha da putice e eles simplesmente não merecem ganhar o dinheiro que querem em cima dessa mentira, deviam sentir vergonha de ter feito uma cagada dessas. Não me interessa se o preço do jogo é 40 dólares ou o que for, apesar que o que eu joguei foi baixado de graça com crack, porque pau no cu da Sonic Team, do meu bolso eles não ganham um centavo enquanto não tomarem vergonha na cara. E eu encorajo vocês a piratearem esse jogo também se quiserem jogar ele por curiosidade ou algo assim, mas recomendar que joguem mesmo eu não recomendo, existem tantas opções melhores dentro da franquia Sonic e no gênero Platformer em si que Sonic Forces simplesmente não tem nada interessante a oferecer.

O que vai acontecer com o Sonic depois desse jogo? Eu não sei, mas por mim desde que a equipe de Sonic Mania me dê mais jogos 2D do Sonic Clássico no futuro e esses sejam cada vez melhores, eu já vou ficar feliz o suficiente com isso. Enfim, é isso, eu não tenho muito mais o que falar dessa situação toda, espero que as coisas melhorem no futuro, porque realmente tá precisando de uma melhora urgente. E Sonic Team, troféu de bunda do ano pra vocês, abraços.

Prós:
+ Gráficos bonitos.
+ De vez em quando aparecem uns momentos divertidos aqui e ali.
+ A customização de roupas do Original the Character é bem vasta.
+ Bem, esse é o primeiro jogo do Sonic em que o Silver aparece e não me dá desgosto.
+ Jogar Sonic Mania depois desse jogo é umas 10 vezes mais satisfatório.

Contras:
- O gameplay do Sonic Clássico é horrível em todos os sentidos possíveis.
- Level design raso e simplista até demais, ainda por cima as fases são curtíssimas.
- Enredo que começa até decente, mas rapidamente a qualidade vai embora e nunca volta.
- De alguma forma esse jogo é ainda mais curto do que o Generations.
- Bosses ridiculamente preguiçosos.
- Super Sonic como DLC. Não, eu nunca vou aceitar isso.

Gráficos: 7/10
Enredo: 4/10
Gameplay: 5/10
Som: 5/10
Conteúdo extra: 5/10

Veredicto:

Natal do Ryu: A Paixão de Cristo

By : Ryu

Eu nunca imaginei que minha primeira review não-relacionada a video games seria de um filme bíblico, de todas as coisas. Fiz uma enquete por aqui um tempo atrás perguntando se seria legal esse blog variar um pouco dos video games e fazer reviews de outras coisas como filmes, animes e essas coisas. A maioria do pessoal votou que sim, então tô aqui fazendo essa experimentação no blog agora. No entanto, eu ainda quero manter esse blog como algo mais voltado pra video games, então não espere que vão ter reviews de outras coisas com uma frequência tão alta quanto posts de video games.

Bem, eu provavelmente não vou fazer muitos amigos com esse post aqui... Mas foda-se, isso não me impediu de fazer outros posts que causaram uma encheção de saco coletiva nos comentários anteriormente e não vai me impedir de fazer esse também, então estamos aí com uma review especial de natal sobre A Paixão de Cristo, o polêmico blockbuster de BDSM bíblico do nosso querido Mel Gibson. Por que caralhos eu tô falando agora de um filme de 2004 pro qual ninguém mais liga hoje em dia e toda a polêmica em volta dele já morreu? Sei lá, pelo mesmo motivo que a Record ainda passa esse filme na TV em ocasiões especiais.

Não, eu não sou um ateu chato de internet que quer que você pare de acreditar em Deus por causa de motivos X e Y que eu considero perfeitamente lógicos. Na verdade... Eu tô pouco me fodendo pra qual é a sua religião, se você acredita em Deus, Alah, Buda, Satan, Goku, se é ateu, ou o que for, e também acho perda de tempo ficar discutindo esse assunto na internet tentando mudar a cabeça de outra pessoa quanto às suas crenças. Um cristão raramente vai ser convencido de que Deus não existe, assim como um ateu raramente vai ser convencido do contrário, então essas discussões nunca vão a lugar nenhum. Acredite no que você quiser, eu não me importo e nem quero provar aqui que Deus existe ou não existe.

No entanto, eu defendo que dá pra tirar coisas boas, ao menos do cristianismo, que é a religião com a qual eu cresci e tive mais contato. De todas as histórias contadas pela Bíblia, provavelmente a mais conhecida é a do próprio filho de Deus, Jesus Cristo, o cara que foi mandado pra cá com a intenção de dizer pras pessoas ficarem de boas e se amarem porque seu pai é um cara muito daora e não um filho da puta punitivo como o velho testamento retratava, fazer milagres nas vidas das pessoas... E depois ele foi preso, espancado e pregado numa cruz pra pagar os pecados do mundo inteiro. Eu... Acho essa história legitimamente bonita, pra ser completamente honesto, especialmente em filmes como A Última Tentação de Cristo e outro conhecido apenas como "Jesus" que de vez em quando eu via passando na TV, filmes que conseguem humanizar Jesus e mostrar de verdade o peso que ele tinha que suportar realizando essa missão. Um homem que apenas espalhou positividade e ajudou muitas pessoas acabar sendo morto de uma forma tão brutal é algo realmente trágico e injusto, mas é um bom material pra reflexões.

Apesar da sua morte, Jesus deixou todo um legado pra trás e hoje em dia grande parte das pessoas ainda seguem seus ensinamentos... Bem, pelo menos alguns deles, outros são convenientemente ignorados por esse mesmo pessoal que o segue pra que eles possam discriminar os outros da mesma forma que Jesus e os seus seguidores foram discriminados no passado, mas paciência. Eis que então Mel Gibson resolve fazer um filme sobre Jesus Cristo!

Mas sobre o que exatamente é esse filme? Sobre a mensagem dele? A relação que ele tinha com seus seguidores? Nah, é sobre a morte dele. O quão dolorosa, violenta e ridiculamente brutal foi a tortura pela qual Jesus passou em suas últimas doze horas. Por que? Bem... De acordo com o próprio Mel Gibson, este é um filme sobre amor, fé e perdão, pois Jesus morreu por todos nós e é importante se lembrar disso para que haja mais amor no mundo. Em outras palavras: A Paixão de Cristo um filme pra que você se sinta culpado pela morte de Jesus Cristo, ali retratada da forma mais chocante e violenta possível pra que você realmente se sinta um monstro, especialmente se você não for um cristão. Porque, de alguma forma, esse homem aí que você tá vendo, sendo espancado até virar um zumbi com o seu corpo todo em carne viva, sofreu isso mais de 2000 anos atrás por sua causa.

Bem, essa ideia absurda funcionou. Apesar de ter sido malhado pela crítica, A Paixão de Cristo foi um dos maiores sucessos de bilheteria de todos os tempos, e mesmo hoje em dia tem gente comentando sobre o quão belo, moral e realístico esse filme é. Você sabia que tudo o que está em A Paixão de Cristo é o que realmente aconteceu no passado? É, o pessoal que defende esse filme diz isso, eles podem comprovar porque estavam lá no passado, e inclusive o Mel Gibson também estava, ele era amigo próximo de Jesus e viu tudo, reproduziu todos os eventos da forma mais fiel possível no seu filme. Eu também estava lá, é claro, eu era o pão que Jesus partiu na sua última ceia. Podem acreditar!

Papo sério agora... Eu não gosto nem um pouco desse filme. Aliás, "não gostar" é um termo meio delicado, eu realmente odeio A Paixão de Cristo e a sua forma totalmente baixa e covarde de atingir as pessoas usando religião como pano de fundo. Pra um filme que aparentemente é cristão, eu diria que esse tipo de atitude vinda do Mel Gibson é bastante não-cristã no fim das contas. Ou por acaso você imagina que Jesus também queria causar um sentimento de culpa nos outros com sua morte? Bem, ao menos Jesus Cristo como eu o conheço provavelmente nunca faria ou apoiaria uma coisa dessas. E é por isso que agora eu vou falar sobre esse filme da forma mais detalhada que eu conseguir, assim posso destacar as poucas coisas boas sobre ele e as várias ruins, então vamos começar com essa porra logo!

Nem preciso falar que esse post pode ter imagens fortes e violentas, né? Se você não aguenta ver esse tipo de coisa, então é melhor nem continuar lendo isso aqui.


O filme começa com Jesus no jardim de Getsêmani, visivelmente perturbado pelo fato de que ele sabe que tá fodido porque daqui a pouco vai chegar a hora desse filme virar um pornô de tortura bíblico, então ele tem uma breve conversa com seus apóstolos que ficaram de vigiar as coisas. Até eles percebem que tem alguma coisa errada e perguntam se ele quer que os outros sejam avisados, porém Jesus diz pra não falarem nada porque não quer que eles o vejam dessa forma. Jesus então diz a eles que apenas fiquem de vigia, orem, e se alguém perguntar alguma coisa, digam que ele só foi dar uma cagada ali perto porque o pão da última ceia não desceu muito bem no fim das contas. Mas não é pra deixar ninguém ir lá, até porque seria meio desconfortável ver o seu mestre em uma situação como essa.

A propósito... A versão original desse filme conta com os personagens falando aramaico, que supostamente era a língua falada por Jesus e o resto do povo nessa época. Eu não sou nenhum historiador ou especialista nessas linguagens, e tem gente que diz até que falam latim aqui, mas realmente não sei dizer se isso tudo tá certo ou errado. No entanto, eu aplaudo a decisão de usar essa linguagem no filme ao invés de simplesmente botar todo mundo pra falar inglês, faz com que ele realmente pareça algo mais autêntico em comparação com outros filmes bíblicos. A esse ponto, ele já foi dublado pra outros idiomas, inclusive PT-BR. Mas na época não teve nenhum tipo de dublagem e você só podia ver em aramaico com legendas, e por mim podia ter continuado assim, já que essa decisão é uma das poucas coisas realmente legais sobre A Paixão de Cristo.

Enfim, prosseguindo...


Depois de mostrarem Judas recebendo 30 moedas pra entregar Jesus pros líderes religiosos judeus, voltamos pra Jesus se ajoelhando e pedindo ajuda a seu pai pra que ele o defenda dos fetiches de gore e sadomasoquismo do Mel Gibson.


Infelizmente, quem acaba ouvindo isso é o próprio Diabo! Não exatamente quem Jesus estava procurando naquela hora, porém ele tenta convencer o messias a largar de lado essa ideia de morrer pra pagar os pecados de todos, porque ninguém conseguiria fazer algo assim.

Depois de pedir pra que esse cálice de sofrimento fosse afastado dele e receber um "haha não, você vai ser torturado e pregado na cruz sim" como resposta de Deus, Jesus fica tão puto que pisa em uma cobra que tava passando ali por perto. Todos sabem que ele odeia cobras, afinal de contas se não fosse por esse maldito réptil cuzão que fez com que Adão e Eva cometessem o pecado original, ele não teria que passar por essa merda toda agora! Ele aceitou que vai ser torturado e morto como nos planos de seu pai, mas pelo menos vai matar uma cobrinha antes pra que pelo menos ele sinta alguma satisfação esse dia.


Mas não há tempo pra matar mais cobras, pois a cavalaria chegou acompanhada do traidor Judas, e eles procuram ninguém menos do que Jesus de Nazaré!


Judas percebe a merda que ele acabou de fazer e tenta fugir sem falar quem é Jesus, antes que no futuro o seu nome acabe se tornando um insulto e as pessoas se reúnam anualmente pra espancar e tacar fogo em um boneco que fingem ser ele. Porém, os guardas não deixam ele se safar tão fácil assim e agora querem que ele complete a cagada logo, já que começou.


Então tá, Judas foi lá e beijou seu ex-mestre pra mostrar aos guardas que aquele é o homem que eles querem prender. Depois, Jesus diz "Puta merda Judas, tu és BV, né? Que bosta de beijo, irmão" antes que os guardas o cerquem e uma treta comece ali. No meio da briga, Pedro corta a orelha de um dos guardas fora e Jesus a coloca de volta logo em seguida.


Tá aí uma coisa que eu nunca entendi... Não é algo exclusivo desse filme, a história de Jesus realmente tem essa parte onde o apóstolo Pedro corta a orelha de um guarda e Jesus a coloca de volta no lugar, dizendo pro Pedro não fazer isso. Mas olha aí, Jesus acabou de fazer um milagre na frente de todo mundo! Por que caralhos ainda prenderam ele?

Sei lá, quem quiser responder sinta-se à vontade. O que importa é que, com isso resolvido, eles prendem Jesus e o levam.


A tela corta pra Maria, mãe de Jesus, junto com Maria Madalena, uma ex-puta aí que Jesus salvou de levar pedradas até a morte antes, e que em algumas versões da história chega até a ter um romance com o filho de Deus. As duas estão com um mau pressentimento, e com toda a razão pra estarem, afinal de contas.

Bem... Por mais que eu tenha feito umas piadas escrotas no decorrer desse texto até agora, eu tenho que admitir que até essa parte o filme é surpreendentemente bom. Eu dou pontos por mostrarem uma versão de Jesus que não pareça um robô sem emoções igual a maioria dos filmes sobre ele faziam, aqui você vê que, apesar de ser filho de Deus, ele ainda é um ser humano com sentimentos humanos como medo, ansiedade, tristeza, etc. Claro, ajuda também que o Jim Caviezel faz um ótimo trabalho atuando como Jesus, ele é de longe a melhor parte desse filme, apesar de que o resto do elenco também não faz feio. Na verdade... A atuação no geral aqui é boa, então tem isso.

É bom você aproveitar esses quase 15 minutos iniciais decentes desse filme, porque ele vai ficar ridículo exatamente a partir do momento em que...


... Os guardas começarem a dar porrada em Jesus...


... Jogarem ele do topo do lugar alto onde eles estão...


... E ele vai quase até o chão, mas fica pendurado pela corrente em seu pescoço!

Bem... Esse filme com certeza foi curto. Foi uma maneira diferente de dar uma morte a Jesus Cristo, nunca me passou pela cabeça que ele poderia ter morrido quebrando o pescoço em uma queda dessas e-


Nah, ele tá vivo, e é claro que eles puxam ele de volta pra cima pelo pescoço com a corda e ele continua vivo depois dessa.

Realmente, A Paixão de Cristo é o filme bíblico mais realista de todos os tempos, senhoras e senhores. Todos os eventos aqui aconteceram exatamente dessa forma, porque na verdade o Mel Gibson foi até o passado e filmou tudo isso escondido, é verdade.

Quer saber? Vamos fazer um joguinho aqui pra deixar essa review pelo menos um pouco relacionada a video games. Que tal se a gente dar um contador de vidas pra Jesus e diminuir uma pra cada vez que era pra ele ter morrido igual qualquer ser humano que passasse por tal coisa morreria? Pois bem, seguindo o modelo do primeiro Super Mario Bros., Jesus começou com exatamente 3 vidas e acabou de perder uma, agora ele tem 2.

Jesus é levado até a praça do Sumo Sacerdote todo mundo fica sabendo, bla bla bla nada acotece feijoada. Então ele vê um cara aleatório construindo uma mesa, e isso o lembra...


... Daquela vez uns anos atrás em que ele inventou a mesa de jantar.

Sim, eu não tô brincando, esse filme tem uma cena de flashback com Jesus e Maria, e nessa cena ele faz uma mesa alta que ela nunca viu antes, aí ele diz que vão precisar de cadeiras altas que ele ainda não fez, e aí ela diz "Isso nunca vai pegar" como se fosse algum tipo de invenção inédita que não tem nenhum futuro. Qual diabos foi o ponto disso? Eu não sei, foi tão aleatório que parece uma piada... Mas não é, porque A Paixão de Cristo é o filme que conta tudo como realmente aconteceu, então obviamente quem inventou a mobília de jantar foi ninguém menos do que Jesus de Nazaré em um dos seus dias menos ocupados com a palavra de seu pai! Obrigado por trazer a verdade á tona, Mel Gibson!

Pior que, apesar dessa coisa viajada aí da mesa, essa também é uma cena legal. Não por Jesus ter inventado a porra da mesa, mas porque é outra cena onde Jesus age como um humano normal, aqui ele é mais brincalhão e tem um senso de humor, inclusive quando a Maria manda ele lavar as mãos e joga água nelas, ele lava e em seguida joga a água nela também. Eu realmente queria ver mais cenas como essa, pena que esse filme tá mais preocupado em mostrar Jesus se fodendo do que qualquer outra coisa relacionada a ele, então rapidamente cortamos de volta pra Jesus se fodendo.


Essa é a cena onde Jesus é julgado pelos crimes de blasfêmia que ele supostamente cometeu, dizendo que é o filho de Deus, que vai destruir o templo sagrado e reconstruir em três dias e o caralho a quatro. Então o sumo sacerdote Caifás traz uns testemunhos contra Jesus tão legítimos quanto as pesquisas de intenções de voto pra presidente do Brasil em 2018, todo mundo se revolta, Jesus apanha mais um pouco e tudo fica um caos. É uma falação do caralho onde os caras maus são obviamente maus e corruptos, honestamente essa cena me mata de tédio... Os detalhes importantes aqui são que Caifás inventou o juri corrupto dos tribunais, e Pedro inventou o arregão negando Jesus três vezes quando perguntaram se ele é um dos discípulos.


E Judas, após não conseguir devolver o dinheiro e dar liberdade a Cristo, inventou o mendigo da praça que fica pedindo esmola aos outros que passam perto pra comprar cachaça.


Ele tentou inventar também o tio pedófilo da praça, mas infelizmente as crianças que ele encontrou e foi chamar pra perto oferecendo bala na verdade eram crias do Diabo indo atormentá-lo por causa dessa merda toda que ele fez. Sem muita escolha, Judas vaza dali à toda velocidade antes que a população descubra que além de trair Jesus, ele tentou molestar o Diabo sem sucesso!


Enquanto isso, Jesus tenta fazer sua melhor cara de filhote de cachorro indefeso pra ganhar alguma piedade, porém é inútil porque esse filme ainda vai ficar extremamente violento pro lado dele. Nem mesmo cachorrinhos escapam das fantasias de Mel Gibson, o que é uma pena.


Judas pode não ter conseguido inventar o tio pedófilo da praça, mas com certeza ele conseguiu inventar o corredor olímpico. Em alguns minutos, esse filho da puta correu de uma praça cheia de gente até o topo das montanhas localizadas em uma área que aparentemente tá isolada de todo o resto do mundo, e o Diabo que o acompanhou até aí também corre pra caralho, hein!


Mesmo assim, Judas não ficou satisfeito em ter inventado o corredor olímpico. Em meio a todo esse tormento, ele encontra no chão o cadáver de um ancestral da Luciana Gimenez e resolve usar a corda amarrada em seu focinho pra colocar um fim nisso de uma vez por todas!


Assim, ele amarra a corda em uma árvore e se enforca usando ela... E esse foi o fim de Judas the Hedgehog, um verdadeiro feijão humano, e também um verdadeiro herói que contribuiu muito para a nossa sociedade.

... Oh, peraí, ele tá vivo ainda. Infelizmente, Judas se esqueceu de qual é o filme onde ele está e agora não consegue se soltar da corda. Desculpe, Judas, mas em A Paixão de Cristo você demora pelo menos duas horas pra morrer, então cê vai ter que ficar aí pendurado por um tempinho até finalmente morrer. Mas ei, veja pelo lado bom, pelo menos você não tá tão fodido quanto Jesus agora!


Jesus é levado até o governador romano, Pôncio Pilatos, que infelizmente dessa vez não é o David Bowie, mas ainda é um dos personagens mais decentes desse filme por não ser tão unidimensional quanto quase todo o resto. Caifás e os líderes judeus tentam fazer com que Pilatos condene Jesus à morte, porém como Pilatos é uma pessoa sana, ele questiona o que picas esse profeta, que teve até festa de boas vindas a Jerusalém uns dias atrás, fez pra merecer uma pena de morte, e não fica convencido pelo que os caras dizem que ele fez.


Então ele resolve ter uma conversa em particular com Jesus, pra tentar entender qual é a dele. Os dois têm uma discussão bem amigável sobre Jesus ser supostamente um rei que veio até aqui para trazer a verdade, e o que diabos é essa tal verdade e etc. No fim das contas, Pilatos interrogou Jesus e não viu culpa nenhuma nele, então resolveu mandá-lo até o tetrarca da Galileia. Já que Jesus é um galileu, então eles que se virem pra julgá-lo.


Aqui descobrimos que o tetrarca da Galileia é ninguém menos do que o JonTron, um famoso e polêmico youtuber de video games. Logo, os judeus trazem seu prisioneiro para ser interrogado e julgado pelo tetrarca.


Mas como Jesus não liga pra video games, ele ignora JonTron completamente e resolve tirar um cochilo enquanto resolvem o que fazer com ele.

JonTron, sendo um homem cristão conservador de direita e apoiador de Donald Trump, não quis perturbar o sono de Cristo e resolveu mandá-lo de volta pra Pilatos...


... Que está pensando no diálogo que teve com Jesus e no quanto essa situação toda tá uma merda. Ele pede ajuda quanto a esse lance sobre a "verdade" para sua mulher, Claudia, porém ela diz que se ele não quer ouvir a verdade, ninguém poderá dizê-la.

Novamente, Pilatos é um dos personagens mais decentes dessa película, pois essa retratação realmente mostra como ele também tem um conflito no meio disso tudo. Ele passou os últimos anos tentando manter a província em ordem e agora tá tendo que decidir entre condenar um homem que ele considera inocente só pra impedir que Caifás comece uma revolta e correndo o risco dos apoiadores de Jesus se revoltarem, ou não condená-lo e assim causar revolta nos que o querem morto. Se pelo menos esse filme fizesse um trabalho tão bom com os outros personagens quanto o que ele faz com Pilatos ou até mesmo Jesus, talvez eu diria que ele vale alguma coisa. Mas... Nah, com exceção de Jesus e Pilatos, todo mundo nesse filme é mais unidimensional do que os personagens de Final Fantasy XIII.

Aliás, isso é até uma das coisas que levaram as pessoas a acusarem o Mel Gibson de anti-semitismo com A Paixão de Cristo. O filme aqui meio que retrata o líder romano como um homem conflitado que não quer derramar sangue inocente e nem causar rebeliões, enquanto os judeus querem Jesus morto de qualquer forma, mesmo ele não tendo feito nada realmente errado. A implicação que o pessoal diz que existe aqui é a de que a culpa da morte de Jesus é dos judeus, que empurraram essa sentença a ele não importa o que acontecesse. Quer saber? Na teoria, esse filme não devia ser anti-semita porque existem judeus que apoiam Jesus ali, porém o filme dá um foco tão grande no pessoal que quer que ele seja morto, que simplesmente não dá pra passar outra impressão se não a de que tão jogando a culpa disso nos judeus, de fato.

Talvez não tenha sido intencional, mas o Mel Gibson com esse filme acabou incitando ainda mais discussões sobe quem é o culpado pela morte de Cristo. É uma discussão desnecessária? Sim, mas o que você espera de um filme com uma proposta tão desnecessária quanto? Pois é.

Enfim, esse negócio todo tá se arrastando demais, então vou resumir o que aconteceu: Jesus foi novamente levado diante do público e Pilatos resolve dar a esse público a escolha de libertar ele ou um assassino chamado Barrabás. Obviamente, Barrabás acaba sendo a escolha das pessoas e a vontade desse povo é que Jesus seja crucificado, mas Pilatos decide que quer apenas que castiguem Jesus, não que o matem.


Assim, ele é levado até o pretório dos romanos, despido de suas roupas e acorrentado a um tronco de madeira pra que o pornô de tortura do Mel Gibson finalmente comece.

É... Quase toda a controvérsia que teve na época sobre esse filme ser muito violento vem dessa cena aqui, a flagelação de Cristo. São pouco mais de dez minutos de Jesus sendo chicoteado pelos dois romanos carecas que ficaram de puni-lo...


Primeiro eles batem com varas até as suas costas ficarem cheias de marcas.


Enquanto isso, o Diabo tá ali por perto olhando...


Então a seção de BDSM de Cristo acaba por agora, depois de mais ou menos 30 chibatadas eles param enquanto o homem fica de joelhos, mal se aguentando em pé.


Nesse meio tempo, Maria chega até o local e vê a coisa horrível que fizeram com seu filho.


E como todo bom filho, Jesus vê a sua mãe e se levanta pra que os soldados romanos deem mais lapadas nele, assim fazendo com que Maria sofra mais do que já está sofrendo ao ver seu filho sendo torturado e não poder fazer nada pra impedir.

Assim eles o fazem, mas dessa vez trocam a vara pelo flagelo romano com ganchos nas pontas. Aí sim esse filme começa a ficar violento de verdade, os flagelos arrancam pedaços da pele de Jesus como se não fosse nada, inclusive temos essa bela cena logo abaixo:


Pois é, um dos caras arranca um pedaço tão grande de um dos lados de Jesus que agora dá pra ver os ossos da costela dele. Bem, pelo menos aquele meme do "lal mano kd teus lados" não funcionaria com Jesus porque dá pra ver claramente que os lados dele estão ali, não é mesmo? Hahah!


Mas não acaba por aí não... Na verdade eles continuam! Jesus leva tanta porrada nessa cena e perde tanto sangue que chega a ser absurdo, ninguém sobreviveria a uma merda dessas! Se não fosse morrer por todo o dano causado no corpo dele, seria por hemorragia sem sombra de dúvidas, isso é ridículo e chega até a ser acidentalmente engraçado de assistir. Eu lembro de ter lido em algum lugar que quando eles usavam esse flagelo, só podiam dar até doze chibatadas no prisioneiro. Faz sentido, porque esse chicote faz um estrago tão fodido que realmente uma pessoa poderia morrer se acabasse apanhando demais com ele, e aqui Jesus leva muito mais do que doze golpes, acho que ele leva até mais do que foi com a vara. Qual é, caras?

Bem, Jesus agora tem 1 vida sobrando.


E também não acaba por aí, pois o chefe dos romanos decide virar Jesus pro outro lado pra que eles possam flagelá-lo na frente também. Então começam a chicoteá-lo todo de novo, e é claro que ninguém sobreviveria a isso também.

Agora Jesus está com 0 vidas, o que significa que mais uma morte dá Game Over.


Ah sim, o Diabo ainda tá ali, e agora ele tá acompanhado do seu filho, interpretado por Leandro Karnal. Aparentemente, essa é a maneira dele de zoar Jesus e a sua mãe, ou algo assim... Sei lá, eu não ligo. Há quem diga que os soldados aí foderam tanto com o corpo de Jesus porque o Diabo aí tava influenciando eles a fazer isso sem perceberem, porque assim eles vão poder matar Jesus antes que ele possa cumprir a profecia de que ele seja pregado na cruz e tal. Não sei, só quis dar essa informação mesmo, pra mim tanto faz e esse filme continua sendo tão crível quanto uma luta de Mortal Kombat.

De qualquer forma, Jesus vê a sandália de um dos solados e começa a ter outro flashback...

Não me diga que agora cês vão me falar que Jesus inventou as sandálias também, né?


Aparentemente não, ele só lembrou que tirou as sandálias de um dos seus discípulos pra lavar os pés dele enquanto diz que a coisa vai ficar feia pra eles também no futuro.


Então o outro chefe dos romanos chega a mando de Pilatos e manda pararem puto da vida, afinal era pra eles apenas punirem Jesus, não matá-lo. Ops, acho que esqueceram desse detalhe, ainda bem que só mataram ele umas duas vezes e ele ainda tem uma última vida sobrando, foi quase!

Com isso, Jesus e os romanos inventaram o sadomasoquismo...


... E Maria inventou a faxina, indo limpar o sangue do seu filho com uma toalha que Claudia deu a ela.


Enquanto isso, os romanos levam Jesus a outro lugar, colocam uma coroa de espinhos e uma túnica nele, como um verdadeiro rei é tratado nesses cantos.


Maria Madalena se lembra de quando Jesus a salvou de ser apedrejada, em uma cena que eu gosto, mas não sei explicar o motivo exato. Não tem diálogo nenhum nessa cena, apenas Jesus traçando uma linha no chão enquanto os caras largam suas pedras e vão embora, e logo em seguida Jesus dá sua mão à moça pra ajudá-la a levantar. Talvez seja a música que toca nela... Aliás, a trilha sonora de A Paixão de Cristo é verdadeiramente boa, se por acaso eu não mencionei isso antes. Não é tão boa quanto a trilha sonora que o Peter Gabriel fez pra A Última Tentação de Cristo, mas ainda assim, parabéns aos compositores, eu suponho.


Pilatos leva Jesus ao público novamente, tenta convencê-los de que já é o suficiente, agora que o cara parece uma picanha gigante. No entanto, Caifás ainda quer que Jesus seja crucificado e o pessoal também quer, logo essa coisa toda dele ter sido flagelado foi inútil.

Aliás, pra alguém que pretendia libertar seu prisioneiro depois de castigá-lo, Pilatos deixou seus soldados flagelá-lo praticamente até a morte. Se esse filme não fosse tão ridiculamente surreal quanto a violência, era pra Jesus ter morrido bem antes do outro cara chegar lá e mandar pararem de flagelar ele.

Aliás, falando em morte, como será que anda o Judas agora?


Hm, tá vivo ainda... Aguenta aí, Judas! Falta uma hora ainda pro filme acabar, até lá você morre com certeza!


Pilatos taca o foda-se e deixa Jesus ser crucificado, ainda que ele estivesse relutante sobre isso. Portanto, Jesus tem que carregar sua cruz até o local onde ele será pregado nela. Ei lembra de quando esse homem mal conseguia se manter de pé depois de ser flagelado pelos romanos? Pois é... Agora ele consegue andar com uma porra de uma cruz enorme de madeira nas costas!


Além disso, Jesus continua apanhando dos soldados romanos enquanto carrega a cruz. Porque "overkill" é um termo que simplesmente não existe na cabeça do Mel Gibson.

Sério, de onde diabos ele tirou todo esse ódio que os soldados romanos sentem por Jesus, afinal de contas? Sim, eles torturaram ele, o humilharam, colocaram a coroa de espinhos e tudo, mas até onde eu sei, pra eles isso tudo era uma grande piada porque Jesus era supostamente o "rei dos judeus" como alegavam. Que eu saiba, nem Pilatos e nem nenhum dos romanos tinha algum tipo de raiva legítima de Jesus ao ponto de continuar flagelando ele e só parar quando o comandante ordenar, e continuar espancando o cara mesmo com uma cruz nas costas, precisando novamente de intervenção do comandante.

É sério, toda a violência desse filme parece totalmente gratuita e tirada do cu dos produtores dele, em uma tentativa patética de chocar quem tá assistindo. Passar aquele sentimento de culpa a qualquer custo, sabe? Eu nunca vi ou ouvi falar de nada a respeito de Jesus ser jogado do topo de uma montanha e pendurado pelo pescoço quando ele foi preso pelos judeus, também nunca tinha ouvido falar dele ter sido chicoteado em duas seções diferentes até perder mais sangue que uma mulher menstruando, e agora isso dele apanhar enquanto carregava a cruz também é algo que eu só fui saber quando vi A Paixão de Cristo. A esse ponto, qualquer credibilidade que esse filme tinha pra manter essa descrição de "realista" que o pessoal que o defende adora usar já foi pelo ralo.

"AH MAS ANDRÉ ELE É JESUS, É O FILHO DE DEUS!"

Sim, mas ele também é um ser humano, caralho! O ponto dessa morte dele não era ele se entregar como humano, sofrer como um humano e morrer como um humano pelos pecados de todos? Se ele usou algum tipo de poder divino pra se proteger de morrer em qualquer uma dessas ocasiões onde qualquer humano normal teria morrido, então não tem sentido nenhum essa merda!


E é nesse ponto que você percebe que A Paixão de Cristo tá forçando a barra pra ter duas horas de duração. Enquanto Jesus carrega a sua cruz, ele começa a cair a cada 5 segundos, e TODAS as vezes em que ele cai, eles mostram isso em câmera lenta! Talvez seja por isso que esse filme tem tanta violência gratuita, eles precisavam que ele durasse duas horas mesmo não tendo motivo pra isso, e a única maneira de fazer com que um filme sobre a morte de Jesus durasse esse tempo seria colocar mais violência e enfiar câmera lenta em todos os momentos onde tiverem oportunidade.

Tem uma cena onde Maria vê Jesus caindo e vai correndo ajudá-lo, lembrando de uma vez quando ele era criança e caiu, aí ela tinha ido lá socorrer. Na teoria, isso era pra ser uma cena emocional, mas como a retratação que esse filme fez pra Maria se resume em ficar parada chorando 90% do tempo. e a única vez em que a relação dela com Jesus é um pouco explorada é em um flashback curto... Eu não senti nada com isso, desculpa.

Essa parte é um tédio do caralho, eu nem tenho muita coisa pra comentar sobre ela. Jesus tá carregando a cruz, aí ele cai, depois levanta, anda mais um pouco, depois cai de novo, aí ele tem que levantar outra vez e continuar... Esse filme tá um saco, puta merda. É ainda mais chato de assistir do que eu me lembrava, não sei como diabos tem gente que consegue ver uma coisa dessas e gostar. Depois eles pegam um cara chamado Simão, que tava no meio dos judeus em volta de Jesus, e obrigam ele a ajudá-lo a carregar a cruz pra isso não demorar mais do que já tá demorando, porque até mesmo os personagens desse filme já estão entediados a esse ponto.

Mais algumas quedas, momentos de câmera lenta e shots aleatórios pra estender o tempo de duração depois... Finalmente chegamos ao ponto de destinação.


Opa, peraí! Faltam mais uns 30 minutos pra chegar duas horas, vamos fazer Jesus demorar um ano pra chegar até a cruz enquanto rolam mais alguns flashbacks!


Uhum...


Bela mensagem, Jesus... Imagino a decepção que você deve sentir atualmente, olhando o modo como as pessoas têm seguido ela com o passar dos anos.


Bem, finalmente agora vão pregar Jesus nessa maldita cruz e acabar com isso logo!

Aliás, uma trívia pra vocês: Quem tá pregando Jesus nesse shot aí acima é ninguém menos do que o Mel Gibson, são as mãos dele como uma espécie de cameo bizarro. Ou isso é uma maneira simbólica de dizer que ele também se sente culpado pela morte de Cristo? Sei lá, eu não duvido, parece algo idiota o suficiente pra ele pensar pra colocar nesse filme.

Hm, falta mais um bocado pra duas horas... Vamos enrolar com a cena da crucificação aí também, bota uns fillers aí tipo...


Os caras tendo que deslocar o ombro de Jesus pra mão dele poder chegar ao buraco do outro lado da cruz! Isso sim é necessário!

Ainda falta muito tempo pra duas horas, o que a gente faz agora?


Já sei, bota uma cena onde eles viram a cruz pra baixo, porque precisam entortar os pregos ali atrás pra que Jesus não caia!


Sim, tecnicamente a cruz devia esmagar Jesus, o que causaria a sua quarta morte nesse filme. No entanto, alguma força sobrenatural invisível manteve a cruz flutuando no ar e ninguém além de Maria Madalena percebeu! Aliás, mesmo se a cruz não o esmagasse, só a força que fez com que a cruz caísse pra baixo já faria o corpo de Jesus se mover pra frente, apenas as mãos e os pés dele estão pregados e amarrados na cruz. A cintura dele não tá presa de forma alguma na cruz, e isso com certeza faria com que o corpo dele desse uma curvada e talvez até quebrasse a coluna dele! Mas não aconteceu nada, a cintura dele nem se mexe, como se tivesse sido pregada na cruz também.

Lembrete: A Paixão de Cristo é o filme bíblico mais realista que existe, tudo o que tá nesse filme é verídico e aconteceu de verdade, exatamente como o filme mostra. Ok?


Depois disso, eles viram a cruz de volta pra cima, a jogando no chão e fazendo com que Jesus morra pela quarta vez porque a esse ponto a sua coluna já devia ter sido destruída.

Com isso, Jesus perdeu sua última vida, agora o jogo acabou e...


Não? Como assim?

Ah... Ele tem uns Continues? Ok então...

Bem, pelo menos agora essa cruz tá de pé com Jesus pregado nela, falta só mais um pouco pra essa porcaria de filme acabar. Jesus conversa com os dois ladrões que foram crucificados juntos com ele, um fala pra que ele desça da cruz e mostre que ele é o filho de Deus enquanto outro se arrepende do que fez e Jesus diz que ele vai pro céu quando morrer.


O tempo fecha, Maria vai até Jesus e pede que ele a deixe morrer junto com ele, uma cena que eu admito que achei um pouco triste. Pra ser honesto, eu não tenho muito do que reclamar sobre essa parte, os últimos momentos de Cristo na cruz são bem representados aqui, e novamente o Jim Caviezel faz um trabalho bem convincente em passar toda a dor física e até mesmo psicológica que ele sentiu aí.

Após toda essa angústia, Jesus olha pra cima e diz "Pai..."


...


E morreu.

Sem vidas extras ou Continues dessa vez.

Depois que Jesus morre, começa a cair uma tempestade pesada e todo mundo sai correndo desesperado, mas sem antes quebrarem as pernas dos dois ladrões pra que eles morram logo. Aparentemente, Deus tá muito puto por terem matado seu filho, e apesar de perdoar esses caras, ele quer fazer uns pequenos estragos antes.


Como rachar o templo sagrado ao meio!


O que fez Caifás chorar muito, pois agora não tem Jesus vivo pra reconstruí-lo em três dias.


Como Jesus pagou pelos pecados de todos, agora o Diabo grita "NÃÃÃÃÃÃÃÃO MALDITO JESUS E SUAS VIDAS EXTRAAAAAAS AAAAAARGH!!!" em um lugar que... Eu suponho que seja o Inferno? Sei lá, tanto faz.


Os romanos descem Jesus e todo mundo fica triste pela morte dele, acabou o filme.

... Bem, na verdade não. Tem mais uma cena mostrando Jesus ressuscitando, afinal de contas era esse o grande plot twist da história!


Nessa cena Jesus aparece nu, se levanta e aparentemente sai da sua tumba, pronto pra espalhar as boas novas e chutar umas bundas não-cristãs por aí!

Aí sim o filme acaba. Fiquem agora com a imagem de Jesus Cristo andando por aí pelado, dizendo que reviveu e acenando pras pessoas com a sua mão esburacada pra provar que é ele mesmo.


Wow, caras... Esse filme... Puta que me pariu, esse filme é terrível! Eu não tenho nenhum tipo de preconceito com filmes bíblicos, pra mim um filme bom é um filme bom independente de qual seria o tema que ele aborda. Mas A Paixão de Cristo é, com toda a sinceridade que eu posso manifestar, um dos piores filmes que eu já vi na minha vida... Sim, é um filme bem produzido, bem atuado e com uma boa trilha sonora, mas eu valorizo muito mais o roteiro de um filme do que essas outras coisas, e em matéria de roteiro isso aqui é horrível. Existem momentos onde A Paixão de Cristo mostra alguns sinais de um bom filme, mas eles são apenas isso, momentos, que passam rápido e depois o filme volta a ser Jesus Apanhando Pra Caralho ao Som de Músicas Orquestradas Épicas.

Tinha uma bagagem aqui pra esse ser um filme bíblico único de uma forma positiva, se focar nas doze últimas horas da vida de Cristo era uma oportunidade pra explorar exatamente todo o seu sofrimento, tanto o físico quanto o espiritual. O que torna o começo do filme interessante é que ele finge que vai fazer exatamente isso, mostrando um Jesus conflitado indo pedir ajuda ao seu pai, pois mesmo um homem divino como ele também tem seus medos e dúvidas assim como todos nós temos, sendo tentado pelo Diabo, e ainda tendo determinação o suficiente pra não fraquejar e cumprir sua missão. Porém isso é apenas uma ilusão, A Paixão de Cristo não é um filme religioso inteligente que retrata a fé de um homem diante do seu desespero, eles não perdem tempo em mostrar que na verdade isso aqui não passa de uma pornografia sangrenta sem substância alguma, com personagens bíblicos enfiados lá no meio pra atrair o público religioso.

E como eu disse antes, ao meu ver esse é um filme que simplesmente pega a mensagem cristã e a joga totalmente de lado, ou na "melhor" das hipóteses, a interpreta da pior forma possível e monta uma chantagem emocional absurda através do uso da violência exagerada pra "converter" pessoas ao Cristianismo. Eu sinto dizer, mas isso não funciona comigo, não funcionou quando eu assisti A Paixão de Cristo pela primeira vez e continua não funcionando agora, pois nem mesmo o próprio Cristo usou algum método desse tipo pra ter seus seguidores. Talvez se você gostar muito de BDSM, mas gostar nível hardcore mesmo, pode até ser que A Paixão de Cristo acabe tendo algum mérito pra você. É o mérito que o Mel Gibson queria que esse filme tivesse? Não, mas continua sendo um mérito mais admirável do que essa intenção dele.

É isso então, tenham um feliz natal! Até mesmo você que leu esse texto e tá com a boca espumando de raiva por gostar desse filme e ver alguém falando mal dele na internet, feliz natal pra você também.

Veredicto:

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