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Grisaia no Kajitsu

By : Ryu

Bem, eu decidi que pra escrever review de Visual Novel eu vou adotar um formato diferente do usual daqui. Ao invés de separar as categorias e falar de cada coisa separadamente, como gráficos, enredo, gameplay, música, etc... Eu vou só falar do negócio todo de uma vez, me focando mais na história por ser o aspecto principal e dando alguns spoilers quando precisar fazê-lo pra explicar algum ponto, porque Visual Novels geralmente não têm muito gameplay, e até quando uma tem, geralmente é algum mini-game que mal é explorado direito porque a parte principal ainda é a história. Dito isso, se por acaso eu acabar jogando alguma que tem mais gameplay do que o normal, obviamente essa vai ser uma exceção, por exemplo... Ace Attorney é Visual Novel, mas o gameplay lá é uma parte importante também e você corre o risco de levar um belo Game Over caso não consiga provar a inocência do não-meliante que você tá defendendo.

Mas ter presença maior de gameplay não é o caso de Grisaia no Kajitsu: The Fruit of Grisaia - Le Fruit de la Grisaia... Não, eu não sei por que picas esse jogo tem o próprio título em tantos idiomas diferentes mesmo antes de ser localizado pro ocidente, mas me lembra de quando um dos filmes do Batman veio pra cá com o título Batman: O Homem-Morcego, que em inglês ficaria Batman: The Batman. Mas enfim... Grisaia no Kajitsu é uma das várias Visual Novels que eu baixei quando resolvi vasculhar o VNDB e ver o que me interessa pelas sinopses, além de outras que foram recomendações de pessoas que eu conheço também. Coincidentemente, quando eu comecei a jogar Grisaia no Kajitsu por volta de 2014 e 2015, uma localização desse jogo foi anunciada pro ocidente, além de terem feito uma adaptação em anime que tava passando na mesma época, então obviamente esse foi um título bem sucedido lá no Japão.

... O que não me encheu de segurança porque tem tanta merda que faz sucesso lá no Japão, especialmente nessa área de animes e semelhantes, que é meio assustador. Mas ok, não é como se o ocidente pudesse falar muita coisa também, afinal Mirai Nikki que é literalmente o anime mais mal escrito que eu já tive o desprazer de assistir não fez sucesso lá no Japão e por aqui fez.

Ainda assim, Grisaia no Kajitsu ao menos tem conteúdo que justifica a popularidade de forma positiva, então já é melhor do que muita coisa que acaba ficando popular no Japão hoje em dia. Foi desenvolvido pela Front Wing e é meio que um caso especial dessa empresa porque até então ela era conhecida só por fazer jogos hentai, então Grisaia no Kajitsu seria tecnicamente o primeiro jogo mais sério da Front Wing... Que também tem umas putarias aqui e ali, não entenda errado! Bem, eu recomendo jogar a Visual Novel, porque o anime de Grisaia no Kajitsu é uma adaptação de 13 episódios tão rushada que faz o final de Assassin's Creed III parecer bem planejado em comparação. Ok, não é TÃO ruim assim... Mas é bem rushado e você vai perder muita coisa da história se só assistir o anime, quem sabe algum dia eu escreva uma review dele separadamente. Agora sem mais enrolações, vamos logo começar a falar desse jogo!


Grisaia no Kajitsu se passa em... Algum lugar do Cabo de Mishima, no Japão, porém é um lugar especial porque tem uma escola chamada Academia Mihama, fundada com o intuito de acolher como estudantes pessoas bem específicas que não conseguiram se encaixar muito bem no resto da sociedade. Uma dessas pessoas é o nosso protagonista, Kazami Yuuji...

... Vai, pode fazer a sua piadinha original e hilária de pedir PlayStation porque o nome dele é Yuuji, eu espero, vamos.

Fez? Tá satisfeito? Ok, meus parabéns.

Yuuji é um adolescente com um passado misterioso que busca viver uma vida normal de estudante do ensino médio, e ele é não só um estudante de Mihama como também é o primeiro e único estudante do sexo masculino em toda a escola... Que na verdade só tem ele e mais 5 garotas, cada uma com seus próprios motivos pra estarem estudando em Mihama. Bem, Yuuji é claramente o vencedor do troféu "Homem que Acaba Convenientemente Indo Parar em um Ambiente Onde só tem Garotas" de Visual Novel, o que também faz com que Grisaia no Kajitsu fique perigosamente próximo de parecer uma dessas obras Harem ruins e estereotipadas que a indústria de animes adora cagar pra fora em toda santa temporada. Felizmente, apesar de ter esse elemento, Grisaia no Kajitsu tem uma ideia bem interessante em relação ao modo como esses estereótipos de anime são executados e chega até a ser bem auto-consciente sobre essas coisas.

Todas as 5 garotas principais superficialmente são arquétipos de anime que você já viu um milhão de vezes antes: Suou Amane é a "irmã mais velha" meio tarada que também se preocupa em excesso com seus "irmãos mais novos" e os protege, Irisu Makina é a loli hiperativa que brinca com todo mundo, Komine Sachi é a empregada obediente que faz literalmente tudo o que os outros estudantes pedem, Matsushima Michiru é a tsundere que faz cu doce pra literalmente tudo, e por último mas não menos importante, a Sakaki Yumiko que é a kuudere, aquela personagem séria que não expressa muita emoção e fica mais distante do resto do grupo. Nas cenas em que cada uma dessas garotas é introduzida você já pega a ideia de como elas agem, e... Você pode ou não gostar delas de cara dependendo das suas preferências pra esses arquétipos. Eu por exemplo detesto tsunderes, a maioria delas não só são chatas e irritantes como também são mal escritas e depois os roteiristas tentam me forçar a ter simpatia por elas com algum background convenientemente trágico e sombrio. Então... Digamos que eu não fui muito com a cara da Michiru, a princípio...

Mas diferente de outras tsunderes, a Michiru foi ganhando a minha simpatia aos poucos, não de maneiras forçadas, mas porque ela tá mais pra uma paródia de tsunderes do que uma tsundere de verdade mesmo. Essa coisa toda de tsundere é só uma atuação da Michiru, atuação tão ruim que até o Yuuji conseguiu perceber na primeira interação que os dois tiveram, então ela constantemente fica alternando entre a personalidade real dela e a tsundere que ela quer que todo mundo pense que ela é, o que resulta em algumas cenas engraçadas e outras meio que irritantes, mas eu com certeza tive mais facilidade pra gostar da Michiru do que 90% das outras personagens tsundere que eu já vi.

Pra falar a verdade a Michiru nem é a única, todas elas agem de um modo relativamente falso, escondendo suas verdadeiras personalidades por motivos que estão relacionados aos backgrounds delas, um dos temas principais dessa história é justamente a auto-sinceridade, o ato de fugir dos seus próprios sentimentos ao invés de encará-los. Não que tudo o que você conhece delas fora das suas respectivas rotas seja só atuação, mas existe uma certa camada de não-genuinidade no modo como elas agem que você só explora mais a fundo quando entra nas rotas.

Por exemplo, a Amane aparentemente fica "apaixonada" pelo Yuuji à primeira vista e tá sempre no pé dele, principalmente depois de descobrir que ele tinha uma irmã chamada Kazuki, que agora está morta, aí ela começa a querer cuidar dele também como se fosse uma irmã mais velha, dando a desculpa de que é algum tipo de roleplay que ela curte fazer. Durante o desenrolar do prólogo do jogo, fica óbvio que a Amane legitimamente se importa com o Yuuji, mas o modo como ela dá em cima dele não é nem um pouco natural, eu já vi gente reclamando que esses flertes e a atitude da Amane no geral são forçados, mas... Esse é justamente o ponto, o autor tá dando ênfase nisso deliberadamente pra depois se tornar um ponto a ser explorado na própria rota da Amane, é um dos poucos casos onde o fanservice não tá lá só pra agradar otaku punheteiro e tem um motivo pra ser desse jeito.

A Sachi... Bem, quando eu disse que ela faz literalmente tudo o que os outros estudantes pedirem, eu quis dizer literalmente mesmo. Ela se veste de maid sempre quando não usa o uniforme da escola e leva tudo a sério, o que acaba sendo um problema principalmente na rota dela, mas um exemplo no prólogo seria quando ela vai pegar bebidas pros outros estudantes e a Makina diz que quer leite, então depois ela diz "Me dá o mais gostoso" antes da Sachi sair... Então a Sachi some por um tempo e depois descobrem que ela literalmente pretendia ir pra Hokkaido ordenhar uma vaca de lá pra tirar leite fresco. A Makina é tímida perto de gente que ela não conhece, o Yuuji só foi ficar amigo dela depois de ajudar ela a pescar uma lagosta e conversar um pouco, e desde então ela começa a se mostrar meio carente. Ela trata o Yuuji e a Amane como se fossem irmãos mais velhos dela, ao invés de ficar no próprio quarto ela fica no da Amane quase sempre, a personalidade energética dela e o jeito de falar deixam o pessoal desconfortável algumas vezes e ela também tem uma atitude um pouco auto-depreciativa sobre si mesma. Então tem a Yumiko, que não só é fechada e não demonstra muita emoção como também tenta matar o Yuuji umas vezes com um estilete, porque ela não quer aceitar ele como amigo ou membro do grupo, e lentamente ela vai ficando mais ok com ele, mesmo assim ela não conversa tanto nem com as outras garotas com quem ela já tem mais convivência.

Tendo estabelecido essas personagens, o prólogo (ou common route) de Grisaia no Kajitsu antes de você ter as escolhas que levam até as rotas normalmente se trata de mostrar interações entre o Yuuji e as garotas no dia a dia da sua nova vida escolar, ele conhece todas elas, o seu relacionamento com cada uma vai melhorando e até mesmo a Yumiko para de enxergar ele como um inimigo e começa a confiar um pouco nele, e mais um mooooooonte de cenas com os personagens em várias situações diferentes da vida. Bem... Aí tá o meu primeiro problema com Grisaia no Kajitsu: O prólogo é absurdamente longo! Eu não tô brincando, Grisaia no Kajitsu é um jogo famosamente longo e pelo menos metade desse tempo de duração vem do prólogo, o que não seria um problema se a trama se mantivesse interessante e avançasse nesse longo período. Embora isso aconteça em certas ocasiões, afinal o Yuuji conhece melhor as garotas, também somos introduzidos a outros personagens secundários como a diretora Chizuru e a guardiã do Yuuji, Harudera Yuria, também conhecida como JB, que é uma oficial de uma agência do governo japonês conhecida como Ichigaya, onde o Yuuji também trabalha.

Mas isso é mais no começo, assim que você já conheceu todos os personagens melhor... O prólogo simplesmente continua sem nenhum grande evento, só mostrando os dias normais dos personagens na escola, como se fosse um anime episódico com ambientação colegial. De certa forma eu não sou contra a ideia, afinal o que o Yuuji quer é viver uma vida normal de estudante, e isso é basicamente o que tá acontecendo, mas depois de um ponto eu só queria chegar até uma das rotas logo. Em defesa do prólogo, ele tem um bocado de momentos que são legais sim, as cenas que introduzem cada uma das personagens são boas e o modo como o Yuuji se aproxima delas na medida em que interage mais é bem show de bola, algumas interações entre eles são legitimamente engraçadas.

A cena onde a Michiru tá "incomodada" por causa do gato de rua preto que "seguiu ela até a escola" e pede ao Yuuji que ajude ela a "se livrar dele" tentando ser tsundere com o gato e não conseguindo, até deixa escapar que deu o apelido "Kittymeow" pro gato. Também tem a cena onde o Yuuji pega a Amane siriricando na cama dele e depois usa esse ocorrido como inspiração pra uma cadência que ele faz a Makina cantar junto com ele em voz alta pra ela se animar e correr mais rápido pra aula enquanto a Amane fica gritando pra pararem. Tem a cena onde o Yuuji menciona pra Sachi que roupas de baixo são mais populares com os homens do que uniformes de maid e então no outro dia ela aparece na sala de aula vestindo uma lingerie, uma cena meio que adorável onde a Makina e a Michiru praticam inglês, a Yumiko também tem uns momentos bonitinhos como quando a Amane e a Makina elogiam o corpo dela no banho, aí ela age como se não ligasse e depois por acaso o Yuuji encontra ela se olhando no espelho no quarto dela e parecendo feliz pelos elogios, o "episódio de praia" também tem umas interações legais entre os personagens, etc.

Uma coisa boa sobre isso é que Grisaia no Kajitsu não se limita só a mostrar o Yuuji interagindo com as garotas, também existem várias cenas delas interagindo entre si, o que torna a amizade delas bem crível, eu realmente não consegui desgostar de nenhuma delas depois de um tempo. Bem... Tem essas cenas bem específicas que são boas, umas são engraçadas, outras são interessantes, mas depois de um tempo parece que o prólogo só tá se arrastando, as piadas começam a ficar menos criativas, certas seções inteiras são tão mundanas que eu fiquei tentado a skipar os diálogos, e na real, o que é mais interessante sobre a reta final do prólogo no meio de tanta coisa cansativa é que a Yumiko vai tendo interações mais frequentes com o Yuuji e as outras, chegando até a se abrir um pouco e tal. Mas sim... Fica cansativo, e não ajuda muito que esse jogo te dá pouquíssimas escolhas, tem uma no meio do prólogo que não afeta muita coisa na história e as outras são de diálogos com cada garota específica na reta final do prólogo, escolhendo a opção certa você entra na rota da garota em questão. Pelo menos pra mim se o jogo começasse a te dar escolhas no prólogo, mesmo que insignificantes, sendo só pra ter uns diálogos ou conclusões de cenas diferentes, tornaria essas partes tardias do prólogo menos maçantes, pelo menos daria uma interatividade pra elas, mas ok então.

Que bom que Grisaia no Kajitsu tem a famosa função de salvar o jogo quando me der na telha, porque assim que me foi dada a primeira das escolhas possíveis no final do prólogo pra entrar em uma das rotas, eu deixei um save lá e sempre dei load nele toda vez que terminei uma rota. A partir de um momento, você vai tendo uma cena específica com cada garota onde o jogo te dá uma escolha que decide se você entra na rota ou não, e se você recusou todas, entra automaticamente na rota da Yumiko, que é a última garota com quem o Yuuji interage nessa última parte do prólogo... E também eu creio que seja a que o jogo trata como garota principal, porque até na opening do negócio ela tem mais destaque do que as outras garotas. De qualquer maneira, eu vou falar das rotas na ordem em que eu as joguei, não na ordem das garotas com as quais o Yuuji vai interagindo, então é por isso que a primeira rota vai ser...


... A da Makina.

Não, eu não sou um pedófilo ou um lolicon, eu tenho uma explicação pra como essa acabou sendo a minha primeira rota.

Pois bem... Eis que eu estava jogando Grisaia no Kajitsu e de repente o jogo começou a me dar escolhas, a Amane queria que eu desse um beijo nela como pedido de desculpas por alguma merda aí e na hora de escolher eu recusei porque eu não sou um beta fracassado que se humilha pra agradar mulher! Vai embora, sua vadia ruiva peituda genérica que se acha gostosona fica se esfregando na cama dos outros! Bem, eu fui fazendo umas escolhas conversando com a Sachi e a Michiru que acabaram não sendo as escolhas que me levariam pras suas rotas, mas eu realmente não sabia que aquela era a hora em que o jogo tava decidindo me enfiar em alguma das rotas, afinal de contas eu mal tive escolhas e a outra que eu tive antes na história não teve impacto em nada. Eu simplesmente pensei que essas escolhas aí também não significavam muita coisa.

Então de repente a Makina queria que o Yuuji, que até então ela tratava como irmão mais velho, fosse o pai dela... E ela tava falando sério, ela ofereceu todo o dinheiro que ela tinha guardado na sua poupança, estamos falando de milhões de ienes porque ela vem de uma família RYCA, meus amigos! Eu pensei que isso ia resultar em alguma cena engraçada e resolvi aceitar o dinheiro da Makina em troca de me tornar o pai dessa criatura. Acontece que... Isso era a escolha da rota dela, quando eu percebi eu pensei "Ahhh... Não era a rota dela que eu pretendia pegar primeiro, mas ok, agora já foi" e acabei continuando então. E eu receio dizer que a rota da Makina é a pior desse jogo, então não foi exatamente uma boa primeira impressão de como as rotas são aqui... Por algum motivo eu vejo muita gente dizendo que a rota da Makina é a melhor rota, ou pelo menos uma das melhores, e eu realmente não entendo qual seria o motivo pra tanta gente gostar.

Sabe como em uma Visual Novel você conhece uma personagem bem superficialmente até entrar na rota dela e começar a conhecer melhor? Na medida em que você vai ficando mais próximo, a personagem em questão se mostra bem mais multifacetada enquanto a sua história e motivos vão sendo revelados pelo jogo, na teoria. Bem... Eu honestamente não sinto que a Makina na rota dela fica muito diferente da Makina que eu vi no prólogo, a única coisa diferente é o fato de que o Yuuji coloca ela pra fazer uns treinamentos militares e assim ela fica mais competente em lutar e se defender, mas a personagem em si não muda ou se desenvolve muito, ela continua sendo uma garota que alterna entre ser carente e precisar de proteção e ser energética e se empolgar ao ponto de falar coisas inapropriadas várias vezes. Diria até que a rota da Makina desenvolve ela ao contrário, porque perto do final ela precisa mais de uma figura paterna pra proteger ela do que nunca, o outro aspecto da personalidade dela que é ser tímida e desajeitada perto de outras pessoas não chega nem a ser explorado direito, o jogo só me diz isso e aparentemente a Makina se abre mais pra sociedade porque chega a conseguir um trabalho de meio-período, mas teria sido bem mais efetivo se mostrassem como essa timidez dela atrapalha nos relacionamentos que ela pode ter com os outros ao invés de só me contarem isso.

Diabos, eu acho que o Yuuji tem mais desenvolvimento na rota da Makina do que a Makina! Muitos aspectos da personalidade e do background dele são revelados nessa rota, a relação dele com a JB e a antiga mestre dele, ele tinha lá as suas incertezas sobre adotar uma garota como "filha" porque ele não faz a menor ideia do que diabos ele precisa fazer pra ser um bom "pai" pra essa garota, e aos poucos ele vai entendendo como as coisas funcionam e se tornando uma figura parental melhor pra Makina. Ainda não mostram todo o background do Yuuji, porque deixam isso pra ser explorado na prequel e na sequência desse jogo, mas deu pra entender muito bem de onde vinham essas inseguranças dele e o modo como ele tentava superar elas enquanto criava a Makina como filha e... Mantinha um romance meio bizarro com ela também. É... Esse aspecto de romance do Yuuji com a Makina nessa história não funciona muito bem não e também nem faria muita diferença se fosse descartado, só torna as cenas de sexo que já são abruptas e estranhas por si só ainda mais estranhas porque a Makina continua chamando ele de "Papa" enquanto ele tá lá socando a sua calabresa dentro dela. A princípio eu achei que esse negócio dele ser "pai" dela iria sumir com o tempo porque ela ia superar e começar a tratar o Yuuji como namorado ao invés de pai, mas... Isso nunca acontece, então é só bizarro mesmo.

Bem, o plot dessa rota gira em torno da família da Makina, que é ridiculamente corrupta e descobre que ela sobreviveu a um incidente do passado que envolveu seu sequestramento e a morte do seu pai, por isso eles querem dar um jeito de forçar a Makina a ser a herdeira da família pra que eles ainda tenham poder dentro do clã Irisu ou algo assim. Honestamente, não é uma história muito interessante, e a antagonista principal que é a mãe da Makina, Irisu Kiyoka, é um lixo de pessoa, sério, é uma das personagens mais detestáveis que eu já vi em qualquer obra de ficção. Quando mostraram todo o background da Makina em uma seção de flashback contando a história do ponto de vista da garota, revelando a verdade por trás do assassinato do pai dela e o motivo dele ter sido morto, eu fiquei tão puto com a Kiyoka que eu honestamente desejei que ela morresse no final dessa rota, ou que pelo menos algo horrível acontecesse com ela. E ela nem é uma pessoa horrível divertida de assistir que nem o Coringa, o Vaas Montenegro ou o Kefka Palazzo por exemplo, ela é uma vilã bem monótona.

Dito isso, a história começa a mudar o foco mais pra ação, com o Yuuji e a Makina fugindo do pessoal do clã Irisu e arrumando maneiras inteligentes de se manterem longe, até que eventualmente a Makina acaba sendo pega sozinha por causa de algo extremamente burro que ela foi fazer e leva um tiro. Ela fica hospitalizada e o Yuuji fica puto por terem feito isso com a "filha" dele, o que leva ele a buscar vingança e bolar um plano pra chegar até onde a Kiyoka está e encher ela de bala, eventualmente ele alcança seu objetivo e tá lá de frente com essa desgraçada morfética pronto pra meter pipoco! Então o jogo me dá uma escolha: Puxar o gatilho e matar a Kiyoka ou não matar. Eu, querendo mais que a Kiyoka tome no meio do seu cu, escolhi puxar o gatilho e assim o Yuuji o fez, só que arbitrariamente na hora de fugir do prédio ele leva um tiro de escopeta e acaba morrendo quando volta pra Makina, o que resulta no final ruim. Se você não matar a Kiyoka, o Yuuji escapa e ainda leva o mesmo tiro, mas por algum motivo ele sobrevive, só perde o movimento de um dos braços e aí a Makina toma o lugar dele como agente da Ichigaya.

Se eu já tava achando a rota da Makina decepcionante antes, esse final me deixou com um puta gosto amargo, eu odeio essas decisões de moralidade forçada em jogos, especialmente quando o vilão que o jogo "não quer" que você mate é um lixo de pessoa sem nada que possa ser redimido. Pior ainda é quando a escolha não tem nada a ver com a consequência, e matar ou não a Kiyoka não tem porra nenhuma a ver com o Yuuji sobreviver a um tiro que ele leva depois ou não, inclusive a cena dele escapando depois dessa escolha é exatamente a mesma, é completamente forçado e arbitrário esse final. Já é ruim o suficiente do jeito que é, mas o final "bom" da rota da Makina nem ao menos resolve os problemas e conflitos estabelecidos antes na rota: A Makina continua tratando o Yuuji como pai e não supera o que aconteceu com o pai de verdade dela, a Kiyoka ainda tá viva e possivelmente vai voltar a perseguir a Makina, a meio-irmã da Makina continua sendo um fantoche do clã, a Ichigaya agora de repente tá do lado do Yuuji e da Makina mesmo tendo passado boa parte da rota perseguindo eles também, a JB simplesmente fez eles pararem de alguma forma... Eu não senti que nada foi concluído com esse final. Ah, e por algum motivo a Makina tá grávida no final ruim com o Yuuji morto enquanto no final bom ela não tá, isso foi uma bosta! Se não fosse pelo flashback da Makina e o desenvolvimento do Yuuji, eu diria que essa merda é completamente vazia e sem propósito, uma péssima rota com dois péssimos finais possíveis. É uma pena, porque eu gosto da Makina como personagem e ela tem algumas das melhores cenas do prólogo, mas foi muito mal aproveitada nisso.

Depois de terminar a rota da Makina, eu fiquei receoso quanto as outras, porque se elas seguirem os mesmos passos... Wow, esse jogo vai ser ruim. Felizmente, a rota da Makina é a exceção e não a regra, e apesar de eu ter tido alguns problemas com as outras rotas, nenhuma delas chegou a ser ruim e/ou a me deixar tão insatisfeito quanto a da Makina.


Então a minha segunda rota foi a da Yumiko, que originalmente era a que eu queria pegar como primeira rota. Eu tinha uma espécie de relação de amor e ódio com ela durante o prólogo, geralmente gosto de personagens mais quietos e reservados porque eu sou uma pessoa quieta e reservada e também me dou melhor com pessoas desse tipo, mas por outro lado eu meio que odiava o fato de que a Yumiko sempre me ameaçava com esse estilete que ela carrega pra lá e pra cá. Ainda assim, eu queria saber qual é a dela e também acho que ela é a que mais combina com o Yuuji entre essas garotas, ele também é um personagem bem reservado e estoico, apesar de ter um senso de humor fodido, então o romance dessa rota pode ser o melhor. Então... Sim, eu acertei quanto ao romance do Yuuji com a Yumiko ser o melhor escrito do jogo, mas agora o plot dessa rota em si... Ehhh...

De certa forma, o conceito é parecido com o da rota da Makina: A personagem é membro de uma família poderosa e corrupta que é dona de uma organização grande e que vai atrás dela por motivos políticos. Não, é só a Makina e a Yumiko que são de famílias poderosas mesmo, as outras são bem mais simples em comparação. Dessa vez o antagonista é o pai da Yumiko, Sakaki Michiaki, dono do setor financeiro da Companhia de Ferrovias Elétricas da Costa Leste e também o chefe e fundador da Academia Mihama, a Yumiko não gosta nem um pouco desse maluco e ele inventa um plano pra trazer ela de volta pra ele que até hoje eu não sei como diabos ele pensou que seria uma boa ideia ou como sequer fez sentido na cabeça dele. Olha só: O plano dele é fazer uns caras irem atrás da Yumiko pra fazer ela se assustar e querer voltar pra sua família onde vai se sentir mais protegida. Porém, Michiaki contrata a Ichigaya pra agir como guarda-costas da Yumiko e é aí que o Yuuji acaba entrando no meio da história porque ele fica com a tarefa de vigiar a Yumiko e acaba seguindo ela pra lá e pra cá, o que irrita ela a princípio, porém os dois vão se entendendo um pouco melhor com o tempo.

Então eventualmente o Yuuji começa a lutar contra os capangas do Michiaki que foram lá fingir que iam raptar a Yumiko, e por causa disso ela meio que começa a se apaixonar por ele, porque essa foi a primeira vez que alguém ficou do lado dela e tentou protegê-la em um momento crítico, mas ele não particularmente sente o mesmo por ela. Então continua nessa dos capangas chegarem pra raptar a Yumiko e o Yuuji chutar a bunda de geral até que o Michiaki vê que esse plano é uma retardadice sem tamanho porque ela só tá ficando mais próxima do Yuuji do que qualquer outra coisa, daí ele manda a Ichigaya suspender a tarefa de guarda-costas do Yuuji e assim separar ele da Yumiko, o que ele acata e assim para de segui-la. Porém, a Yumiko não gosta disso porque ela quer que ele fique junto com ela, então ela resolve usar o próprio dinheiro pra contratar o Yuuji como guarda-costas, o Michiaki fica putasso com isso e começa a mandar mais capangas que vão ficando cada vez mais perigosos, e chega a um ponto onde o Yuuji e a Yumiko acabam fugindo pra outra cidade e passam a viver juntos em um apartamento, e é a partir daí que o romance entre eles começa a se desenvolver.

No decorrer da história também tem uma seção de flashback que conta a história do passado da Yumiko do ponto de vista dela, basicamente todas as rotas tem um momento assim pra garota principal dela e todas essas seções de flashback são muito boas, até a da Makina que tem a pior rota do jogo. Eu não quero dar muito spoiler dessas coisas, as histórias por trás das personagens de Grisaia no Kajitsu e como elas adotaram suas atuais personalidades são todas bem interessantes, a da Yumiko conta sobre o conflito interno pelo qual a família dela passava, o "problema" dela ser uma herdeira mulher quando o Michiaki queria um herdeiro homem porque ele é um machista escroto que não acha o clinton, a mãe dela que fica doente, incapaz de gerar outro filho e psicologicamente abalada com a situação toda, os estudantes que tinham amizades extremamente falsas com ela, etc. E diferente da Kiyoka, o Michiaki é um cuzão, mas ao menos eles se importaram em adicionar mais coisas à caracterização dele nesses flashbacks, ele tem motivações bem melhores pra agir como ele age, no fundo ele sabe que ele é uma má pessoa e até se sente mal por ter que fazer isso, ainda existe alguma humanidade dentro dele e ele realmente se importa com a sua filha apesar de tudo. O Michiaki sim seria um personagem que se me dessem a escolha de matar ou não, eu ficaria meio hesitante no fim das contas depois de saber tudo sobre ele.

De qualquer forma, a Yumiko e o Yuuji vão ficando bem mais próximos nesse período em que eles vivem sozinhos juntos, eles se entendem por terem um bocado de coisa em comum um com o outro, porém a Yumiko ainda é cheia de inseguranças sobre si mesma, principalmente porque o Yuuji vai trabalhar enquanto ela fica em casa e não faz muita coisa, e aí a atitude de kuudere dela vai se desmoronando e dando lugar a algo igualmente preocupante porque ela pensa que ela é inútil e tal. Eu consigo achar isso relacionável porque eu me senti assim por um tempo depois de terminar o ensino médio, fiquei meio sem rumo na vida e só ficava em casa sem fazer nada enquanto o meu pai ia trabalhar, não é uma sensação muito boa. Mas é um romance bem satisfatório, o Yuuji também tem suas inseguranças e, assim como ela, não tem total certeza de como lidar com o fato de que ele passou tanto tempo sozinho e agora tem alguém que tá sempre do lado dele, então os dois meio que se apoiam, a Yumiko vive pedindo desculpas até quando não era necessário e eventualmente isso muda pra um padrão melhor onde os dois ficam sempre gratos por estarem ali um pro outro, é realmente tocante.

Infelizmente nós temos que voltar pro plot alguma hora, mas pelo menos a parte mais estúpida já se foi, e assim como em todas as outras rotas, você tem uma única escolha que pode te levar a um final bom ou um final ruim. Bem, pra mim o final ruim da Yumiko tá mais pra final neutro, é tipo uma versão um pouco melhor do final bom da Makina... Aliás, é bem retardado como fugir da sua família problemática sem resolver as coisas é tratado como um final bom na rota da Makina, só que na da Yumiko é um final ruim mesmo tendo uma conclusão melhor, mas foda-se. O final bom é satisfatório o suficiente, porém... Eu achei que foi meio conveniente demais o modo como o Michiaki de repente acabou se revelando uma pessoa semi-decente o tempo todo, pareceu até meio rushado porque não teve nenhum build-up e nem nada do tipo, mas eu aceitei porque essa parte da história me fez sentir ao menos alguma simpatia por ele, e mais importante, ainda faz sentido com o resto da história! A Yumiko eventualmente viu algo bom em si mesma apesar de toda a merda pela qual ela passou, logo ela ir confrontar seu pai, que ela passou todo esse tempo odiando e agora acredita que ele também deve ter algo de bom, é bem lógico.

Enfim... Isso é a rota da Yumiko, um belíssimo romance montado em cima do que é talvez o plot mais estúpido dentro desse jogo, e com certeza vale a pena jogar pelo romance, ainda que demore um pouco demais pra ele começar a ficar bom, quando fica é uma maravilha. Ainda assim tem algumas cenas legais antes dos dois passarem a viver juntos, a parte quando a Yumiko demite o Yuuji por ter medo dele acabar sendo morto pelos guardas e concordar em ir até onde o pai dela está, pra então o Yuuji não aceitar essa merda e ir até o aeroporto onde ela vai partir primeiramente de bicicleta, depois pegando um carro de um cara qualquer que tava passando por aí e jogando um peru na turbina do avião onde a Yumiko tava foi hilária. Mas... É, o ritmo dessa rota não é o melhor de todos e o final bom podia ter sido melhor construído, mas ainda assim foi bem melhor do que a rota da Makina, em matéria de romance essa é facilmente a minha rota favorita do jogo.


A terceira rota que eu peguei acabou sendo a da Michiru, a tsundere que durante o prólogo foi mais uma personagem de comic relief do que qualquer outra coisa porque ela obviamente não é uma tsundere de verdade. Eu fiquei curioso pra ver o que caralhos iam fazer com essa personagem, porque o contraste entre o prólogo que é mais descontraído e engraçadinho e as rotas que mostram umas histórias bem mais sombrias em comparação é bem aparente, eu não conseguia imaginar algo sério vindo da Michiru, então a rota dela talvez seja algo mais bobinho e levado pro lado da comédia também. Bem... Foi aí que eu me enganei, puta merda, eu nunca estive tão enganado na minha vida! Bem, provavelmente eu já estive mais enganado do que isso antes na minha vida, mas foi uma hipérbole, ok?

De qualquer forma, não é como se a rota da Michiru ficasse sombria e séria a partir do momento em que eu escolho entrar nela ou algo assim. No momento as coisas são meio cômicas também, só que o Yuuji vem reparando que em certas ocasiões a Michiru age de um jeito mais sério e bem diferente da versão "normal" aspirante a tsundere dela, e isso fica mais óbvio ainda depois que a Michiru aparentemente pede pro Yuuji beijar ela porque ela nunca beijou ninguém antes. Porém outro dia quando o Yuuji vai falar com a Michiru a respeito disso, ela não faz ideia do que diabos ele tá falando e pede pra ele chegar ao ponto sobre o que eles fizeram antes, e é aí que o Yuuji decide beijar ela pra demonstrar de forma literal e aí ela fica completamente embaraçada com isso. Mais depois, todas as outras garotas resolvem passar o período de férias fora da escola, deixando o Yuuji e a Michiru convenientemente sozinhos por lá, o que acaba fazendo com que os dois interajam mais um pouco e a Michiru venha com uma ideia estranha de começar a ir a encontros com o Yuuji, porém são encontros de mentira, só uma brincadeirinha inofensiva pra passar o tempo, é claro! N-não é como se ela tivesse se apaixonado pelo Yuuji ou algo assim... B-baka leitores!

Bem, como é de se esperar, esses encontros "de brincadeira" são incrivelmente desconfortáveis a princípio, afinal os dois têm pouquíssima experiência com esse tipo de coisa, mas isso não impede eles de se divertirem ocasionalmente, e aquele clima meio zoado dos primeiros encontros acaba sumindo com o tempo. Porém, o Yuuji meio que começa a ficar cansado disso, até que ele conversa com a "outra" Michiru que pede a ele que continue fazendo companhia pra garota, e então a esse ponto já fica bem claro que a Michiru tem dupla personalidade. Parece que existem duas almas dentro do corpo dela e quando a "outra" Michiru toma conta a original não lembra desse período, o que até o Yuuji diz que parece ridículo. Sim, a rota da Michiru tem esse elemento meio sobrenatural sobre ela ter duas personalidades que depois acaba sendo revelado como algo um pouco mais absurdo do que um mero caso de dupla personalidade, e é bom que você prepare pra suspender um bocado a sua descrença... Acredite, vale a pena suspender a descrença pra isso, a rota da Michiru é muito boa, se a da Yumiko teve o melhor romance, essa aqui tem os melhores elementos psicológicos.

Diferente das duas rotas anteriores, a da Michiru não tem nenhum vilão, não existe nenhum plot com politicagens desinteressantes e nem nada do tipo, o maior "vilão " da rota da Michiru talvez seja até ela mesma. Por trás da atitude de tsundere e da dupla personalidade, existe uma garota perturbada com uma auto-estima quase inexistente por causa do passado dela, e a outra Michiru vem tentando ajudar ela há tempos. Inclusive, fica implicado que o gato de rua lá do prólogo, que também aparece nessa rota e sempre fica junto da Michiru quando pode, na verdade foi encontrado por essa outra Michiru e ela quis que a verdadeira se apegasse ao gato pra ter um companheiro. A Michiru apelidou o gato de Kittymeow no começo, mas ela nunca realmente deu um nome ao gato porque diz que tem medo de criar um laço com ele e depois perdê-lo, mesmo assim o Yuuji acredita que o gato vai fazer bem pra ela e até brinca dando o nome Rommel pra ele em uma tentativa de forçar ela a nomear o bicho, então a Michiru resolve nomear ele de Meowmel.

O tempo vai passando, o Yuuji e a Michiru ficam mais próximos, as outras garotas também voltam das férias eventualmente e parece que tá tudo ok como modo como as coisas vão caminhando. No entanto, a Michiru começa a tomar conhecimento dessa outra versão dela, o que faz ela ficar ainda menos confiante em si mesma, já que quem andou resolvendo os problemas dela esse tempo todo não era ela e sim uma outra pessoa mais competente, e em uma dessas discussões que ela teve com o Yuuji por causa disso, ela acabou espantando o gato pra longe sem querer. Os dois procuram o gato e... As coisas não acabam muito bem. O gato acaba sendo atropelado, a Michiru fica desesperada e os dois tentam levar ele pra um veterinário o quanto antes, porém o gato morre no meio do caminho ainda no colo da Michiru. Argh, sem brincadeira, essa cena me partiu o coração! Em 2012 eu tive que sacrificar o meu cachorro que tava com Leishmaniose, ele era preto que nem o gato da Michiru e morreu no meu colo enquanto esperava a coisa lá que o veterinário injetou nele fazer efeito, deu pra sentir exatamente o momento em que a respiração fraca dele parou e a vida dele se foi, então eu realmente senti um desconforto da porra vendo uma cena dessas nesse jogo.

Obviamente, a Michiru se culpa pela morte do gato e fica deprimida pra caralho, ao ponto de tentar cometer suicídio através de overdose de calmantes que ela tomava desde o começo do jogo e fingia ser balas de ramune. Yuuji impede que ela consiga se matar e dá uma bronca nela por essa merda que ela tentou fazer, e o resto dessa rota é meio que deprimente porque a Michiru tenta mesmo agir como se estivesse tudo bem, mas ela não consegue e acaba sempre voltando a ficar pra baixo, nem a outra Michiru parece conseguir fazer muita coisa a respeito disso. Bem, eu não quero dar spoilers do resto dessa rota porque essa reta final é a melhor parte dela, começam a mostrar o background da Michiru através do que é a minha segunda seção de flashback favorita do jogo, a situação dela é bem mais grave do que parece e a justificativa pra ela ter adotado essa personalidade de palhaça tsundere é bonitinha, mas meio triste ao mesmo tempo. Todo o negócio das duas personalidades diferentes dela também é explicado... Mas, como eu disse antes, é algo meio absurdo e sobrenatural, então você vai ter que suspender a sua descrença, e eu honestamente não sei como eu me sinto sobre isso ainda, mas digo que eu ia preferir se ela só tivesse desenvolvido um distúrbio de dupla personalidade mesmo, seria mais fácil abordar esse tema de mudanças psicológicas associadas a traumas emocionais dessa forma. Eh, tanto faz, essa rota continua sendo ótima.

Não tem muito romance nessa rota porque ela é mais sobre o Yuuji tentando entender o que se passa com a Michiru e ajudando ela a resolver o problema como puder. O final bom é satisfatório e o final ruim... Bem... O final ruim da rota da Makina me deixou nervoso por ser mal executado, o da rota da Yumiko me deixou indiferente porque não é tão ruim assim, apesar de não ser exatamente feliz também, é mais neutro do que qualquer coisa. O final ruim da rota da Michiru, no entanto... Wow, acho que eu não via um final alternativo de Visual Novel tão deprimente assim desde o final neutro da Rin em Katawa Shoujo, e a escolha que leva pra esse final ainda é meio traiçoeira, a opção pode até chegar a parecer a certa pra alguns, mas ela leva pra nada além de miséria no fim das contas. Enfim... A rota da Michiru foi surpreendentemente boa, de fato, é a minha rota favorita desse jogo e também a única que eu não tive a impressão de que demorou mais do que precisava pra chegar ao ponto logo, apesar da Michiru em si não ser a minha garota favorita. Vou deixar vocês tentarem adivinhar qual é até eu terminar a falar das rotas.


Então a próxima foi a Sachi... Também não conseguia ter ideia do que diabos iam fazer com ela, mas a rota da Michiru me ensinou que personagens comic relief podem ser deprimentes, então me preparei pro pior nessa. Bem, a rota da Sachi é meio complicada de falar sobre pra mim, no sentido de que eu não consegui me relacionar tanto assim com ela ou com a história dela, e embora a ideia seja interessante, a solução pro problema dela foi tão simples que eu me perguntei por que diabos não fizeram isso logo ao invés de ter todo esse processo que teve na história toda dessa rota. Mas eu tô me adiantando demais aqui, vamos por partes.

No começo do jogo mesmo quando o Yuuji conhece a Sachi pela primeira vez, assim como a Amane, ela tem uma reação meio peculiar quando ele se apresenta falando seu nome completo, então Sachi pergunta se pode chamá-lo de Yuu-kun, o que é estranho. Outra coisa que fica bem clara é que a Sachi obedece qualquer pedido que alguém fizer a ela, não importa qual seja, ela chega a interpretar até de forma literal, o que no prólogo foi usado mais pra fins de comédia assim como a atuação de tsundere da Michiru. Porém, na medida em que a história avança, a Sachi vai obedecendo cada coisinha que os outros mandam e começa a falar sobre como ela tá sendo uma "boa garota" dessa forma, o que fica cada vez mais preocupante quando ela passa a falar isso com mais frequência. Obviamente tem alguma coisa errada com essa garota, bicho!

Bem, o Yuuji tenta fazer com que a Sachi entenda que as coisas não são tão simples assim, que ela não pode simplesmente obedecer todo mundo pra ser uma boa garota e caso contrário ela é uma má garota, porque a porra do mundo não funciona assim! As coisas não são preto e branco dessa forma, existem tons de cinza... Não 50 porque aí essa Visual Novel vai se tornar um livro ruim e ninguém quer isso, mas essa visão simplista dela tem que ir. Eu vou ter que spoilear a história da Sachi aqui pra que você entenda o ponto ao qual eu quero chegar sobre essa rota, o que é uma pena porque o background dela também é muito bom, mas ok. Sachi era uma garotinha que morava feliz com os seus pais e tinha tudo do bom e do melhor, porém depois de um certo tempo, seus pais começaram a ficar mais ausentes, passando mais tempo focados no trabalho e dando cada vez menos atenção pra garota, o que deixou ela magoada e a fez pensar que seus pais não gostam mais dela.

Certo dia em um parquinho, Sachi acabou encontrando um garoto chamado Yuuji, que também tava tendo problemas com seus pais porque ele simplesmente não consegue ser tão incrível quanto a sua irmã, Kazuki. Então Sachi e Yuuji ficaram amigos, através dessa amizade os dois recebiam a atenção e o afeto que seus pais não os davam durante aquele período, só que o Yuuji também começou a sumir, os encontros com ele no parque começaram a ficar menos frequentes e assim a Sachi voltou a ficar triste, porque o décimo aniversário dela tava chegando e eles tinham prometido se encontrar nesse dia, o que acabou não acontecendo. No entanto, os pais da Sachi foram comemorar o aniversário dela com ela, sendo estranhamente gentis e atenciosos com ela, o que fez ela dar um faniquito e sair correndo porque achou que isso era afeto insincero. Os pais da Sachi foram correndo atrás, eventualmente encontraram ela, só que quando corriam na direção dela, tiveram o azar de entrar na frente de um caminhão no meio da rua sem perceber. O pai da Sachi morreu na hora com o atropelamento, mas a mãe ficou em um estado vegetativo, as últimas palavras dela foram "Sachi, por que?" antes de entrar em coma.

Por causa desse incidente, Sachi ficou traumatizada e se culpou pela morte dos seus pais, colocando na cabeça que essa tragédia podia ter sido evitada se ela não tivesse se irritado com os pais dela e os desobedecendo fugindo de casa. Dessa forma, ela concluiu que nunca mais vai desobedecer alguém de novo, sendo essa a maneira de expiar e virar uma "boa garota" que segue ordens sem questionar e nunca comete o "pecado" da desobediência, e com o tempo ela chega até a ter memórias desse incidente voltando e fica meio zoada da cabeça. O Yuuji então decide que vai retribuir o favor que ela o fez no passado a ajudando a se livrar disso, dessa forma ele começa um relacionamento romântico com ela e cria um plano onde ela obedece uma ordem, porém se arrepende depois, pra que ela perceba que não pode continuar assim. Eventualmente o Yuuji deixa ela plantar explosivos na escola e mandar ela pelos ares só porque a Michiru disse que não queria fazer provas, e então a Sachi se arrepende, obviamente.

A Sachi deixou a atitude de "boa garota" de lado depois disso, só que ela continua atormentada pelo passado, que é a fonte de todos os problemas dela. Então o Yuuji consegue do tio da Sachi, que ficou com a guarda dela desde a morte dos pais, a chave do local onde os pais dela trabalhavam, então ela vai lá, vê um monte de fotos bonitinhas e uma carta dos pais dela que mostra que eles sempre amaram ela e querem vê-la feliz, então ela fica feliz de vez e volta pro Yuuji, ao menos no final bom. No final ruim, por algum motivo quando você faz uma escolha diferente, ela aleatoriamente volta pro Yuuji, que por algum motivo agora não seguiu ela até o local, vai correndo na direção dele e acaba morrendo exatamente como os pais dela morreram... Não sei o que diabos o autor disso queria que eu pensasse, mas eu achei esse final engraçado, desculpa. Agora o final bom... Bem, é um final bonito e tudo mais, só que eu não faço ideia de por que diabos teve esse trabalho todo de fazer a Sachi explodir a escola pra se arrepender depois, sendo que a fonte do problema sempre foi o fato de que ela se culpou pela morte dos pais e pensa que eles não gostavam de verdade mais dela. Diabos, o tio dela que tava com a chave e sabia o que tinha na sala lá esse tempo todo podia ter só mostrado isso pra ela e pronto, é melhor do que deixar ela desse jeito e mandar pra uma escola feita pra arquétipos de anime traumatizados com passados horríveis!

É por isso que eu fiquei meio "ehhhh" com a rota da Sachi, é um conceito interessante, tem uma boa história e um romance bem decente, mas a resolução meio que tornou todo o processo de "consertar" a Sachi via um meio tão extremo parecer besta e desnecessário. É um daqueles casos onde a história é boa até chegar no final que de alguma forma a torna bem menos satisfatória em retrospecto, ainda assim não é uma rota que eu consideraria ruim, só... Desnecessariamente complicada, eu até ia preferir que deixassem ambíguo se os pais da Sachi foram sinceros lá no dia do aniversário dela ou não, se eles morreram com algum ressentimento e dessem um final pra história depois que ela decide explodir a escola. Já que o final ruim parece forçado lá só pra ter um final ruim, bota alguma escolha armadilha que faz a Sachi querer explodir a escola, mas perceber que se apegou a essa escola e por isso quer ir pros ares junto, pelo menos faria mais sentido do que dar a ela a mesma morte que os pais dela tiveram porque sim. Acho que é isso... Eu não odiei a rota da Sachi, de qualquer forma, foi ok.


E por último, mas não menos importante, a rota da Amane. Sabe por que eu deixei essa por último? Porque eu não gosto de garotas fáceis, e pra entrar na rota da Amane eu tinha que simplesmente obedecer o pedido dela e beijá-la! Que graça tem nisso, porra? Cadê o desafio de ter que me esforçar pra conquistar o coração dessa digníssima dama ruiva tetuda que estuda na mesma escola que eu? E se ela se ofereceu tão fácil assim pra mim, com certeza ela vai acabar pegando outro homem com a mesma facilidade, essa... Essa puta imoral e promíscua que já deve ter dado pra todos os homens de Mishima e todas garotas da escola e abortado umas 50 vezes, e fica postando foto fazendo cara de ahegao no facebook pra farmar aquele monte de otaku virjão pra ser escravo! Fica longe de mim, sua merdalher attention whore do caralho!

Ok, agora falando sério... Eu deixei a rota da Amane por último porque um amigo meu disse que é a melhor rota e que também é perfeita como conclusão pra fechar todos os elementos da história que ainda ficaram em aberto depois de jogar as outras rotas, então eu decidi confiar nele. Dito isso... Bem, pelo menos a rota da Amane não perde tempo pra começar com romance, no fim das contas a Amane tava só brincando com o pedido do beijo, mas o Yuuji resolveu forçar um beijo pra cima dela pra mostrar que esse tipo de brincadeira pode ser perigoso. Então depois disso eles têm uma pequena conversa sobre esse beijo e o Yuuji diz que aceita ela como namorada, porém não vai ter como ser um bom namorado pra ela devido ao seu "trabalho misterioso" que vai tomar boa parte do tempo dele, e que se ele sumir de repente, é pra ela esquecer dele. A Amane aceita essas condições depois de confirmar que o Yuuji realmente a ama, e então eles começam a namorar a partir de agora, e só essa cena em particular já mostra que a Amane é bem mais tímida e ansiosa do que ela deixa parecer, pelo modo como ela fica sem jeito depois do Yuuji beijar ela, quando os dois concordam em namorar ela fica tão nervosa que não consegue ficar em pé e precisa sentar na cama dele, e então ele tem que carregar ela até o quarto dela.

Agora com o relacionamento amoroso oficialmente estabelecido, Yuuji e Amane então passam mais tempo juntos e ela continua sendo excepcionalmente bondosa com ele, também mostrando preocupação com a possibilidade de que ele pode simplesmente desaparecer alguma hora. O próprio Yuuji comenta que ela chega até a ser conveniente demais, só que ele acaba só atribuindo essa suspeita ao fato de que ele não tem uma boa auto-estima e acha estranho quando alguma outra pessoa acaba sendo gentil demais com alguém como ele. Acontece que a Amane também não é exatamente segura de si mesma, ela quer ser uma namorada "pefeita" pro Yuuji e tem medo de qualquer chance disso dar errado, até mesmo da possibilidade de que o Yuuji acabe traindo ela com outra e assim os seguidores dela no Facebook passem a chamá-la de cuck. Pra impedir isso, a solução que a Amane procurou foi fazer com que o Yuuji a coma de jeito, e eles transam... Várias vezes, essa deve ter sido a rota onde o pessoal da Front Wing acabou lembrando e falando "Ô porra a gente é desenvolvedor de jogo hentai!" e então enfiaram diversas cenas de sexo em diversos contextos, chega até a parecer um filme pornô, honestamente.

Eventualmente, Yuuji, Amane e as outras garotas vão a um daqueles festivais onde elas vestem yukatas e no meio da diversão toda ele acaba escutando umas garotas se referindo à Amane como uma "barata" e ficando curioso quanto ao motivo disso. Agora que a Amane tem mais confiança no Yuuji, ela acaba revelando quais são os verdadeiros motivos dela agir da maneira que ela age, e por que ela vem tratando exclusivamente o Yuuji dessa forma tão gentil desde o começo do jogo. Como você já deve prever, essa é a história do passado da Amane e o que levou ela a estudar em Mihama, mas não só isso, ela também era amiga da Kazuki, a irmã do Yuuji que nas outras rotas só foi mencionada em umas cenas aqui e ali. Finalmente eu vou saber quem diabos era essa garota e por que ela é tão importante assim!

Basicamente... A segunda metade da rota da Amane inteira é o Yuuji lendo o diário dela que conta a história de um incidente onde Amane, Kazuki e as garotas da sua sala voltavam de uma excursão, porém o ônibus acabou ficando desgovernado e caiu de um barranco direto pra uma floresta logo abaixo, duas pessoas morreram só com a queda e outra morreu poucos minutos depois, as garotas e o professor que tava junto não tinham meios de contatar as pessoas de fora da cidade, então precisavam encontrar um caminho pra fora enquanto tentam sobreviver de qualquer forma possível. Eu disse que a seção de flashback da Michiru é a minha segunda favorita do jogo porque essa aqui é a minha favorita definitivamente, é de longe a mais intensa e sombria do jogo todo, não vou dar spoilers grandes, porém... Eu tenho um problema com uma certa coisa sobre essa história, e esse problema se chama Kazami Kazuki. A Kazuki é basicamente uma Mary Sue, pra quem não sabe, Mary Sue é um termo usado pra descrever uma personagem "perfeita" ao ponto de parecer idealizada e sem nenhuma grande falha, e ela se encaixa exatamente nessa descrição: Tirava notas perfeitas na escola, todos amavam ela e a consideravam um gênio inigualável, ela também sabe o que fazer pra sobreviver nesse ambiente hostil da floresta e até consegue traçar uma rota de escapatória! O meu problema com a Kazuki é que, além dela ser esse tipo de personagem que eu não gosto muito, ela não avisa ninguém exceto a Amane sobre essa rota que ela descobre, e não parece ter nenhum motivo em particular pra isso, todo mundo acaba morrendo aos poucos por circunstâncias diferentes e ainda assim a Kazuki não ajuda nem a dar um pouco de esperança pra eles falando sobre isso da rota. A única justificativa aparente é que ela não tinha certeza se a rota toda daria num caminho pra fora até tudo ficar na pior, mas... Porra, pelo menos avisa que há uma possível rota pra fora da floresta, isso com certeza impediria muita coisa ruim que acabou acontecendo nessa parte do jogo!

De qualquer forma, a Amane acaba sendo a única sobrevivente e sente uma imensa culpa por isso, então quando ela soube que o Yuuji é o irmão da Kazuki, ela quis cuidar dele pra compensar o "pecado" que ela teve de sobreviver ao incidente que matou tantas pessoas, inclusive a Kazuki. Então ela nunca realmente se apaixonou pelo Yuuji à primeira vista como disse que o fez no começo, ela só viu no Yuuji a figura que poderia "puní-la" por ter sobrevivido a isso, ela queria compensar o fato de que a Kazuki não está aqui por causa dela e por isso se forçou pra cima do Yuuji esse tempo todo, só que transar com ele o tempo todo acabou a deixando feliz, e isso não era bom porque pra ela, ela não merecia ser feliz, então ela chega até a pedir ao Yuuji que a mate. Obviamente, ele se recusa a matar a Amane porque a esse ponto ele realmente a ama e quer fazer com que ela entenda que a única pessoa que precisa perdoá-la é ela mesma, e eventualmente os dois vão até o vale onde o incidente ocorreu pra procurar algum tipo de "tesouro" que a Kazuki deixou, eventualmente eles entram em conflito com um caçador que se revela como o pai de uma das garotas que morreram no incidente e o cara quer matar a Amane por ter "matado" a sua filha. É ali que, novamente, as coisas ficam convenientes demais e o "tesouro" da Kazuki era uma faca, porque aparentemente ela previu que essa exata situação ia acontecer e a Amane precisaria dessa faca... Vai chupar um cavalo, Kazuki! A culpa disso tudo é sua e você ainda vem com "ai ai ai ui ui ui olha como eu sou a Kazuki sou perfeita em tudo eu até prevejo coisas que vão acontecer anos depois com exatidão eu sou um gênio" mesmo depois de estar possivelmente morta! Mas que caralho, viu...

Bem, a escolha que leva ao final bom ou ruim é feita exatamente nesse momento da história, o final ruim não é nem um pouco agradável, enquanto o final bom é o mais conclusivo de todas essas rotas mesmo, sério, tem o maior time skip de todos, tudo é fechado apropriadamente e a história termina de forma tão pacífica que realmente eu fiz certo em deixar essa rota por último. Foi uma boa rota, a primeira metade não foi lá a coisa mais interessante do mundo pra mim porque eu tava ficando enjoado de tudo acabar virando desculpa pra transar depois de um tempo, mas a segunda metade e o final bom mais do que compensaram isso. Embora eu tenha lá meus problemas com a Kazuki e o modo como ela foi escrita na história, eu consigo ignorar isso sem muito esforço porque é tão boa assim essa parte da rota, minha segunda favorita depois da rota da Michiru.

A propósito, a minha garota favorita é a Yumiko, provavelmente tava óbvio antes de eu revelar, mas ok.

"Ai André mas você se incomoda com a Kazuki e não fala nada do Yuuji e de como ele sempre sabe exatamente o que fazer pra ajudar as garotas. É só porque ela é mulher e ele é homem, né? Seu machista misógino coxinha bolsominion de merda!"

É eu tava querendo deixar isso pra depois de discutir as rotas e as personagens principais dela, e já que você quer tanto assim que eu faça isso... Ok, vamos falar do Yuuji então.


Sim, o Yuuji meio que é um Gary Stu, que é basicamente a Mary Sue, só que homem. Yuuji é bom em combate corpo a corpo, táticas de combate militar e manuseio de armas, porque na verdade tem toda uma carreira militar vivida antes de estudar em Mihama, ele não parece se esforçar muito pra ajudar as garotas a resolverem seus problemas nas suas rotas, o que o torna um pouco conveniente demais e também faz com que o jogo tenha uma certa deficiência de momentos onde a garota e o protagonista acabam tendo algum tipo de conflito um com o outro. Apesar dele ter uma certa dificuldade em entender exatamente o problema em casos como a Michiru e a Amane, assim que ele acaba entendendo, ele faz exatamente as coisas necessárias que tornam a resolução do problema possível... Umas até meio extremas demais, como na rota da Sachi, que inclusive eu já disse que não precisava ter feito aquilo e ele podia simplesmente ter mostrado aquela sala lá pra ela assim que descobrisse qual o problema.

Esse tipo de protagonista não é meu favorito, na verdade eu até odeio protagonistas assim porque eles costumam eliminar qualquer potencial tensão que um conflito grande na história geraria. E eu não sou o único, se você pegar um monte de pessoas que odeiam Sword Art Online e perguntar pra elas por que esse anime é uma merda, com certeza uma das primeiras coisas que elas vão mencionar é o protagonista, Kirito, que é basicamente um deus dentro dessa história toda. Claro que o Kirito não é o único problema com Sword Art Online, mas vamos deixar isso pra discutir outro dia. Dito isso, o Yuuji com certeza não é um Kirito da vida, primeiro porque apesar da Garystuzice, ele ainda é um personagem que em diversos momentos demonstra insegurança, o senso de humor dele também o ajuda a ser ao menos divertido de acompanhar, e mais importante: A história não fica repetidamente me falando sobre o quão incrível o Yuuji é caso eu não tenha percebido. Agora a Kazuki até em outras rotas pareceu ser essa pessoa que tá simplesmente em outro nível comparado com o resto da humanidade, e em comparação com o Yuuji ela é extremamente monótona, ela não tem o senso de humor e nem as ideias malucas que o Yuuji acaba tendo, então ela é só uma Mary Sue rasa mesmo.

Então eu admito sim que o Yuuji é um Gary Stu, porém ele é um dos poucos casos aceitáveis disso pra mim e o desenvolvimento pelo qual ele passa nas rotas é bem decente, mas se você por acaso odeia ele por esse aspecto, eu realmente não tenho o que defender. O background dele não é totalmente explorado porque os outros dois jogos da série, Grisaia no Meikyuu e Grisai no Rakuen, fazem isso, mas se você só tiver jogado esse aqui... É, o Yuuji não é totalmente explorado, então ele acaba sendo talvez um personagem raso comparado com as outras garotas.

Mas o meu maior problema com Grisaia no Kajitsu não é o Yuuji, nem mesmo a rota da Makina que é uma bosta ou as falhas de roteiro em certos momentos da história... Meu maior problema com esse jogo é o seu worldbuilding. Pra quem não sabe o que é isso, se trata de como o mundo onde a trama se passa é construído, de modo que as coisas funcionem sem a presença ou influência do protagonista, e Grisaia no Kajitsu tem um worldbuilding bem ruim pra se dizer o mínimo.

Nesse mesmo mundo, você tem duas personagens que pertencem a famílias poderosas que acabam chegando a situações onde elas exigem que essas personagens voltem pra elas e uma garota que vem sendo stalkeada por um pai maluco que tá afim de matá-la... Mas nada disso acontece fora das rotas específicas dessas garotas, por algum motivo o Michiaki não vai atrás da Yumiko a menos que você entre na rota da Yumiko, caso contrário a história progride normalmente e inclusive ela tá lá de boas na dela sem ninguém incomodar, o mesmo vale pra Makina e pra Amane que nunca é caçada pelo pai da garota lá a não ser que seja na rota específica dela. Por que? Esses personagens antagonistas simplesmente desistem dos seus objetivos? Elas conseguiram lidar com esses problemas sozinhas em offscreen? Não faz sentido, não tem como todos esses elementos se encaixarem em uma narrativa consistente porque eles dependem do Yuuji ser parte da história pra acontecerem e serem resolvidos, esse aspecto do jogo é de longe o mais mal escrito e planejado também, tanto que as sequências ditam que canonicamente o Yuuji ajudou todas elas, mas sem ter romance com nenhuma, que é o que acontece de forma rushada no anime e ainda assim é meio absurdo que tudo isso tenha acontecido em apenas alguns meses, no mínimo um ano, que é o tempo em que a maioria das rotas se passam.

Sim, é comum em Visual Novels que envolvem romance você acabar escolhendo uma garota enquanto as outras continuam com seus problemas, Katawa Shoujo mesmo é um exemplo disso... Mas Katawa Shoujo não envolve tramas políticas de fora da escola relacionadas a nenhuma das garotas de lá, as histórias são escritas de modo que dê pra acreditar que elas eventualmente vão superar seus problemas mesmo sem o Hisao poder ajudar todas. Agora, não sei você, mas eu não consigo acreditar que a Makina sem treinamento e nem nada conseguiu impedir que a sua mãe a sequestre pra forçá-la a ser a herdeira da família enquanto o Yuuji tava lá arrombando a pata de camelo da Amane pela 20ª vez na semana.

Grisaia no Kajitsu simplesmente não funciona como uma história que engloba todas as suas rotas, mas isso não tira o mérito das rotas como histórias separadas, que excetuando a da Makina, são todas bem sólidas e com boas mensagens a serem transmitidas. A ideia de pegar garotas com personalidades genéricas de anime e explorar um lado mais sombrio disso, mostrando o que poderia levar uma garota a adotar alguma dessas personalidades é com certeza interessante e ajuda Grisaia no Kajitsu a se distinguir de outras obras que envolvem o protagonista indo parar nesses haréns da vida. Eu diria que o prólogo pode até ser lido com outra perspectiva depois de terminar todas as rotas, você vê os vários momentos de comédia causados pelas atitudes das garotas e agora sabe os motivos delas agirem assim, é bem mais satisfatório olhar pra isso em retrospecto. A mensagem principal do jogo é que você pode encontrar maneiras efetivas de lidar com algum trauma temporariamente, as garotas encontraram as suas maneiras de fazer isso através das suas personalidades "falsas" que as ajudaram momentaneamente, mas isso só funciona por um tempo. Enquanto você não realmente encarar esse trauma e superá-lo, você vai continuar a ser assombrado por ele talvez pelo resto da sua vida, e por mais que seja difícil, muito difícil em alguns casos, infelizmente não há outro jeito de lidar com isso.

Agora, sobre o resto das coisas que não são a história... Grisaia no Kajitsu é um jogo bonito até. Os sprites das personagens são bem variados e expressivos, elas têm um design agradável, em especial os uniformes delas que são bonitos, apesar que o Yuuji tem um visual bem típico de protagonista de anime, os backgrounds possuem um nível bem respeitável de detalhamento, as CGs são bem feitas...

Uhhh... Yuuji? Que diabos de pose é essa?
... Ok, nem todas são. Mas a maioria delas são boas sim, se eu tenho algo a reclamar desse jogo quando se trata dos visuais é que não tem CGs bem desenhadas assim o suficiente, mas tem um monte que mostram os personagens em um estilo de arte chibi enquanto fazem coisas engraçadinhas. Grande parte dessas CGs são do prólogo, e elas são ok, mas... Eu queria mais CGs pra momentos que precisavam ter CGs, como a parte onde o Yuuji abraça a Michiru depois do gato morrer, isso não é mostrado em nenhuma CG e é uma pena, porque teria sido muito mais impactante se tivesse.

A trilha sonora é boa o suficiente, apesar de não ser exatamente variada, as músicas são bem memoráveis e se encaixam bem nas cenas em que elas tocam. Além da música da opening e dos créditos das rotas, de músicas in-game tem a Dreadlock e a Waratte Itakute que são as minhas duas favoritas e as únicas que eu consegui encontrar no Youtube com qualidade decente, por algum motivo. As músicas só sofrem um pouco pela falta de variedade de instrumentos mesmo, a grande maioria são músicas de piano ou acústicas, vez ou outra tem um violino, inclusive as músicas mais diferentes costumam ser minhas favoritas também, não tenho como linkar elas, mas a Rock You, a Toy Box e a Jumbo Parfait que são mais agitadas também são legais.

A dublagem é excelente, as vozes das personagens principais combinam perfeitamente com elas e as dubladoras fazem um ótimo trabalho em capturar bem as personalidades de cada uma, os secundários também não fazem feio. Eu só tenho uma pequena reclamação, que seria o fato de que o Yuuji não tem dublagem... É, eu sei que Visual Novels escolhem não dar vozes pro protagonista pra permitir que o jogador faça self-insert, mas isso sempre foi estranho pra mim. A solução pra isso devia ser simples, afinal de contas, se você não quer que o protagonista tenha voz pra poder fingir que é ele ou alguma coisa do tipo, vai pro menu de opções e desativa a voz dele, oras! Como eu não ligo pra isso, não consigo deixar de estranhar quando o Yuuji não "fala" nada e as personagens reagem, mas dá pra se acostumar com isso, não é nada grave demais.


É basicamente isso, Grisaia no Kajitsu é sem dúvidas uma Visual Novel ambiciosa, que tenta incorporar diversos gêneros de ficção diferentes: Romance, ação, comédia, política, horror, drama psicológico, entre outros. O jogo acerta em vários pontos, mas em outros dá a impressão de que os caras morderam um pouco mais do que dão conta de mastigar, especialmente se tratando do mundo que deveria ligar todas essas histórias diferentes que as rotas contam. Apesar de nem sempre acertar em cheio e até mesmo ter algumas falhas no roteiro, a maioria das rotas ainda se conseguem se sobressair e serem boas nos seus próprios méritos, o desenvolvimento dos personagens é bem feito e o que não falta são cenas que com certeza eu vou me lembrar mesmo anos depois de ter jogado isso aqui.

Não joguei nenhuma das sequências, porém assisti os animes baseados nelas que aparentemente são bem mais aceitos do que o anime desse jogo aqui, e são complementos decentes... Ainda que também prejudiquem a credibilidade do mundo no qual a série se passa, mas acho que a esse ponto não dá pra fazer muita coisa a respeito. Ainda assim, eu meio que consigo entender por que Grisaia no Kajitsu ficou tão popular na comunidade de Visual Novels, além das personagens serem extremamente gostáveis por si só, também tem material suficiente pra atrair fãs dos vários gêneros que o jogo incorpora e muitos até não vão se importar com as falhas que eu citei. Mas foda-se, eu me importo, porque eu sou o cara que tem que se importar com defeitos pra poder escrever uma review justa desse negócio, perdoe-me se você não tem a capacidade intelectual para fazê-lo e só quer saber de diversão barata, amigo.

Tem uma coisa, no entanto... Eu ainda não sei o que diabos o título do jogo significa ou qual é a relação do título com a história. Quer dizer, eu entendi que as personagens são como frutas que caíram de uma árvore que representa o resto do mundo ou algo assim, mas não sei por que cada personagem é representada por uma fruta diferente e o que essa fruta tem a ver com a personagem, mas tanto faz. Talvez Grisaia no Kajitsu também seja uma obra profunda demais pra mim só por causa desse título, e quando eu finalmente descobrir a verdade por trás desse nome, tudo vai fazer sentido e essa review vai estar inválida pra sempre porque agora essa é sem dúvidas uma obra perfeita! Até esse dia chegar... Grisaia no Kajitsu é um bom jogo, e é isso.

Prós:
+ As personagens principais são muito carismáticas.
+ As rotas apresentam histórias bem desenvolvidas com narrativa competente.
+ Quando as cenas de comédia são boas, elas são realmente boas.
+ O Yuuji é um Gary Stu aceitável, o que é raro.
+ Arte bonita na maior parte do tempo.
+ Trilha sonora agradável.
+ Ótima dublagem.

Contras:
- A rota da Makina é uma merda.
- Worldbuilding terrível.
- Algumas falhas de roteiro presentes nas outras rotas.
- Prólogo mais longo do que precisava ter sido.

Veredicto:

Sonic Forces

By : Ryu

Ok, seus malditos... Vocês querem review de Sonic Forces, né? Tá aqui a review de Sonic Forces então, e espero que não me encham mais o saco com isso porque eu não tenho a menor vontade de jogar essa porcaria de novo agora que terminei ele apropriadamente! Sonic Forces é o pior jogo do Sonic que existe, é pior que Sonic '06, Sonic Boom, Shadow the Hedgehog, Sonic Lost World e Sonic 4: Episode I juntos! Jogar Sonic Forces é pior do que ver o seu pai morrer de AIDS na sua frente enquanto o seu cachorro é arrombado e dissecado vivo pelo Trevor Philips no mesmo quarto e as caixas de som tão tocando músicas do Blood on the Dance Floor no volume máximo! Esse jogo é a prova de que Sonic não funciona e nunca funcionará em 3D, ou melhor, é a prova de que Sonic nunca foi bom! Sonic devia acabar logo, parem de estragar ainda mais essa franquiaaaa!

Bem, agora que eu já falei o que muita gente queria ter lido, vamos falar então de Sonic Forces. Oh, Sonic Forces... Por que você me deixou tão desapontado, porém nem um pouco surpreso? Esse podia ser o ano em que o Sonic ganharia dois jogos principais bons, um 2D e um 3D, mas nããããão... É claro que isso não pode acontecer, não enquanto a Sonic Team estiver a cargo dos jogos 3D, porque lá a palavra "esforço" foi banida do dicionário e o lema da equipe é "Decepção em primeiro lugar" desde 2005. E antes que você venha me falar sobre jogos como Sonic Unleashed, Colors e Generations serem bons ou pelo menos acima da média... Sim, eles são, mas a Sonic Team que fez esses jogos já não existe mais, a grande maioria desse pessoal saiu da Sonic Team de 2008 pra cá. Então sim, aquela coisa de "DOS MESMOS CRIADORES DE SONIC COLORS E GENERATIONS" que tava no primeiro trailer de Sonic Forces era mentira, até já compararam os créditos desse jogo com os do Colors e do Generations e existem pouquíssimos nomes em comum.

O marketing de Sonic Forces no geral foi cheio de mentiras e propagandas enganosas, acho que no fundo a Sonic Team sabia do quão medíocre esse jogo tava e queria pelo menos marketar ele de modo que parecesse maior do que realmente é. Fizeram aquele trailer muito maneiro mostrando os "vilões que retornam" do lado do Eggman: Shadow, Chaos, Metal Sonic e Zavok. Falaram aí sobre como o Shadow tá lutando do lado do Eggman por "motivos pessoais" e que a gente só vai saber o que exatamente aconteceu quando o jogo sair, hyparam o Infinite como se fosse esse novo grande vilão misterioso que a gente devia adivinhar quem é, e que a identidade dele vai ser revelada aos poucos... Nada disso é verdade! Nada! Essa não é a primeira vez que a Sonic Team é desonesta com quem vai comprar os jogos, a propósito. Lembra de quando os trailers do jogo do Shadow diziam "HERÓI OU VILÃO? VOCÊ DECIDE!" e na verdade você não decide porra nenhuma porque a Last Story onde o Shadow é o herói e salva o mundo é a única coisa canon daquele jogo? Pois é, a Sonic Team não aprendeu nada de 2005 pra cá, aparentemente.

E não, eu não era uma dessas pessoas que já se colocaram contra Sonic Forces desde o primeiro trailer lá, quando o jogo ainda se chamava "Project Sonic 2017" e ninguém sabia o que exatamente era. Muito pelo contrário, eu fiquei cuidadosamente otimista! Eu caí na pegadinha de ser dos mesmos criadores do Colors e do Generations e pensei que o design raso das fases das demos era só por serem as primeiras fases do jogo, fiquei relativamente interessado na história pela premissa mostrar o Dr. Eggman dominando o mundo, um vilão novo que parecia interessante, os outros personagens fazendo coisas ao invés de serem figurantes inúteis, e finalmente o Shadow ia agir como um anti-herói de verdade e não um carinha do bem genérico que faz pose de badass igual nos jogos depois do Heroes.

A história também parecia que ia ser pelo menos não tão horrível assim porque não foi escrita pelo Ken Pontac e o Warren Graff, só traduzida por eles... Pois é, mas ainda tinha o elefante na sala: Esse jogo é produzido pelo Shun Nakamura, assim como a história também foi escrita por ele. Caso vocês não saibam, Shun Nakamura foi o diretor de Sonic '06, e eu nem sei como diabos confiaram nele de novo após de ter dirigido aquela atrocidade... Mas tinha a desculpa de que Sonic '06 teve desenvolvimento apressado, a equipe foi dividida, bla bla bla. Então ok, eu dei uma chance pra ele provar que não é tão incompetente assim com o Forces, e adivinhem só: Não deu certo! Talvez esse cara só seja incompetente mesmo, aliás... Talvez a Sonic Team em si seja só incompetente, já vão fazer 7 anos desde que o último jogo 3D bom do Sonic saiu. Meh, então tá... Chega de enrolar, vamos começar logo a review e explicar por que Sonic Forces é mais decepcionante do que receber uma notificação de mensagem direta no Discord, e quando você abre é só um "@everyone" em um grupo qualquer.

A ficção distópica menos distópica que eu já vi


O jogo abre com o Dr. Eggman resmungando sobre como ele odeia o Sonic e dessa vez criou um instrumento de destruição perfeito pra acabar com ele, e então o cientista ataca o que eu creio que seja a cidade central...? Sei lá, mas com certeza é uma cidade. Nisso, o Tails chama o Sonic pra ajudar a repelir o ataque e o nosso herói não perde tempo, mas chegando lá ele se depara com a nova invenção do Eggman, um personagem misterioso mascarado chamado Infinite, junto com Shadow, Metal Sonic, Chaos e Zavok. Sonic luta contra essa galera enquanto o Tails fica lá olhando e não fazendo nada... Porque é exatamente assim que ele age desde o começo da série, não sei do que vocês estão falando com esse negócio de "desenvolvimento de personagem" que ele teve em jogos passados, ou dele ter dado conta até de lutar sozinho contra o Eggman no Adventure 2. Não, nada disso aconteceu!

Bem, pra surpresa de ninguém, o Sonic apanha igual um boneco de malhação de Judas e acaba sendo derrotado. Com o seu maior inimigo fora do caminho, aparentemente o Dr. Eggman em alguns meses conseguiu expandir seu império e dominar o mundo inteiro... Ou melhor: 99% do mundo, porque o Knuckles formou uma resistência junto com Silver, que tá no presente sem nenhuma explicação, Amy, os Chaotix e mais um monte de furries. Sim, Sonic Forces é o primeiro jogo do Sonic a mostrar que existem outros furries além do Sonic e os amigos dele! E... Não é tão empolgante quanto parece, acredite. Eu poderia reclamar e perguntar onde diabos estão os humanos, pois eles foram estabelecidos antes no universo da série, mas... Alguém ainda liga pra consistência em universo de Sonic a esse ponto? Eu não ligo mais, foda-se. Nem o Takashi Iizuka sabe mais o que diabos é esse universo, caras!

Enfim... Knuckles e o pessoal da Resistência agora têm um novo recruta, que é o personagem que você mesmo cria no jogo e é chamado por apelidos como "Rookie" ou "Buddy", porém eu vou chamá-lo de Original the Character. Original the Character é um sobrevivente do ataque do Eggman e do Infinite à cidade, e é basicamente isso que a gente vai ter de backstory pra ele aqui, mas agora ele tá pronto pra lutar ao lado da Resistência usando armas fabricadas com Wisps chamadas de Wispons. Existe alguma explicação pra como essas armas foram criadas? É claro que não, é só mais um jeito da Sonic Team forçar Wisps em jogos que não se chamam Sonic Colors, porque a Sonic Team acha que se a gente gostou de uma coisa em um jogo específico, significa que essa coisa agora deve ser enfiada de qualquer jeito em todos os jogos futuros possíveis.

O Sonic aparentemente tá morto, a Resistência não tá conseguindo muito progresso na sua luta contra o império do Eggman, e o Tails "perdeu a cabeça" de acordo com o Silver, mas agora que o Original the Character tá aí, eles têm alguma esperança de virar o jogo. Enquanto isso, o Tails é atacado pelo Chaos, mas ele não faz porra nenhuma além de ficar encolhido pedindo ajuda pro Sonic, e direto de um portal que surgiu em um jogo muito melhor vem o Sonic Clássico, que acaba com o Chaos dando um pulo na cabeça dele e mais nada. Então... Ok, o Sonic Clássico e o Tails agora são uma equipe e tão agindo pra chegar ao fundo dessa história toda enquanto o Original the Character ajuda a Resistência a lutar contra o Eggman, até que eles descobrem que na verdade o Sonic tá vivo e só foi mantido preso e torturado por todos esses meses. Não, eu não tô inventando isso, eles dizem mesmo que ele foi torturado, o que é hilário porque o Sonic não parece nem um pouco afetado por essa tortura quando a gente vê ele de novo, ele continua sendo o mesmo comediante rejeitado de programa de humor da Globo que ele tem sido desde o Colors.

Não que eu queira que o Sonic vire algum tipo de soldado atormentado com PTSD, mas... Se esse negócio de tortura não adiciona nada na história, então por que caralhos essa menção tá aí? É só pra fazer a história parecer mais séria e sombria? Isso só cria uma dissonância de tom quando é feito dessa forma, seus idiotas incompetentes com merda na cabeça ao invés de cérebro, aprendam a escrever um roteiro consistente antes de enfiar ele em algum jogo! Argh... Tá, eles salvam o Sonic e aí a história "começa" de verdade, eu suponho.

Eu não sei... Eu realmente não sei como a Sonic Team consegue ser tão consistente em pegar conceitos ótimos pra uma história e executar eles da forma mais sem graça e decepcionante que eles puderem. O Eggman dominou o mundo, mas não parece, porque isso não afeta a história em nada além de trazer uns cenários de fundo pós-apocalípticos pros personagens passarem correndo, não existe nenhum senso de perigo, urgência ou ameaça nessa história. Nem mesmo a suposta "morte" do Sonic importa porque logo na segunda fase já aparece a notícia de que ele tá vivo! O Eggman não faz nada 90% do tempo, o Infinite por algum motivo não mata o Sonic e nem faz nada depois de derrotar ele pela segunda vez, ele só aparece pra falar umas frases clichê de vilão de anime Shounen e parecer intimidador até você derrotar ele em uma luta de boss.

Aliás, a backstory do Infinite que é contada no DLC do Shadow é uma das coisas mais hilárias e estúpidas que eu já vi numa história de um jogo. A identidade dele nunca é realmente revelada dentro do próprio jogo, mas ele era um chacal mercenário que acreditava que era fodão e tal, aí um certo dia ele é contratado pelo Eggman pra repelir a invasão do Shadow em uma das suas bases. Infinite apanha pro Shadow, que diz que ele é fraco, e depois ele dá um faniquito falando "NÃO SOU FRACO UAAAAAAAA" e assim ele deixou o Eggman fazer experimentos com ele usando a Phantom Ruby como fonte de energia ou algo assim. Aliás... Sim, a Phantom Ruby é parte da história desse jogo, e o poder dela é criar ilusões que aparentemente causam danos reais no corpo, mesmo não sendo reais, o que não faz sentido nenhum, mas foda-se, e também existem outras cópias da Phantom Ruby que o Eggman criou baseadas na original. De onde diabos a Phantom Ruby veio? Como ela foi criada? Por que ela tem esse poder? Sei lá, é mágica! Eu sou roteirista da Sonic Team, não tenho que explicar merda nenhuma! Cria sua teoria aí pra isso e comece a defender a minha história como se a sua teoria fosse canônica, seu otário!

Sabe o Sonic Clássico? Pois é, ele não contribui com nada nessa história também, o que torna a ligação desse jogo com Sonic Mania inútil, claramente forçaram o Sonic Clássico nesse jogo numa tentativa desesperada e patética de fazer os fãs dele como eu comprarem isso e de alguma forma gostarem. Sabe os vilões que retornam? Pois é, todos eles são apenas cópias, ilusões criadas pela Phantom Ruby, dois deles são derrotados em cutscenes, nem pra ter lutas de boss contra todos eles... E sim, o Shadow no fim das contas era um mocinho esse tempo todo, porque é claro que a Sonic Team ia fazer isso, eles não são capazes de fazer nada que não seja um pedaço de mediocridade decepcionante.

Pelo menos alguns personagens como o Knuckles e o Silver até que ficaram ok nesse jogo, é bom ver o Knuckles não sendo um imbecil comic relief pra variar, e o Silver pela primeira vez em toda a sua carreira dentro dessa franquia não é burro e nem irritante. Ainda assim, isso não justifica o que fizeram com o Tails, que é o que o pessoal mais anda reclamando. No entanto, o que as pessoas não entendem é que Sonic Forces não é o primeiro jogo a estragar a caracterização do Tails, eles já têm feito isso há anos, desde 2005 o Tails não é nada além de um figurante mais ou menos útil pras histórias, e eu tô usando o termo "útil" aqui de forma bem liberal.

Mas o Sonic me ofende mais, porque ele é extremamente irritante nessa história, quando não tá fazendo alguma piadinha sem graça, ele faz uns discursos de "poder da amizade" pelo laço dele com o Original the Character que parecem ter saído direto de um episódio de Naruto. Nem o Sonic do Heroes que fica falando "YEAAAH THE REAL SUPERPOWER OF TEAMWORK" e essas coisas é tão ridículo quanto esse aqui, especialmente porque o Heroes não é um jogo com uma história tão séria (ou que tenta ser séria) quanto o Forces, então pelo menos lá essa breguice ainda se encaixa melhor. A melhor cena do Sonic nesse jogo é a do primeiro trailer onde ele aparece puto e vai correndo na direção dos Death Egg Robots gigantes, e essa cena nem ao menos tá no jogo! Aliás, eu posso dizer que aquele trailer é uma propaganda enganosa também? Porque ele implica que o personagem em questão vai ser mais sério e que o Sonic Clássico vai ser importante de alguma forma, e nenhum dos dois realmente acontece no jogo.

Meh, que se foda. Eles nem tentaram com essa história, além das coisas que eu já citei ela também é cheia de furos que outras pessoas já apontaram antes e eu não tô interessado o suficiente pra falar quais são aqui, se a Sonic Team não se esforçou com a história desse jogo, então eu é que não vou me esforçar pra falar dela em detalhes. Ainda assim eu já vi umas reviews dizendo que "história boa" é um dos pontos positivos desse jogo... Onde que essa história é boa? Qual é essa versão de Sonic Forces com história boa que vocês jogaram, pessoal? Poderiam me emprestar pra eu ver como é essa história boa? O que eu joguei tem uma história que parece que foi escrita por um garoto de 8 anos que é fã de Sonic e não tem muita noção de como escrever roteiro. Talvez eu tenha pego a versão errada mesmo, ou esses caras foram premiados pela Sega com algum tipo de Sonic Forces: Good Writing Edition e fizeram review dele.

Bonito, mas pouco variado


Sonic Forces foi desenvolvido usando a Hedgehog Engine 2 que, assim como o nome sugere, seria uma versão melhorada da Hedgehog Engine que eles têm usado desde Sonic Unleashed, essa aqui é a versão nova pra geração atual. Os resultados são... Decentes, eu acho. Os modelos dos personagens são levement e mais detalhados que os que a gente viu na primeira Hedgehog Engine, o que... É aceitável, eu diria. No entanto, eu devo dizer também que tô meio decepcionado, porque sendo essa uma nova geração, eu esperava que os gráficos desse jogo fossem no mesmo nível que o do primeiro trailer lá, que por sinal já não era tão bonito quando os gráficos das CGs que a Marza Animation fez pra jogos como Shadow the Hedgehog, Sonic '06 e Sonic Unleashed, por exemplo.

Por outro lado, o modelo do Original the Character, e por consequência os dos outros personagens furries que foram claramente criados com o editor de personagens desse jogo, não é nem um pouco impressionante. Todos os personagens customizados nesse jogo têm exatamente o mesmo corpo, só muda a cabeça, não importa nem de qual espécie ele ou ela seja, tá tão na cara que eles só criaram uns modelos aleatórios nesse editor e colocaram lá que em algumas cutscenes têm personagens figurantes exatamente idênticos uns aos outros! Qual é, Sonic Team? Pelo menos tentem fingir que vocês não tão cagando e andando pra esse jogo ou pra qualidade dele, isso é ridículo...

As animações não fazem feio, mas também não são coisa de outro mundo, nem extremamente fluídas e nem nada do tipo, no máximo as expressões faciais do Original the Characters em algumas partes são meio engraçadas não-intencionalmente, mas tanto faz. Apesar que eu vou cumprimentar Sonic Forces por ter cutscenes com mais ação comparado com as cenas monótonas de Sonic Colors, Generations e Lost World que em grande parte eram só os personagens parados falando e gesticulando enquanto nada acontece. Tem umas sequências onde os personagens lutam, o Silver chega a enfrentar o Infinite, tem a cena lá do Sonic levando um sacode do Infinite e as ilusões dele, as cenas das QTEs (sim, esse jogo tem QTEs) também são legais... Não é nada incrível, mas já é bem mais empolgante de assistir do que o Sonic falando sozinho pra uma nave que não vai responder ou fazendo piada de peido/arroto. Se isso for levar a cutscenes mais interessantes com cenas de ação melhores em jogos futuros, então vocês têm meu total apoio, façam mais disso!


Em questão de cenários, Sonic Forces é um pacote misturado. Algumas vezes o cenário parece muito bonito e proporciona umas vistas belíssimas, como a da imagem acima, mas outras fases visualmente são meio... Eh, monótonas, pra ser honesto. Mas eu sei exatamente por que: Sonic Forces têm exatamente 30 fases, porém todas essas 30 são variações dos 7 cenários que o jogo tem no total, e adivinha só: A Green Hill e a Chemical Plant tão aí, é claro! Porém, pelo menos esse jogo dá uma variada de leve nessas fases recicladas de modo parecido com Sonic Mania, a Green Hill tá meio que misturada com deserto e a Chemical Plant nem parece a Chemical Plant algumas vezes, então menos mal. Só que mesmo assim, são poucos cenários e mesmo as fases separadas baseadas neles não fazem muito pra se destacar que nem Sonic Adventure 2 quando reusava cenários e conseguia dar uma atmosfera diferente pra cada fase.

Pessoal, existe um motivo pras fases dos jogos clássicos durarem 2 Acts, 3 no máximo: Depois de passar tempo demais olhando pra esse cenário, você inevitavelmente vai se cansar dele. Sem falar que alguns cenários aqui nem são tão bonitos assim de qualquer forma, enquanto tem umas fases bonitas como a Death Egg, a Chemical Plant e a cidade destruída que aí se chama apenas "City", porque o pessoal da Sonic Team é muito criativo, outras como a Metropolis (não é a de Sonic 2 reciclada, é uma fase original desse jogo com o mesmo nome) e a Mystic Jungle são tediosas. A Metropolis é só uma cidade futurista genérica com a cor branca espalhada pra todo lado, deve ter sido o Ku Klux Klan que projetou essa cidade depois de ter se juntado ao Eggman, em matéria de fase de cidade futurista, a Grand Metropolis do Heroes é muito mais bonita, óbvio que com texturas piores, mas a direção de arte é melhor e mais variada. Agora a Mystic Jungle deve ser a fase mais feia desse jogo, é uma fase de cassino que se passa numa floresta, e deve ser a fase de cassino mais sem vida que eu já vi em um jogo do Sonic até hoje, até os backgrounds dessa fase são preguiçosos, eles pegam o mesmo castelo colorido lá no fundo e repetem ele várias vezes.

Bem, no geral, Sonic Forces não é um jogo feio, mas com certeza sofre pela falta de variedade nos cenários. Ainda assim, os gráficos são satisfatórios pra o que seria o primeiro jogo do Sonic da oitava geração, a Hedgehog Engine 2 mostra potencial pra realmente brilhar quando polirem ela ao ponto de poder apresentar visuais realmente deslumbrantes em um jogo 3D futuro do Sonic. Mas isso é coisa pra outro jogo, o que tem aqui graficamente é bom, mas não costuma ir muito além disso.

Da equipe que viu uns gameplays de Sonic Colors e Generations


Bem, diz o trailer que Sonic Forces foi criado pela mesma equipe que fez Sonic Colors e Generations. Pra ser justo, esse jogo bem que tenta ser como aqueles dois, tenta até demais... Mas ao mesmo tempo, esse jogo não consegue entender por que as pessoas gostaram dos outros dois em que ele se inspira tanto e no fim das contas acaba caindo de cara no chão enquanto tenta trilhar o mesmo caminho. O gameplay aqui é dividido em três: O Sonic Moderno, o Original the Character e o Sonic Clássico.

Não se engane: Sonic Forces não tem exatamente o mesmo gameplay que o do Generations igual muita gente leiga que não sabe porra nenhuma do que tá falando diz. Me escute, porque eu sou a única pessoa que importa quando se trata de opiniões de Sonic em toda a internet brasileira, Sonic Forces tá mais pra uma versão modificada de Sonic Lost World pra ficar parecido com o Generations do que uma conversão real do gameplay do Generations propriamente dita. Eles pegaram o gameplay do Lost World, que já era ruim por si só, então tiraram o botão de correr e trocaram o Spin Dash de lá pelo Boost, o que honestamente não faz tanta diferença assim porque o "Spin Dash" do Lost World já era um Boost carregável fingindo que era Spin Dash.

Dá pra perceber a "Lost Worldzice" desse gameplay quando você bota o Sonic pra correr naturalmente, pois ao invés dele ir ganhando impulso na medida em que corre até chegar na sua aceleração máxima, ele simplesmente vai de 0 pra 1000 de um segundo pro outro como se tivesse passado de marcha... Ou como se você tivesse segurado um botão de correr! Só que eles deram uma ajustada na velocidade também, porque o Lost World já era lento normalmente e o Sonic ainda por cima perde impulso com qualquer viradinha que você dava, no Forces não, ele é mais rápido e não perde tanto impulso assim com as viradas... Porque ele continua indo reto independente de você virar demais ou não. Honestamente, esses controles não são bons e parece até que a própria Sonic Team sabia disso, porque quase sempre os caminhos por onde o Sonic corre nas fases têm um script que mantém ele correndo no meio da pista, ele até vira curvas automaticamente porque também tiraram o Drift do Generations, ou nesse caso nunca existiu um Drift, já que se trata do gameplay do Lost World modificado. E olha que até esses scripts ainda falham algumas vezes, já morri aleatoriamente caindo pra fora da pista em seções onde o Sonic deveria virar automaticamente seguindo o script, mas por algum motivo ele passou direto e morreu.

O pulo nesse jogo também é exatamente igual ao do Lost World no sentido de ser pesado e você contar com o pulo duplo pra fazer qualquer coisa, a menos que você esteja usando o Boost, o pulo do Sonic nunca vai ser proporcional à velocidade que ele tinha enquanto corria, e isso atrapalha tanto a calcular os pulos nas seções de platforming quanto atrapalhava no Lost World. Mas talvez seja até pior aqui, porque essa aceleração nem um pouco natural do Sonic a princípio já me fez cair em buracos nas seções 2D porque eu apenas queria dar uma corrida pra pular pra uma próxima plataforma, mas o Sonic simplesmente decidiu começar a correr rápido e me atrapalhou todo.

Depois que eu me acostumei com esse negócio, Sonic Forces ficou até jogável e tal, mas esses controles ainda são ruins, especialmente comparados com os dos outros jogos 3D com Boost. Apesar disso, eu vou ser obrigado a admitir que eu meio que gostei de certas propriedades dessa versão do Boost, o modo como ele estende o salto do Sonic quando usado no ar como se ele voasse por um curto período de tempo é uma boa ideia, o mais perto que eu cheguei de me divertir jogando Sonic Forces foi fazendo speedruns em algumas fases usando esse Boost aéreo voador, é uma pena que raramente o level design tira vantagem dessa habilidade e te permite usá-la de formas inteligentes enquanto pensa fora da caixa.

O Original the Character tem uma customização extremamente limitada pra aparência do corpo dele, mas você pode escolher se quer que ele seja ouriço, lobo, cachorro, gato, urso, pássaro ou coelho, cada um com certos benefícios de gameplay. Mas pra ser honesto, a maioria desses benefícios são triviais, exceto o do lobo que atrai anéis igual a um ímã ou o pássaro que pode usar pulo duplo, e no meu caso, meu Original the Character foi um pássaro, pois nem me deixaram criar o Rock the Strong Echidna... Malditos! De qualquer forma, você começa não tendo tantas opções assim de roupas pro seu Original the Character, mas na medida em que progride no jogo, vai abrindo um monte de coisa pra poder colocar nele... E quando eu digo um monte, é um monte mesmo, a customização de roupas desse jogo é imensa, quem me dera se dessem tanta liberdade assim pra modelar o corpo do personagem também. Infelizmente, essas roupas não fazem nada no gameplay, são apenas mudanças cosméticas no personagem, o que não é exatamente uma coisa ruim, mas foi uma oportunidade perdida pra fazer peças de roupa únicas que dão habilidades extras.

Agora, o gameplay do Original the Character é um pouco mais interessante que o do Sonic Moderno... Só um pouco, quase nada. É parecido e tem exatamente os mesmos controles com os mesmos problemas, porém ele não é tão rápido quanto e nem tem Boost ou Homing Attack, mas tem uma corda com gancho que ele pode usar pra dar um "Homing Attack" mais lento e piorado nos inimigos, assim como pode balançar em certos pontos do cenário. Ele também pode usar as Wispons, começando com a Burst que é um lança-chamas e tem uma habilidade especial de dar um monte de saltos explodindo no ar, o Lightning que é um chicote elétrico e tem a habilidade especial de seguir trilhas de anéis igual ao Lightspeed Dash, o Cube que transforma inimigos em cubos e tem como habilidade especial criar plataformas, o Hover que manda os inimigos voando pra longe e também te permite flutuar... Você entendeu, né? Pois é, essas foram as Wispons que eu usei enquanto jogava, e com exceção do Cube que é inútil e só quebra o ritmo do jogo, as outras Wispons são decentes. Pena que a IA dos inimigos nesse jogo é uma piada, porque eles ficam mais tempo parados esperando você matar eles do que fazendo alguma coisa, então não tem profundidade alguma nos combates contra eles: Só sai spammando o ataque da sua Wispon que vai ficar tudo ok.

Existem algumas fases Tag Team onde você controla o Sonic e o Original the Character juntos, mas nenhuma dessas fases faz alguma coisa interessante com essa ideia, é quase como se não fizesse diferença você estar jogando com um ou outro nelas. Essas fases são exatamente iguais ás fases normais com eles separados, a única diferença é que elas têm uma parte onde os dois usam um Double Boost e você tem um QTE pra esmagar botões antes deles saírem correndo juntos... E é só isso, eles não têm mais nenhuma outra habilidade em grupo e nem nada do tipo, só o Double Boost que é literalmente uma cutscene glorificada, você não precisa fazer NADA enquanto eles usam o Double Boost, o jogo literalmente se joga pra você nessas partes!

Falando em se jogar, o level design desse jogo no geral é fraquíssimo. Sabe o apelido de "Boost to Win" que esses jogos ganharam de uma certa parte da fanbase do Sonic? Sonic Forces é exatamente isso! Quase todas as fases aqui são basicamente segurar pra frente e usar Boost pra vencer, de vez em quando com umas seções básicas de platforming 2D aparecendo algumas vezes, porque a Sonic Team acha impossível fazer platforming 3D com Sonic. A maioria das fases parecem a mesma coisa uma da outra, poucas têm alguma gimmick que faça com que se destaquem, eu nem me lembro de nenhum pedaço de level design que tenha me feito usar movimentos como a rasteira do Sonic, e o Stomp que também existe aí e tá com o efeito sonoro zoado foi usado no total de uma (1) fase.

O Original the Character tem um Drift que ele faz automaticamente com o gancho, e tem um Wall Jump que ele usa em apenas uma das fases finais, mas por que essas não podiam ser habilidades normais dele pra ter mais possibilidades de level design? Por que deixaram essas coisas scriptadas? Nem o gancho que ele usa pra balançar pra lá e pra cá é usado de alguma forma criativa, isso quando ele também não usa o gancho pra balançar automaticamente em certos pedaços de fase sem você precisar fazer nada. É um desperdício de potencial absurdo, imagina as possibilidades de fases 3D abertas usando esse gancho, os bosses que poderiam ser feitos com essa mecânica... Argh...

Quando existe algum "caminho alternativo" na maioria dessas fases, é só uma outra pista reta por onde o Sonic corre até voltar pro caminho principal em poucos segundos, ou algumas vezes o Original the Character tem uns caminhos diferentes pra pegar baseado em qual Wispon ele tem, mas até esses também oferecem alguma coisa interessante. Eu me lembro de algumas poucas fases interessantes por serem marginalmente mais abertas que o resto, como a Null Space que é uma fase Tag Team com algumas maneiras diferentes de ir de ponto A até ponto B, a Chemical Plant do Sonic Moderno que tem a primeira parte totalmente 3D mais aberta do jogo inteiro, e a 2D tem uma gimmick legal usando a água roxa da Chemical Plant pra girar plataformas, além de ser relativamente aberta também. A fase na Metropolis onde o Infinite muda a gravidade e destrói alguns trechos na medida em que você progride também é legal, provavelmente a mais única do jogo.

Mas até essas poucas fases interessantes acabam antes mesmo de eu aproveitá-las, pois as fases desse jogo no geral são ridiculamente curtas, eu demorei de 1 a 2 minutos pra passar da grande maioria delas. O modo como elas simplesmente acabam assim é meio frustrante porque não parece que elas vão acabar, parece que na verdade a fase ainda vai ter a sua seção mais robusta... Mas não, simplesmente acaba assim. Sonic Forces tem 30 fases, mas são 30 fases extremamente curtas e rasas ao invés de poucas fases cheias de conteúdo como era em Sonic Generations, por exemplo, é exatamente o oposto do que os jogos do Sonic costumam ser, que é priorizar qualidade sobre quantidade. Ainda assim, é engraçado porque Sonic Forces consegue ser mais curto do que o Generations ou o Colors, eu demorei cerca de 3 horas pra terminar a história desse jogo, e isso foi na minha primeira e única jogatina do começo ao fim!


Não, eu não me esqueci do Sonic Clássico, quis deixar ele por último mesmo porque... Wow, Sonic Clássico, o que diabos fizeram com você? Os gameplays do Sonic Moderno e do Original the Character não são exatamente bons, mas pelo menos são jogáveis e funcionais depois que você se acostuma com os controles ruins e tal, medíocres na melhor das hipóteses. Agora isso aqui? Puta que me pariu, quem foi o responsável por esse assassinato barbárico do gameplay clássico do Sonic? Prendam esse meliante, pena de morte nele porque isso é crime hediondo!

O Sonic Clássico do Forces na teoria deveria ser uma versão melhor do Generations, mas de alguma forma eles conseguiram piorar ao invés de melhorar, um talento que apenas a Sonic Team conseguiu desenvolver com maestria. Esse Sonic Clássico aí tem uma movimentação totalmente travada, com um pulo imprevisível de controlar que consegue ser pesado ao mesmo tempo que flutuante demais, ele simplesmente não ganha velocidade correndo normalmente, nem se você botar ele pra correr numa fodendo descida ele ganha velocidade! Tem uma seção específica da Chemical Plant que mostra exatamente isso, você corre por uma descida íngreme sem dash pads e nem nada, e o Sonic mantém a mesma velocidade o tempo todo, ele não consegue nem impulso o suficiente pra subir na rampa que vem logo depois da descida, o que é patético.

Mas pelo menos usar Spin Dash e rolar funciona, né? Não, não funciona! É um script mal feito que eles usam pro rolamento do Sonic que literalmente só funciona direito quando ele rola em uma descida diagonal, mas a partir do momento em que ele encosta em alguma parede ou qualquer outra estrutura que não seja essa descida enquanto faz essa animação, por algum motivo o Sonic simplesmente cai pra baixo igual um peso de chumbo, e tanto o Spin Dash quanto o Drop Dash, que eles enfiaram aí nesse jogo pra ter ligação com Sonic Mania, têm um bug esquisito onde certas coisas fazem o Sonic rolar pra direção contrária de onde ele vai. Não sei por que diabos isso acontece, mas é chocante o trabalho porco que eles fizeram com o Sonic Clássico nesse jogo, é quase como se ele tivesse sido colocado aí com essa ligação com o Mania de última hora só pra ver se ganham mais uma grana extra dos otários que forem comprar isso pelo Sonic Clássico achando que seria pelo menos no mesmo nível que o Generations.

Não é só ruim comparado com Sonic Mania, é ruim comparado com qualquer coisa. Eu até me arrisco a dizer que é tão ruim quanto Sonic 4: Episode I, sem dúvidas tá empatado com aquilo ou então só um pouco atrás no quesito de pior jogo 2D do Sonic que eu já joguei. Sabe o que é mais engraçado? Super Mario Odyssey existe, naquele jogo o Mario pode rolar que nem o Sonic, e em todos os vídeos de gameplay em que eu vi gente usando isso, o Mario rolando ganha/perde impulso dependendo do terreno com o qual ele interage da forma mais natural possível. É isso aí, meus amigos, chegamos nesse ponto: Um jogo do Mario tem uma física de rolamento melhor e mais natural do que a de um jogo do Sonic. Isso é uma vergonha, caras. Uma VER-GO-NHA! Sabe o que a Sonic Team vai precisar fazer depois disso? Acabar com a franquia Sonic e começar tudo de novo, porque depois dessa não dá mais.

As fases do Sonic Clássico em si não são nada especial, ainda mais porque já que a física não funciona, você pode apostar o seu rabo que eles encheram essas fases de dash pads, molas e o caralho a quatro pra que você não precise ganhar velocidade naturalmente, já que não tem como aqui. No entanto, por mais triste ou engraçado que isso possa parecer, elas são as fases desse jogo com o melhor level design, porque pelo menos os caminhos diferentes realmente parecem caminhos diferentes, tem até uma versão da Death Egg que faz um uso decente da gimmick de gravidade da original, pena que jogar nessa fase é uma bosta graças ao modo como eles programaram o gameplay do Sonic com a bunda. Parece tão óbvio que eles colocaram o Sonic Clássico aí de última hora que, além dele não fazer nada na história e mal aparecer direito, ele tem só umas 3 ou 4 fases nesse jogo todo, e enfrenta só um boss antes do último.

Isso levanta a maior pergunta do ano passado: Era necessário colocar o Sonic Clássico nesse jogo? Não, não era, ninguém pediu por isso.

Eu e os outros fãs da era clássica estávamos perfeitamente felizes só de ver Sonic Mania sendo anunciado, até porque eu não vou querer outro jogo do Sonic Moderno com o Sonic Clássico enfiado lá se eu sei que a Sonic Team não é capaz de recriar o gameplay clássico do Sonic fielmente, e também sei que isso tornaria o aspecto único do Generations mais fraco, pois agora tem outro jogo que faz a mesma coisa e bota os dois Sonics trabalhando juntos e tal. Mas não, claro que não é assim que as coisas funcionam pra Sonic Team, olha só pros Wisps, o pessoal gostou dos Wisps no Colors e agora eles enfiam Wisps de qualquer jeito em todo jogo novo do Sonic que é lançado, óbvio que iam querer fazer isso com o Sonic Clássico depois do Generations ter feito sucesso.

No final desse jogo eles ainda se atrevem, eles têm a audácia de colocar um diálogo lá implicando que o Sonic Clássico vai aparecer de novo num jogo moderno, com o Sonic Moderno falando "I'm sure we'll run into him again" pro Tails. Não, eu não quero mais dessa merda, ninguém quer mais dessa merda, deixem o Sonic Clássico quieto nos jogos dele com a equipe do Mania! Por favor não toquem no Sonic Clássico de novo, de preferência nem pensem em fazer alguma coisa com ele, finjam que o único Sonic que existe nas suas cabeças é o Moderno e... Olha, apenas deixem o Sonic Clássico e o gameplay dele pra quem pode fazer direito e vai ficar tudo bem pra mim e pra vocês também, ok? Estamos entendidos? Eu espero que sim.


Pois é, eu mencionei bosses, né? Sim, Sonic Forces tem bosses, ou pelo menos tem uns negócios que são considerados como bosses. Eu sei, eu sei, bosses nunca foram exatamente o ponto mais forte dos jogos do Sonic, mesmo os melhores jogos dessa franquia não têm exatamente os bosses mais empolgantes que existem... Mas pelo menos nos outros jogos ainda me dá a ligeira impressão de que eles tentaram criar uns bosses legais, mesmo não conseguindo na maior parte do tempo, dá pra perceber que houve um esforço colocado nas lutas e tal. Sem falar que as lutas que são boas definitivamente merecem destaque também, já elogiei um bocado de bosses específicos em reviews passados de jogos do Sonic, tanto nos jogos 2D quanto 3D.

Infelizmente, Sonic Forces é extremamente preguiçoso até mesmo com os bosses. Como se já não bastasse a propaganda enganosa sobre os vilões e eles na verdade serem só ilusões, dois desses vilões, que são o Chaos e o Shadow, são derrotados em cutscenes e não contribuem com nada nem no jogo e nem na história. Por que caralhos eles apareceram no trailer então? Por que fingiram que eles teriam alguma relevância nesse jogo se nem ao menos alguma luta contra eles existe? Aliás, o único boss que o Sonic Clássico enfrenta nesse jogo antes da última parte, que é o Egg Dragoon que apareceu na demo e nos outros vídeos de gameplay, tem o conceito dele repetido pra parte do último boss que o Sonic Clássico enfrenta: Ele solta umas balas de canhão e você pula nelas pra jogar elas de volta nele. Sim, é um pouco diferente porque as balas de canhão destroem a plataforma onde o Sonic Clássico está, mas não justifica eles reusarem a mesma ideia que um boss passado teve pra essa luta, especialmente quando era a única luta que o Sonic Clássico teve no jogo todo, podiam pelo menos ter feito algo mais único.

Mas calma que fica pior, as lutas com o Infinite são uma piada, tudo o que você tem que fazer enfrentando ele com o Sonic Moderno é soltar Boost até você ficar próximo o suficiente pra poder usar o Homing Attack nele e aí você ataca e repete o cíclo. Ah sim, tem o Homing Attack desse jogo que também é meio esquisito e algumas vezes a mira não aparece no boss mesmo eu estando perto o suficiente dele, o que é outra sequela do gameplay do Lost World que tinha o pior Homing Attack da história da franquia toda, só que admitidamente não acontece com a mesma frequência. A luta do Zavok mesmo, nas vezes em que ele desce com o robô dele lá e me manda pra cima, a mira do Homing Attack que devia aparecer nele pra eu atacar enquanto tô no ar simplesmente não quis aparecer algumas vezes e eu não sinto que isso era culpa minha e nem nada do tipo. Qual diabos era o problema com o Homing Attack do jeito que tava no Generations? Eu não sei, mas esse Homing Attack que os jogos andam tendo desde o Lost World até agora claramente não tá dando certo.

Ok, voltando pras lutas do Infinite, o Original the Character também tem uma luta contra ele dentro de uma sala fechada onde ele fica sobrevoando o local e usando uns ataques que criam ilusões em forma de hazards quando te acertam, o que é um conceito muito legal dessas lutas com ele. Infelizmente, essa luta pode ser terminada em menos de um minuto, especialmente se você estiver com a Lightning Wispon equipada, o ataque do chicote alcança o Infinite lá em cima e aí você pode dar várias porradas de graça nele. A luta contra o Metal Sonic que você joga no modo Tag Team também é basicamente só usar Boost até chegar perto o suficiente pra spammar o Homing Attack nele, e por algum motivo ele fica gigante, mas não faz diferença nenhuma na luta em si isso... Mas pera, no final você dá um Double Boost nele, porque é claro que sim! Aí vem a terceira luta do Infinite que é exatamente igual à do Metal Sonic, com as mesmas animações e até mesmo o negócio dele ficar gigante por motivos misteriosos, e ela também termina com um Double Boost.

Aí tem o Final Boss, que não é outra luta do Super Sonic e nem nada do tipo, mas sim um "Death Egg Robot" com o poder da Phantom Ruby ou algo assim... Aliás, não existem Chaos Emeralds nesse jogo, aparentemente. A única parte dessa luta que é até decente é a do Original the Character, porque pelo menos é uma luta totalmente original onde você evita os ataques do boss, toma cuidado porque ele destrói a plataforma com os ataques e assim que ele abre brecha você acerta o ponto fraco dele. Agora a última parte, que é com o Sonic Moderno, o Sonic Clássico e o Original the Character juntos... É o Final Boss de Sonic Colors reciclado... Pela segunda vez! Já fizeram essa palhaçada no Lost World e repetiram aqui de novo. Bravo, Sonic Team, bravo! E não, essa luta não termina com um Double Boost, mas sim um Triple Boost, que é totalmente diferente, aham, claro.

Aliás, como exatamente isso é um Boost duplo ou triplo se o único desses três que pode usar um Boost é o Sonic Moderno- Ah, foda-se, tanto faz!

Aliás, não tem Super Sonic pra destravar no jogo em si, nem coletando Red Rings ou completando missões extras nas fases porque isso só abre mais roupas pro Original the Character, as missões em si também não são tão legais quanto as missões alternativas boas do Generations, a maioria delas são ainda mais curtas que as fases normais, o que é meio que inacreditável. Ao invés disso, o Super Sonic é uma DLC... Sim, você tem que pagar pra ter o Super Sonic, um elemento que sempre, desde o jogo em que ele foi introduzido, é algo que você abre dentro do próprio jogo como uma recompensa por ter completado Special Stages, ou completado todas as campanhas no caso dos Adventure, chegar ao fim do jogo em outros... Enfim, não interessa o método, o Super Sonic sempre foi algo que já tem no jogo. Aí vocês vão e me botam ele como DLC? Sério mesmo? Vão dar pro cavalo...

(Aparentemente, agora a DLC do Super Sonic é de graça pra sempre, o que alivia o problema de certa forma. Isso significa que eu perdoo eles? Não, isso não devia nem ser conteúdo separado do jogo pra começo de conversa.)

Do que mais eu falo? A DLC do Shadow? Não tem muito o que falar dela, só mostra a história tosca do Infinite enquanto você passa por fases "originais" da campanha do Shadow, que na verdade parecem que foram feitas num criador de fases por cima dos assets das que já existem no jogo, isso quando não repetem seções que já têm nas fases normais, e o Shadow é só o Sonic Moderno com outra skin, exceto que algumas vezes quando aparecem umas fileiras de inimigos voadores ele pode usar um Homing Attack que destrói eles enquanto percorre o caminho, como se fosse o Lightspeed Dash. Essa mecânica é usada de alguma forma que não seja superficial e básica em alguma dessas fases? Claro que não! É ridículo o modo como não teve esforço nenhum colocado nessas coisas, mas pelo menos essa DLC do Shadow é de graça, então tanto faz.

Olha só a intro do meu canal de Minecraft que foda


Eu queria dizer que pelo menos Sonic Forces tem uma trilha sonora boa, como jogos do Sonic costumam ter, mas... Sendo totalmente honesto, eu não me lembro de quase nenhuma das músicas desse jogo, e quando lembro de alguma, nem é exatamente de forma positiva. As músicas têm essa pegada eletrônica com aquele sintetizador com pitch alto que aparece por toda a parte, e essa OST ficou repetitiva pra diabo por causa disso, as músicas de boss parecem intros de canal de Minecraft, as músicas das fases do Sonic Moderno parecem aberturas de anime sem vocais, as do Original the Character são uns J-Pop com vocais, e são tão fora de lugar que chega a ser engraçado jogar as fases finais com ele.

Pra você ter uma ideia, na fase final do Original the Character ele tem que impedir um sol gigante de destruir o mundo enquanto acontece uma guerra logo abaixo de onde ele tá... Agora imagina esse cenário de "PUTA MERDA FODEU O MUNDO VAI ACABAR" com essa música no fundo. A letra nem faz sentido, tipo... "The Sun has fallen in the sky beyond / Light is fading from our world" uhhh... Não? O sol tá caindo no planeta, então a luz não tá exatamente sumindo do nosso mundo, moça. Por acaso foi mesmo o Tomoya Ohtani que fez essa trilha sonora? Porque sinceramente, não parece nem um pouco que ele foi responsável por isso, eu sempre gostei do trabalho dele dentro dessa franquia, mas aqui... Meh, as músicas desse jogo são tão genéricas... E francamente, vale a pena falar das músicas do Sonic Clássico nisso aqui? Não, eu vou fingir que elas não existem porque é melhor assim.

Bem, tem a música tema principal, Fist Bump, cantada pelo Douglas Robb do Hoobastank, que é... Uma música ok. Tá longe de ser a minha música tema vocal favorita da franquia, nem se compara com temas passados como Open Your Heart, Live and Learn, I Am All of Me, His World e Endless Possibility, mas é até legalzinha de qualquer forma, faz o seu trabalho apesar da letra conseguir ser brega mesmo pra padrões de letra de música vocal de Sonic. Tem também a música tema do Infinite pelo Dangerkids, que é aquela música que geral zoa pra caralho por ser edgyzona e tal, mas ouve escondido. Eu sei que você ouve, cala a boca.

A dublagem é ok, não tenho muito o que falar dela que eu já não tenha falado antes a esse ponto. O Sonic do Roger Craig Smith ainda soa igual um tiozão de 40 anos tentando agir como adolescente pra entrosar com a turma do sobrinho dele, o Mike Pollock continua sensacional como Eggman, a Amy agora não tem mais uma voz que parece roubada da Minnie Mouse, e o Infinite é dublado pelo Caius Ballad... Não, eu não me lembro o nome do dublador, mas dá pra reconhecer a voz facilmente, e esse cara faz um bom trabalho também.

Considerações finais

Essa review pode ter soado mais negativa do que qualquer outra coisa, mas... Não considero Sonic Forces um jogo ruim, porém com certeza ele chega bem perto de ser ruim. Se o Sonic Clássico tivesse o mesmo número de fases que os outros dois personagens, pode ter certeza que eu daria uma nota mais baixa pra esse jogo, porque é a única parte realmente horrível. Não que o Sonic Moderno e o Original the Character sejam bons, mas pelo menos dá pra suportar as partes em que você joga com eles e vez ou outra aparecem uns momentos legais nas fases deles... Beeeem de vez em quando, mas acontece. Então por que tem tanta gente que tá absolutamente puta, pistolada com Sonic Forces? Por que um jogo tão medíocre quanto esse causou tanta treta e negatividade na fanbase de Sonic?

Bem, o motivo já deve estar claro se você leu esse texto todo até aqui, mas ok. Sonic Forces, apesar de não ser o pior jogo que o Sonic já teve, é um jogo tão ofensivamente medíocre e sem substância que isso me deixa frustrado. O maior elogio que eu consigo fazer a esse jogo é que pelo menos ele não é totalmente quebrado e provavelmente eu ia preferir jogar ele ao invés de jogar Sonic Lost World, Shadow the Hedgehog ou Sonic '06... Mas isso lá é algo pra se usar como elogio pra qualquer coisa? Acho que não, né?

Eu queria que Sonic Forces fosse um jogo bom, eu acreditava que seria um jogo bom quando foi anunciado, vários conceitos desse jogo soavam promissores, e se a mesma equipe do Colors e do Generations realmente estivesse por trás desse jogo, pode ter certeza que ele seria no mesmo nível ou ainda melhor do que esses dois. Tudo o que a Sonic Team precisava fazer era reunir mesmo essa mesma equipe e colocar um roteirista decente pra aproveitar bem a ideia de um universo distópico onde o Dr. Eggman dominou o mundo com a ajuda de um villão misterioso que tem poderes sobre a própria realidade em si, nas mãos certas esse podia ser facilmente um dos melhores jogos 3D do Sonic, se não o melhor deles mesmo. Mas a maior parte do pessoal que trabalhou no Colors e no Generations não tá mais na Sonic Team, e claramente eles ainda tão precisando de algum roteirista bom.

Eu me senti traído com Sonic Forces, assim como muitos outros fãs de Sonic se sentiram, porque a Sonic Team mentiu na cara dura sobre um monte de coisa enquanto marketava isso. Eles merecem toda essa reação negativa que tão tendo, porque mentir pras pessoas que vão comprar o seu produto é filha da putice e eles simplesmente não merecem ganhar o dinheiro que querem em cima dessa mentira, deviam sentir vergonha de ter feito uma cagada dessas. Não me interessa se o preço do jogo é 40 dólares ou o que for, apesar que o que eu joguei foi baixado de graça com crack, porque pau no cu da Sonic Team, do meu bolso eles não ganham um centavo enquanto não tomarem vergonha na cara. E eu encorajo vocês a piratearem esse jogo também se quiserem jogar ele por curiosidade ou algo assim, mas recomendar que joguem mesmo eu não recomendo, existem tantas opções melhores dentro da franquia Sonic e no gênero Platformer em si que Sonic Forces simplesmente não tem nada interessante a oferecer.

O que vai acontecer com o Sonic depois desse jogo? Eu não sei, mas por mim desde que a equipe de Sonic Mania me dê mais jogos 2D do Sonic Clássico no futuro e esses sejam cada vez melhores, eu já vou ficar feliz o suficiente com isso. Enfim, é isso, eu não tenho muito mais o que falar dessa situação toda, espero que as coisas melhorem no futuro, porque realmente tá precisando de uma melhora urgente. E Sonic Team, troféu de bunda do ano pra vocês, abraços.

Prós:
+ Gráficos bonitos.
+ De vez em quando aparecem uns momentos divertidos aqui e ali.
+ A customização de roupas do Original the Character é bem vasta.
+ Bem, esse é o primeiro jogo do Sonic em que o Silver aparece e não me dá desgosto.
+ Jogar Sonic Mania depois desse jogo é umas 10 vezes mais satisfatório.

Contras:
- O gameplay do Sonic Clássico é horrível em todos os sentidos possíveis.
- Level design raso e simplista até demais, ainda por cima as fases são curtíssimas.
- Enredo que começa até decente, mas rapidamente a qualidade vai embora e nunca volta.
- De alguma forma esse jogo é ainda mais curto do que o Generations.
- Bosses ridiculamente preguiçosos.
- Super Sonic como DLC. Não, eu nunca vou aceitar isso.

Gráficos: 7/10
Enredo: 4/10
Gameplay: 5/10
Som: 5/10
Conteúdo extra: 5/10

Veredicto:

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