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Postado por: Ryu sábado, 14 de julho de 2018


Bem, eu decidi que pra escrever review de Visual Novel eu vou adotar um formato diferente do usual daqui. Ao invés de separar as categorias e falar de cada coisa separadamente, como gráficos, enredo, gameplay, música, etc... Eu vou só falar do negócio todo de uma vez, me focando mais na história por ser o aspecto principal e dando alguns spoilers quando precisar fazê-lo pra explicar algum ponto, porque Visual Novels geralmente não têm muito gameplay, e até quando uma tem, geralmente é algum mini-game que mal é explorado direito porque a parte principal ainda é a história. Dito isso, se por acaso eu acabar jogando alguma que tem mais gameplay do que o normal, obviamente essa vai ser uma exceção, por exemplo... Ace Attorney é Visual Novel, mas o gameplay lá é uma parte importante também e você corre o risco de levar um belo Game Over caso não consiga provar a inocência do não-meliante que você tá defendendo.

Mas ter presença maior de gameplay não é o caso de Grisaia no Kajitsu: The Fruit of Grisaia - Le Fruit de la Grisaia... Não, eu não sei por que picas esse jogo tem o próprio título em tantos idiomas diferentes mesmo antes de ser localizado pro ocidente, mas me lembra de quando um dos filmes do Batman veio pra cá com o título Batman: O Homem-Morcego, que em inglês ficaria Batman: The Batman. Mas enfim... Grisaia no Kajitsu é uma das várias Visual Novels que eu baixei quando resolvi vasculhar o VNDB e ver o que me interessa pelas sinopses, além de outras que foram recomendações de pessoas que eu conheço também. Coincidentemente, quando eu comecei a jogar Grisaia no Kajitsu por volta de 2014 e 2015, uma localização desse jogo foi anunciada pro ocidente, além de terem feito uma adaptação em anime que tava passando na mesma época, então obviamente esse foi um título bem sucedido lá no Japão.

... O que não me encheu de segurança porque tem tanta merda que faz sucesso lá no Japão, especialmente nessa área de animes e semelhantes, que é meio assustador. Mas ok, não é como se o ocidente pudesse falar muita coisa também, afinal Mirai Nikki que é literalmente o anime mais mal escrito que eu já tive o desprazer de assistir não fez sucesso lá no Japão e por aqui fez.

Ainda assim, Grisaia no Kajitsu ao menos tem conteúdo que justifica a popularidade de forma positiva, então já é melhor do que muita coisa que acaba ficando popular no Japão hoje em dia. Foi desenvolvido pela Front Wing e é meio que um caso especial dessa empresa porque até então ela era conhecida só por fazer jogos hentai, então Grisaia no Kajitsu seria tecnicamente o primeiro jogo mais sério da Front Wing... Que também tem umas putarias aqui e ali, não entenda errado! Bem, eu recomendo jogar a Visual Novel, porque o anime de Grisaia no Kajitsu é uma adaptação de 13 episódios tão rushada que faz o final de Assassin's Creed III parecer bem planejado em comparação. Ok, não é TÃO ruim assim... Mas é bem rushado e você vai perder muita coisa da história se só assistir o anime, quem sabe algum dia eu escreva uma review dele separadamente. Agora sem mais enrolações, vamos logo começar a falar desse jogo!


Grisaia no Kajitsu se passa em... Algum lugar do Cabo de Mishima, no Japão, porém é um lugar especial porque tem uma escola chamada Academia Mihama, fundada com o intuito de acolher como estudantes pessoas bem específicas que não conseguiram se encaixar muito bem no resto da sociedade. Uma dessas pessoas é o nosso protagonista, Kazami Yuuji...

... Vai, pode fazer a sua piadinha original e hilária de pedir PlayStation porque o nome dele é Yuuji, eu espero, vamos.

Fez? Tá satisfeito? Ok, meus parabéns.

Yuuji é um adolescente com um passado misterioso que busca viver uma vida normal de estudante do ensino médio, e ele é não só um estudante de Mihama como também é o primeiro e único estudante do sexo masculino em toda a escola... Que na verdade só tem ele e mais 5 garotas, cada uma com seus próprios motivos pra estarem estudando em Mihama. Bem, Yuuji é claramente o vencedor do troféu "Homem que Acaba Convenientemente Indo Parar em um Ambiente Onde só tem Garotas" de Visual Novel, o que também faz com que Grisaia no Kajitsu fique perigosamente próximo de parecer uma dessas obras Harem ruins e estereotipadas que a indústria de animes adora cagar pra fora em toda santa temporada. Felizmente, apesar de ter esse elemento, Grisaia no Kajitsu tem uma ideia bem interessante em relação ao modo como esses estereótipos de anime são executados e chega até a ser bem auto-consciente sobre essas coisas.

Todas as 5 garotas principais superficialmente são arquétipos de anime que você já viu um milhão de vezes antes: Suou Amane é a "irmã mais velha" meio tarada que também se preocupa em excesso com seus "irmãos mais novos" e os protege, Irisu Makina é a loli hiperativa que brinca com todo mundo, Komine Sachi é a empregada obediente que faz literalmente tudo o que os outros estudantes pedem, Matsushima Michiru é a tsundere que faz cu doce pra literalmente tudo, e por último mas não menos importante, a Sakaki Yumiko que é a kuudere, aquela personagem séria que não expressa muita emoção e fica mais distante do resto do grupo. Nas cenas em que cada uma dessas garotas é introduzida você já pega a ideia de como elas agem, e... Você pode ou não gostar delas de cara dependendo das suas preferências pra esses arquétipos. Eu por exemplo detesto tsunderes, a maioria delas não só são chatas e irritantes como também são mal escritas e depois os roteiristas tentam me forçar a ter simpatia por elas com algum background convenientemente trágico e sombrio. Então... Digamos que eu não fui muito com a cara da Michiru, a princípio...

Mas diferente de outras tsunderes, a Michiru foi ganhando a minha simpatia aos poucos, não de maneiras forçadas, mas porque ela tá mais pra uma paródia de tsunderes do que uma tsundere de verdade mesmo. Essa coisa toda de tsundere é só uma atuação da Michiru, atuação tão ruim que até o Yuuji conseguiu perceber na primeira interação que os dois tiveram, então ela constantemente fica alternando entre a personalidade real dela e a tsundere que ela quer que todo mundo pense que ela é, o que resulta em algumas cenas engraçadas e outras meio que irritantes, mas eu com certeza tive mais facilidade pra gostar da Michiru do que 90% das outras personagens tsundere que eu já vi.

Pra falar a verdade a Michiru nem é a única, todas elas agem de um modo relativamente falso, escondendo suas verdadeiras personalidades por motivos que estão relacionados aos backgrounds delas, um dos temas principais dessa história é justamente a auto-sinceridade, o ato de fugir dos seus próprios sentimentos ao invés de encará-los. Não que tudo o que você conhece delas fora das suas respectivas rotas seja só atuação, mas existe uma certa camada de não-genuinidade no modo como elas agem que você só explora mais a fundo quando entra nas rotas.

Por exemplo, a Amane aparentemente fica "apaixonada" pelo Yuuji à primeira vista e tá sempre no pé dele, principalmente depois de descobrir que ele tinha uma irmã chamada Kazuki, que agora está morta, aí ela começa a querer cuidar dele também como se fosse uma irmã mais velha, dando a desculpa de que é algum tipo de roleplay que ela curte fazer. Durante o desenrolar do prólogo do jogo, fica óbvio que a Amane legitimamente se importa com o Yuuji, mas o modo como ela dá em cima dele não é nem um pouco natural, eu já vi gente reclamando que esses flertes e a atitude da Amane no geral são forçados, mas... Esse é justamente o ponto, o autor tá dando ênfase nisso deliberadamente pra depois se tornar um ponto a ser explorado na própria rota da Amane, é um dos poucos casos onde o fanservice não tá lá só pra agradar otaku punheteiro e tem um motivo pra ser desse jeito.

A Sachi... Bem, quando eu disse que ela faz literalmente tudo o que os outros estudantes pedirem, eu quis dizer literalmente mesmo. Ela se veste de maid sempre quando não usa o uniforme da escola e leva tudo a sério, o que acaba sendo um problema principalmente na rota dela, mas um exemplo no prólogo seria quando ela vai pegar bebidas pros outros estudantes e a Makina diz que quer leite, então depois ela diz "Me dá o mais gostoso" antes da Sachi sair... Então a Sachi some por um tempo e depois descobrem que ela literalmente pretendia ir pra Hokkaido ordenhar uma vaca de lá pra tirar leite fresco. A Makina é tímida perto de gente que ela não conhece, o Yuuji só foi ficar amigo dela depois de ajudar ela a pescar uma lagosta e conversar um pouco, e desde então ela começa a se mostrar meio carente. Ela trata o Yuuji e a Amane como se fossem irmãos mais velhos dela, ao invés de ficar no próprio quarto ela fica no da Amane quase sempre, a personalidade energética dela e o jeito de falar deixam o pessoal desconfortável algumas vezes e ela também tem uma atitude um pouco auto-depreciativa sobre si mesma. Então tem a Yumiko, que não só é fechada e não demonstra muita emoção como também tenta matar o Yuuji umas vezes com um estilete, porque ela não quer aceitar ele como amigo ou membro do grupo, e lentamente ela vai ficando mais ok com ele, mesmo assim ela não conversa tanto nem com as outras garotas com quem ela já tem mais convivência.

Tendo estabelecido essas personagens, o prólogo (ou common route) de Grisaia no Kajitsu antes de você ter as escolhas que levam até as rotas normalmente se trata de mostrar interações entre o Yuuji e as garotas no dia a dia da sua nova vida escolar, ele conhece todas elas, o seu relacionamento com cada uma vai melhorando e até mesmo a Yumiko para de enxergar ele como um inimigo e começa a confiar um pouco nele, e mais um mooooooonte de cenas com os personagens em várias situações diferentes da vida. Bem... Aí tá o meu primeiro problema com Grisaia no Kajitsu: O prólogo é absurdamente longo! Eu não tô brincando, Grisaia no Kajitsu é um jogo famosamente longo e pelo menos metade desse tempo de duração vem do prólogo, o que não seria um problema se a trama se mantivesse interessante e avançasse nesse longo período. Embora isso aconteça em certas ocasiões, afinal o Yuuji conhece melhor as garotas, também somos introduzidos a outros personagens secundários como a diretora Chizuru e a guardiã do Yuuji, Harudera Yuria, também conhecida como JB, que é uma oficial de uma agência do governo japonês conhecida como Ichigaya, onde o Yuuji também trabalha.

Mas isso é mais no começo, assim que você já conheceu todos os personagens melhor... O prólogo simplesmente continua sem nenhum grande evento, só mostrando os dias normais dos personagens na escola, como se fosse um anime episódico com ambientação colegial. De certa forma eu não sou contra a ideia, afinal o que o Yuuji quer é viver uma vida normal de estudante, e isso é basicamente o que tá acontecendo, mas depois de um ponto eu só queria chegar até uma das rotas logo. Em defesa do prólogo, ele tem um bocado de momentos que são legais sim, as cenas que introduzem cada uma das personagens são boas e o modo como o Yuuji se aproxima delas na medida em que interage mais é bem show de bola, algumas interações entre eles são legitimamente engraçadas.

A cena onde a Michiru tá "incomodada" por causa do gato de rua preto que "seguiu ela até a escola" e pede ao Yuuji que ajude ela a "se livrar dele" tentando ser tsundere com o gato e não conseguindo, até deixa escapar que deu o apelido "Kittymeow" pro gato. Também tem a cena onde o Yuuji pega a Amane siriricando na cama dele e depois usa esse ocorrido como inspiração pra uma cadência que ele faz a Makina cantar junto com ele em voz alta pra ela se animar e correr mais rápido pra aula enquanto a Amane fica gritando pra pararem. Tem a cena onde o Yuuji menciona pra Sachi que roupas de baixo são mais populares com os homens do que uniformes de maid e então no outro dia ela aparece na sala de aula vestindo uma lingerie, uma cena meio que adorável onde a Makina e a Michiru praticam inglês, a Yumiko também tem uns momentos bonitinhos como quando a Amane e a Makina elogiam o corpo dela no banho, aí ela age como se não ligasse e depois por acaso o Yuuji encontra ela se olhando no espelho no quarto dela e parecendo feliz pelos elogios, o "episódio de praia" também tem umas interações legais entre os personagens, etc.

Uma coisa boa sobre isso é que Grisaia no Kajitsu não se limita só a mostrar o Yuuji interagindo com as garotas, também existem várias cenas delas interagindo entre si, o que torna a amizade delas bem crível, eu realmente não consegui desgostar de nenhuma delas depois de um tempo. Bem... Tem essas cenas bem específicas que são boas, umas são engraçadas, outras são interessantes, mas depois de um tempo parece que o prólogo só tá se arrastando, as piadas começam a ficar menos criativas, certas seções inteiras são tão mundanas que eu fiquei tentado a skipar os diálogos, e na real, o que é mais interessante sobre a reta final do prólogo no meio de tanta coisa cansativa é que a Yumiko vai tendo interações mais frequentes com o Yuuji e as outras, chegando até a se abrir um pouco e tal. Mas sim... Fica cansativo, e não ajuda muito que esse jogo te dá pouquíssimas escolhas, tem uma no meio do prólogo que não afeta muita coisa na história e as outras são de diálogos com cada garota específica na reta final do prólogo, escolhendo a opção certa você entra na rota da garota em questão. Pelo menos pra mim se o jogo começasse a te dar escolhas no prólogo, mesmo que insignificantes, sendo só pra ter uns diálogos ou conclusões de cenas diferentes, tornaria essas partes tardias do prólogo menos maçantes, pelo menos daria uma interatividade pra elas, mas ok então.

Que bom que Grisaia no Kajitsu tem a famosa função de salvar o jogo quando me der na telha, porque assim que me foi dada a primeira das escolhas possíveis no final do prólogo pra entrar em uma das rotas, eu deixei um save lá e sempre dei load nele toda vez que terminei uma rota. A partir de um momento, você vai tendo uma cena específica com cada garota onde o jogo te dá uma escolha que decide se você entra na rota ou não, e se você recusou todas, entra automaticamente na rota da Yumiko, que é a última garota com quem o Yuuji interage nessa última parte do prólogo... E também eu creio que seja a que o jogo trata como garota principal, porque até na opening do negócio ela tem mais destaque do que as outras garotas. De qualquer maneira, eu vou falar das rotas na ordem em que eu as joguei, não na ordem das garotas com as quais o Yuuji vai interagindo, então é por isso que a primeira rota vai ser...


... A da Makina.

Não, eu não sou um pedófilo ou um lolicon, eu tenho uma explicação pra como essa acabou sendo a minha primeira rota.

Pois bem... Eis que eu estava jogando Grisaia no Kajitsu e de repente o jogo começou a me dar escolhas, a Amane queria que eu desse um beijo nela como pedido de desculpas por alguma merda aí e na hora de escolher eu recusei porque eu não sou um beta fracassado que se humilha pra agradar mulher! Vai embora, sua vadia ruiva peituda genérica que se acha gostosona fica se esfregando na cama dos outros! Bem, eu fui fazendo umas escolhas conversando com a Sachi e a Michiru que acabaram não sendo as escolhas que me levariam pras suas rotas, mas eu realmente não sabia que aquela era a hora em que o jogo tava decidindo me enfiar em alguma das rotas, afinal de contas eu mal tive escolhas e a outra que eu tive antes na história não teve impacto em nada. Eu simplesmente pensei que essas escolhas aí também não significavam muita coisa.

Então de repente a Makina queria que o Yuuji, que até então ela tratava como irmão mais velho, fosse o pai dela... E ela tava falando sério, ela ofereceu todo o dinheiro que ela tinha guardado na sua poupança, estamos falando de milhões de ienes porque ela vem de uma família RYCA, meus amigos! Eu pensei que isso ia resultar em alguma cena engraçada e resolvi aceitar o dinheiro da Makina em troca de me tornar o pai dessa criatura. Acontece que... Isso era a escolha da rota dela, quando eu percebi eu pensei "Ahhh... Não era a rota dela que eu pretendia pegar primeiro, mas ok, agora já foi" e acabei continuando então. E eu receio dizer que a rota da Makina é a pior desse jogo, então não foi exatamente uma boa primeira impressão de como as rotas são aqui... Por algum motivo eu vejo muita gente dizendo que a rota da Makina é a melhor rota, ou pelo menos uma das melhores, e eu realmente não entendo qual seria o motivo pra tanta gente gostar.

Sabe como em uma Visual Novel você conhece uma personagem bem superficialmente até entrar na rota dela e começar a conhecer melhor? Na medida em que você vai ficando mais próximo, a personagem em questão se mostra bem mais multifacetada enquanto a sua história e motivos vão sendo revelados pelo jogo, na teoria. Bem... Eu honestamente não sinto que a Makina na rota dela fica muito diferente da Makina que eu vi no prólogo, a única coisa diferente é o fato de que o Yuuji coloca ela pra fazer uns treinamentos militares e assim ela fica mais competente em lutar e se defender, mas a personagem em si não muda ou se desenvolve muito, ela continua sendo uma garota que alterna entre ser carente e precisar de proteção e ser energética e se empolgar ao ponto de falar coisas inapropriadas várias vezes. Diria até que a rota da Makina desenvolve ela ao contrário, porque perto do final ela precisa mais de uma figura paterna pra proteger ela do que nunca, o outro aspecto da personalidade dela que é ser tímida e desajeitada perto de outras pessoas não chega nem a ser explorado direito, o jogo só me diz isso e aparentemente a Makina se abre mais pra sociedade porque chega a conseguir um trabalho de meio-período, mas teria sido bem mais efetivo se mostrassem como essa timidez dela atrapalha nos relacionamentos que ela pode ter com os outros ao invés de só me contarem isso.

Diabos, eu acho que o Yuuji tem mais desenvolvimento na rota da Makina do que a Makina! Muitos aspectos da personalidade e do background dele são revelados nessa rota, a relação dele com a JB e a antiga mestre dele, ele tinha lá as suas incertezas sobre adotar uma garota como "filha" porque ele não faz a menor ideia do que diabos ele precisa fazer pra ser um bom "pai" pra essa garota, e aos poucos ele vai entendendo como as coisas funcionam e se tornando uma figura parental melhor pra Makina. Ainda não mostram todo o background do Yuuji, porque deixam isso pra ser explorado na prequel e na sequência desse jogo, mas deu pra entender muito bem de onde vinham essas inseguranças dele e o modo como ele tentava superar elas enquanto criava a Makina como filha e... Mantinha um romance meio bizarro com ela também. É... Esse aspecto de romance do Yuuji com a Makina nessa história não funciona muito bem não e também nem faria muita diferença se fosse descartado, só torna as cenas de sexo que já são abruptas e estranhas por si só ainda mais estranhas porque a Makina continua chamando ele de "Papa" enquanto ele tá lá socando a sua calabresa dentro dela. A princípio eu achei que esse negócio dele ser "pai" dela iria sumir com o tempo porque ela ia superar e começar a tratar o Yuuji como namorado ao invés de pai, mas... Isso nunca acontece, então é só bizarro mesmo.

Bem, o plot dessa rota gira em torno da família da Makina, que é ridiculamente corrupta e descobre que ela sobreviveu a um incidente do passado que envolveu seu sequestramento e a morte do seu pai, por isso eles querem dar um jeito de forçar a Makina a ser a herdeira da família pra que eles ainda tenham poder dentro do clã Irisu ou algo assim. Honestamente, não é uma história muito interessante, e a antagonista principal que é a mãe da Makina, Irisu Kiyoka, é um lixo de pessoa, sério, é uma das personagens mais detestáveis que eu já vi em qualquer obra de ficção. Quando mostraram todo o background da Makina em uma seção de flashback contando a história do ponto de vista da garota, revelando a verdade por trás do assassinato do pai dela e o motivo dele ter sido morto, eu fiquei tão puto com a Kiyoka que eu honestamente desejei que ela morresse no final dessa rota, ou que pelo menos algo horrível acontecesse com ela. E ela nem é uma pessoa horrível divertida de assistir que nem o Coringa, o Vaas Montenegro ou o Kefka Palazzo por exemplo, ela é uma vilã bem monótona.

Dito isso, a história começa a mudar o foco mais pra ação, com o Yuuji e a Makina fugindo do pessoal do clã Irisu e arrumando maneiras inteligentes de se manterem longe, até que eventualmente a Makina acaba sendo pega sozinha por causa de algo extremamente burro que ela foi fazer e leva um tiro. Ela fica hospitalizada e o Yuuji fica puto por terem feito isso com a "filha" dele, o que leva ele a buscar vingança e bolar um plano pra chegar até onde a Kiyoka está e encher ela de bala, eventualmente ele alcança seu objetivo e tá lá de frente com essa desgraçada morfética pronto pra meter pipoco! Então o jogo me dá uma escolha: Puxar o gatilho e matar a Kiyoka ou não matar. Eu, querendo mais que a Kiyoka tome no meio do seu cu, escolhi puxar o gatilho e assim o Yuuji o fez, só que arbitrariamente na hora de fugir do prédio ele leva um tiro de escopeta e acaba morrendo quando volta pra Makina, o que resulta no final ruim. Se você não matar a Kiyoka, o Yuuji escapa e ainda leva o mesmo tiro, mas por algum motivo ele sobrevive, só perde o movimento de um dos braços e aí a Makina toma o lugar dele como agente da Ichigaya.

Se eu já tava achando a rota da Makina decepcionante antes, esse final me deixou com um puta gosto amargo, eu odeio essas decisões de moralidade forçada em jogos, especialmente quando o vilão que o jogo "não quer" que você mate é um lixo de pessoa sem nada que possa ser redimido. Pior ainda é quando a escolha não tem nada a ver com a consequência, e matar ou não a Kiyoka não tem porra nenhuma a ver com o Yuuji sobreviver a um tiro que ele leva depois ou não, inclusive a cena dele escapando depois dessa escolha é exatamente a mesma, é completamente forçado e arbitrário esse final. Já é ruim o suficiente do jeito que é, mas o final "bom" da rota da Makina nem ao menos resolve os problemas e conflitos estabelecidos antes na rota: A Makina continua tratando o Yuuji como pai e não supera o que aconteceu com o pai de verdade dela, a Kiyoka ainda tá viva e possivelmente vai voltar a perseguir a Makina, a meio-irmã da Makina continua sendo um fantoche do clã, a Ichigaya agora de repente tá do lado do Yuuji e da Makina mesmo tendo passado boa parte da rota perseguindo eles também, a JB simplesmente fez eles pararem de alguma forma... Eu não senti que nada foi concluído com esse final. Ah, e por algum motivo a Makina tá grávida no final ruim com o Yuuji morto enquanto no final bom ela não tá, isso foi uma bosta! Se não fosse pelo flashback da Makina e o desenvolvimento do Yuuji, eu diria que essa merda é completamente vazia e sem propósito, uma péssima rota com dois péssimos finais possíveis. É uma pena, porque eu gosto da Makina como personagem e ela tem algumas das melhores cenas do prólogo, mas foi muito mal aproveitada nisso.

Depois de terminar a rota da Makina, eu fiquei receoso quanto as outras, porque se elas seguirem os mesmos passos... Wow, esse jogo vai ser ruim. Felizmente, a rota da Makina é a exceção e não a regra, e apesar de eu ter tido alguns problemas com as outras rotas, nenhuma delas chegou a ser ruim e/ou a me deixar tão insatisfeito quanto a da Makina.


Então a minha segunda rota foi a da Yumiko, que originalmente era a que eu queria pegar como primeira rota. Eu tinha uma espécie de relação de amor e ódio com ela durante o prólogo, geralmente gosto de personagens mais quietos e reservados porque eu sou uma pessoa quieta e reservada e também me dou melhor com pessoas desse tipo, mas por outro lado eu meio que odiava o fato de que a Yumiko sempre me ameaçava com esse estilete que ela carrega pra lá e pra cá. Ainda assim, eu queria saber qual é a dela e também acho que ela é a que mais combina com o Yuuji entre essas garotas, ele também é um personagem bem reservado e estoico, apesar de ter um senso de humor fodido, então o romance dessa rota pode ser o melhor. Então... Sim, eu acertei quanto ao romance do Yuuji com a Yumiko ser o melhor escrito do jogo, mas agora o plot dessa rota em si... Ehhh...

De certa forma, o conceito é parecido com o da rota da Makina: A personagem é membro de uma família poderosa e corrupta que é dona de uma organização grande e que vai atrás dela por motivos políticos. Não, é só a Makina e a Yumiko que são de famílias poderosas mesmo, as outras são bem mais simples em comparação. Dessa vez o antagonista é o pai da Yumiko, Sakaki Michiaki, dono do setor financeiro da Companhia de Ferrovias Elétricas da Costa Leste e também o chefe e fundador da Academia Mihama, a Yumiko não gosta nem um pouco desse maluco e ele inventa um plano pra trazer ela de volta pra ele que até hoje eu não sei como diabos ele pensou que seria uma boa ideia ou como sequer fez sentido na cabeça dele. Olha só: O plano dele é fazer uns caras irem atrás da Yumiko pra fazer ela se assustar e querer voltar pra sua família onde vai se sentir mais protegida. Porém, Michiaki contrata a Ichigaya pra agir como guarda-costas da Yumiko e é aí que o Yuuji acaba entrando no meio da história porque ele fica com a tarefa de vigiar a Yumiko e acaba seguindo ela pra lá e pra cá, o que irrita ela a princípio, porém os dois vão se entendendo um pouco melhor com o tempo.

Então eventualmente o Yuuji começa a lutar contra os capangas do Michiaki que foram lá fingir que iam raptar a Yumiko, e por causa disso ela meio que começa a se apaixonar por ele, porque essa foi a primeira vez que alguém ficou do lado dela e tentou protegê-la em um momento crítico, mas ele não particularmente sente o mesmo por ela. Então continua nessa dos capangas chegarem pra raptar a Yumiko e o Yuuji chutar a bunda de geral até que o Michiaki vê que esse plano é uma retardadice sem tamanho porque ela só tá ficando mais próxima do Yuuji do que qualquer outra coisa, daí ele manda a Ichigaya suspender a tarefa de guarda-costas do Yuuji e assim separar ele da Yumiko, o que ele acata e assim para de segui-la. Porém, a Yumiko não gosta disso porque ela quer que ele fique junto com ela, então ela resolve usar o próprio dinheiro pra contratar o Yuuji como guarda-costas, o Michiaki fica putasso com isso e começa a mandar mais capangas que vão ficando cada vez mais perigosos, e chega a um ponto onde o Yuuji e a Yumiko acabam fugindo pra outra cidade e passam a viver juntos em um apartamento, e é a partir daí que o romance entre eles começa a se desenvolver.

No decorrer da história também tem uma seção de flashback que conta a história do passado da Yumiko do ponto de vista dela, basicamente todas as rotas tem um momento assim pra garota principal dela e todas essas seções de flashback são muito boas, até a da Makina que tem a pior rota do jogo. Eu não quero dar muito spoiler dessas coisas, as histórias por trás das personagens de Grisaia no Kajitsu e como elas adotaram suas atuais personalidades são todas bem interessantes, a da Yumiko conta sobre o conflito interno pelo qual a família dela passava, o "problema" dela ser uma herdeira mulher quando o Michiaki queria um herdeiro homem porque ele é um machista escroto que não acha o clinton, a mãe dela que fica doente, incapaz de gerar outro filho e psicologicamente abalada com a situação toda, os estudantes que tinham amizades extremamente falsas com ela, etc. E diferente da Kiyoka, o Michiaki é um cuzão, mas ao menos eles se importaram em adicionar mais coisas à caracterização dele nesses flashbacks, ele tem motivações bem melhores pra agir como ele age, no fundo ele sabe que ele é uma má pessoa e até se sente mal por ter que fazer isso, ainda existe alguma humanidade dentro dele e ele realmente se importa com a sua filha apesar de tudo. O Michiaki sim seria um personagem que se me dessem a escolha de matar ou não, eu ficaria meio hesitante no fim das contas depois de saber tudo sobre ele.

De qualquer forma, a Yumiko e o Yuuji vão ficando bem mais próximos nesse período em que eles vivem sozinhos juntos, eles se entendem por terem um bocado de coisa em comum um com o outro, porém a Yumiko ainda é cheia de inseguranças sobre si mesma, principalmente porque o Yuuji vai trabalhar enquanto ela fica em casa e não faz muita coisa, e aí a atitude de kuudere dela vai se desmoronando e dando lugar a algo igualmente preocupante porque ela pensa que ela é inútil e tal. Eu consigo achar isso relacionável porque eu me senti assim por um tempo depois de terminar o ensino médio, fiquei meio sem rumo na vida e só ficava em casa sem fazer nada enquanto o meu pai ia trabalhar, não é uma sensação muito boa. Mas é um romance bem satisfatório, o Yuuji também tem suas inseguranças e, assim como ela, não tem total certeza de como lidar com o fato de que ele passou tanto tempo sozinho e agora tem alguém que tá sempre do lado dele, então os dois meio que se apoiam, a Yumiko vive pedindo desculpas até quando não era necessário e eventualmente isso muda pra um padrão melhor onde os dois ficam sempre gratos por estarem ali um pro outro, é realmente tocante.

Infelizmente nós temos que voltar pro plot alguma hora, mas pelo menos a parte mais estúpida já se foi, e assim como em todas as outras rotas, você tem uma única escolha que pode te levar a um final bom ou um final ruim. Bem, pra mim o final ruim da Yumiko tá mais pra final neutro, é tipo uma versão um pouco melhor do final bom da Makina... Aliás, é bem retardado como fugir da sua família problemática sem resolver as coisas é tratado como um final bom na rota da Makina, só que na da Yumiko é um final ruim mesmo tendo uma conclusão melhor, mas foda-se. O final bom é satisfatório o suficiente, porém... Eu achei que foi meio conveniente demais o modo como o Michiaki de repente acabou se revelando uma pessoa semi-decente o tempo todo, pareceu até meio rushado porque não teve nenhum build-up e nem nada do tipo, mas eu aceitei porque essa parte da história me fez sentir ao menos alguma simpatia por ele, e mais importante, ainda faz sentido com o resto da história! A Yumiko eventualmente viu algo bom em si mesma apesar de toda a merda pela qual ela passou, logo ela ir confrontar seu pai, que ela passou todo esse tempo odiando e agora acredita que ele também deve ter algo de bom, é bem lógico.

Enfim... Isso é a rota da Yumiko, um belíssimo romance montado em cima do que é talvez o plot mais estúpido dentro desse jogo, e com certeza vale a pena jogar pelo romance, ainda que demore um pouco demais pra ele começar a ficar bom, quando fica é uma maravilha. Ainda assim tem algumas cenas legais antes dos dois passarem a viver juntos, a parte quando a Yumiko demite o Yuuji por ter medo dele acabar sendo morto pelos guardas e concordar em ir até onde o pai dela está, pra então o Yuuji não aceitar essa merda e ir até o aeroporto onde ela vai partir primeiramente de bicicleta, depois pegando um carro de um cara qualquer que tava passando por aí e jogando um peru na turbina do avião onde a Yumiko tava foi hilária. Mas... É, o ritmo dessa rota não é o melhor de todos e o final bom podia ter sido melhor construído, mas ainda assim foi bem melhor do que a rota da Makina, em matéria de romance essa é facilmente a minha rota favorita do jogo.


A terceira rota que eu peguei acabou sendo a da Michiru, a tsundere que durante o prólogo foi mais uma personagem de comic relief do que qualquer outra coisa porque ela obviamente não é uma tsundere de verdade. Eu fiquei curioso pra ver o que caralhos iam fazer com essa personagem, porque o contraste entre o prólogo que é mais descontraído e engraçadinho e as rotas que mostram umas histórias bem mais sombrias em comparação é bem aparente, eu não conseguia imaginar algo sério vindo da Michiru, então a rota dela talvez seja algo mais bobinho e levado pro lado da comédia também. Bem... Foi aí que eu me enganei, puta merda, eu nunca estive tão enganado na minha vida! Bem, provavelmente eu já estive mais enganado do que isso antes na minha vida, mas foi uma hipérbole, ok?

De qualquer forma, não é como se a rota da Michiru ficasse sombria e séria a partir do momento em que eu escolho entrar nela ou algo assim. No momento as coisas são meio cômicas também, só que o Yuuji vem reparando que em certas ocasiões a Michiru age de um jeito mais sério e bem diferente da versão "normal" aspirante a tsundere dela, e isso fica mais óbvio ainda depois que a Michiru aparentemente pede pro Yuuji beijar ela porque ela nunca beijou ninguém antes. Porém outro dia quando o Yuuji vai falar com a Michiru a respeito disso, ela não faz ideia do que diabos ele tá falando e pede pra ele chegar ao ponto sobre o que eles fizeram antes, e é aí que o Yuuji decide beijar ela pra demonstrar de forma literal e aí ela fica completamente embaraçada com isso. Mais depois, todas as outras garotas resolvem passar o período de férias fora da escola, deixando o Yuuji e a Michiru convenientemente sozinhos por lá, o que acaba fazendo com que os dois interajam mais um pouco e a Michiru venha com uma ideia estranha de começar a ir a encontros com o Yuuji, porém são encontros de mentira, só uma brincadeirinha inofensiva pra passar o tempo, é claro! N-não é como se ela tivesse se apaixonado pelo Yuuji ou algo assim... B-baka leitores!

Bem, como é de se esperar, esses encontros "de brincadeira" são incrivelmente desconfortáveis a princípio, afinal os dois têm pouquíssima experiência com esse tipo de coisa, mas isso não impede eles de se divertirem ocasionalmente, e aquele clima meio zoado dos primeiros encontros acaba sumindo com o tempo. Porém, o Yuuji meio que começa a ficar cansado disso, até que ele conversa com a "outra" Michiru que pede a ele que continue fazendo companhia pra garota, e então a esse ponto já fica bem claro que a Michiru tem dupla personalidade. Parece que existem duas almas dentro do corpo dela e quando a "outra" Michiru toma conta a original não lembra desse período, o que até o Yuuji diz que parece ridículo. Sim, a rota da Michiru tem esse elemento meio sobrenatural sobre ela ter duas personalidades que depois acaba sendo revelado como algo um pouco mais absurdo do que um mero caso de dupla personalidade, e é bom que você prepare pra suspender um bocado a sua descrença... Acredite, vale a pena suspender a descrença pra isso, a rota da Michiru é muito boa, se a da Yumiko teve o melhor romance, essa aqui tem os melhores elementos psicológicos.

Diferente das duas rotas anteriores, a da Michiru não tem nenhum vilão, não existe nenhum plot com politicagens desinteressantes e nem nada do tipo, o maior "vilão " da rota da Michiru talvez seja até ela mesma. Por trás da atitude de tsundere e da dupla personalidade, existe uma garota perturbada com uma auto-estima quase inexistente por causa do passado dela, e a outra Michiru vem tentando ajudar ela há tempos. Inclusive, fica implicado que o gato de rua lá do prólogo, que também aparece nessa rota e sempre fica junto da Michiru quando pode, na verdade foi encontrado por essa outra Michiru e ela quis que a verdadeira se apegasse ao gato pra ter um companheiro. A Michiru apelidou o gato de Kittymeow no começo, mas ela nunca realmente deu um nome ao gato porque diz que tem medo de criar um laço com ele e depois perdê-lo, mesmo assim o Yuuji acredita que o gato vai fazer bem pra ela e até brinca dando o nome Rommel pra ele em uma tentativa de forçar ela a nomear o bicho, então a Michiru resolve nomear ele de Meowmel.

O tempo vai passando, o Yuuji e a Michiru ficam mais próximos, as outras garotas também voltam das férias eventualmente e parece que tá tudo ok como modo como as coisas vão caminhando. No entanto, a Michiru começa a tomar conhecimento dessa outra versão dela, o que faz ela ficar ainda menos confiante em si mesma, já que quem andou resolvendo os problemas dela esse tempo todo não era ela e sim uma outra pessoa mais competente, e em uma dessas discussões que ela teve com o Yuuji por causa disso, ela acabou espantando o gato pra longe sem querer. Os dois procuram o gato e... As coisas não acabam muito bem. O gato acaba sendo atropelado, a Michiru fica desesperada e os dois tentam levar ele pra um veterinário o quanto antes, porém o gato morre no meio do caminho ainda no colo da Michiru. Argh, sem brincadeira, essa cena me partiu o coração! Em 2012 eu tive que sacrificar o meu cachorro que tava com Leishmaniose, ele era preto que nem o gato da Michiru e morreu no meu colo enquanto esperava a coisa lá que o veterinário injetou nele fazer efeito, deu pra sentir exatamente o momento em que a respiração fraca dele parou e a vida dele se foi, então eu realmente senti um desconforto da porra vendo uma cena dessas nesse jogo.

Obviamente, a Michiru se culpa pela morte do gato e fica deprimida pra caralho, ao ponto de tentar cometer suicídio através de overdose de calmantes que ela tomava desde o começo do jogo e fingia ser balas de ramune. Yuuji impede que ela consiga se matar e dá uma bronca nela por essa merda que ela tentou fazer, e o resto dessa rota é meio que deprimente porque a Michiru tenta mesmo agir como se estivesse tudo bem, mas ela não consegue e acaba sempre voltando a ficar pra baixo, nem a outra Michiru parece conseguir fazer muita coisa a respeito disso. Bem, eu não quero dar spoilers do resto dessa rota porque essa reta final é a melhor parte dela, começam a mostrar o background da Michiru através do que é a minha segunda seção de flashback favorita do jogo, a situação dela é bem mais grave do que parece e a justificativa pra ela ter adotado essa personalidade de palhaça tsundere é bonitinha, mas meio triste ao mesmo tempo. Todo o negócio das duas personalidades diferentes dela também é explicado... Mas, como eu disse antes, é algo meio absurdo e sobrenatural, então você vai ter que suspender a sua descrença, e eu honestamente não sei como eu me sinto sobre isso ainda, mas digo que eu ia preferir se ela só tivesse desenvolvido um distúrbio de dupla personalidade mesmo, seria mais fácil abordar esse tema de mudanças psicológicas associadas a traumas emocionais dessa forma. Eh, tanto faz, essa rota continua sendo ótima.

Não tem muito romance nessa rota porque ela é mais sobre o Yuuji tentando entender o que se passa com a Michiru e ajudando ela a resolver o problema como puder. O final bom é satisfatório e o final ruim... Bem... O final ruim da rota da Makina me deixou nervoso por ser mal executado, o da rota da Yumiko me deixou indiferente porque não é tão ruim assim, apesar de não ser exatamente feliz também, é mais neutro do que qualquer coisa. O final ruim da rota da Michiru, no entanto... Wow, acho que eu não via um final alternativo de Visual Novel tão deprimente assim desde o final neutro da Rin em Katawa Shoujo, e a escolha que leva pra esse final ainda é meio traiçoeira, a opção pode até chegar a parecer a certa pra alguns, mas ela leva pra nada além de miséria no fim das contas. Enfim... A rota da Michiru foi surpreendentemente boa, de fato, é a minha rota favorita desse jogo e também a única que eu não tive a impressão de que demorou mais do que precisava pra chegar ao ponto logo, apesar da Michiru em si não ser a minha garota favorita. Vou deixar vocês tentarem adivinhar qual é até eu terminar a falar das rotas.


Então a próxima foi a Sachi... Também não conseguia ter ideia do que diabos iam fazer com ela, mas a rota da Michiru me ensinou que personagens comic relief podem ser deprimentes, então me preparei pro pior nessa. Bem, a rota da Sachi é meio complicada de falar sobre pra mim, no sentido de que eu não consegui me relacionar tanto assim com ela ou com a história dela, e embora a ideia seja interessante, a solução pro problema dela foi tão simples que eu me perguntei por que diabos não fizeram isso logo ao invés de ter todo esse processo que teve na história toda dessa rota. Mas eu tô me adiantando demais aqui, vamos por partes.

No começo do jogo mesmo quando o Yuuji conhece a Sachi pela primeira vez, assim como a Amane, ela tem uma reação meio peculiar quando ele se apresenta falando seu nome completo, então Sachi pergunta se pode chamá-lo de Yuu-kun, o que é estranho. Outra coisa que fica bem clara é que a Sachi obedece qualquer pedido que alguém fizer a ela, não importa qual seja, ela chega a interpretar até de forma literal, o que no prólogo foi usado mais pra fins de comédia assim como a atuação de tsundere da Michiru. Porém, na medida em que a história avança, a Sachi vai obedecendo cada coisinha que os outros mandam e começa a falar sobre como ela tá sendo uma "boa garota" dessa forma, o que fica cada vez mais preocupante quando ela passa a falar isso com mais frequência. Obviamente tem alguma coisa errada com essa garota, bicho!

Bem, o Yuuji tenta fazer com que a Sachi entenda que as coisas não são tão simples assim, que ela não pode simplesmente obedecer todo mundo pra ser uma boa garota e caso contrário ela é uma má garota, porque a porra do mundo não funciona assim! As coisas não são preto e branco dessa forma, existem tons de cinza... Não 50 porque aí essa Visual Novel vai se tornar um livro ruim e ninguém quer isso, mas essa visão simplista dela tem que ir. Eu vou ter que spoilear a história da Sachi aqui pra que você entenda o ponto ao qual eu quero chegar sobre essa rota, o que é uma pena porque o background dela também é muito bom, mas ok. Sachi era uma garotinha que morava feliz com os seus pais e tinha tudo do bom e do melhor, porém depois de um certo tempo, seus pais começaram a ficar mais ausentes, passando mais tempo focados no trabalho e dando cada vez menos atenção pra garota, o que deixou ela magoada e a fez pensar que seus pais não gostam mais dela.

Certo dia em um parquinho, Sachi acabou encontrando um garoto chamado Yuuji, que também tava tendo problemas com seus pais porque ele simplesmente não consegue ser tão incrível quanto a sua irmã, Kazuki. Então Sachi e Yuuji ficaram amigos, através dessa amizade os dois recebiam a atenção e o afeto que seus pais não os davam durante aquele período, só que o Yuuji também começou a sumir, os encontros com ele no parque começaram a ficar menos frequentes e assim a Sachi voltou a ficar triste, porque o décimo aniversário dela tava chegando e eles tinham prometido se encontrar nesse dia, o que acabou não acontecendo. No entanto, os pais da Sachi foram comemorar o aniversário dela com ela, sendo estranhamente gentis e atenciosos com ela, o que fez ela dar um faniquito e sair correndo porque achou que isso era afeto insincero. Os pais da Sachi foram correndo atrás, eventualmente encontraram ela, só que quando corriam na direção dela, tiveram o azar de entrar na frente de um caminhão no meio da rua sem perceber. O pai da Sachi morreu na hora com o atropelamento, mas a mãe ficou em um estado vegetativo, as últimas palavras dela foram "Sachi, por que?" antes de entrar em coma.

Por causa desse incidente, Sachi ficou traumatizada e se culpou pela morte dos seus pais, colocando na cabeça que essa tragédia podia ter sido evitada se ela não tivesse se irritado com os pais dela e os desobedecendo fugindo de casa. Dessa forma, ela concluiu que nunca mais vai desobedecer alguém de novo, sendo essa a maneira de expiar e virar uma "boa garota" que segue ordens sem questionar e nunca comete o "pecado" da desobediência, e com o tempo ela chega até a ter memórias desse incidente voltando e fica meio zoada da cabeça. O Yuuji então decide que vai retribuir o favor que ela o fez no passado a ajudando a se livrar disso, dessa forma ele começa um relacionamento romântico com ela e cria um plano onde ela obedece uma ordem, porém se arrepende depois, pra que ela perceba que não pode continuar assim. Eventualmente o Yuuji deixa ela plantar explosivos na escola e mandar ela pelos ares só porque a Michiru disse que não queria fazer provas, e então a Sachi se arrepende, obviamente.

A Sachi deixou a atitude de "boa garota" de lado depois disso, só que ela continua atormentada pelo passado, que é a fonte de todos os problemas dela. Então o Yuuji consegue do tio da Sachi, que ficou com a guarda dela desde a morte dos pais, a chave do local onde os pais dela trabalhavam, então ela vai lá, vê um monte de fotos bonitinhas e uma carta dos pais dela que mostra que eles sempre amaram ela e querem vê-la feliz, então ela fica feliz de vez e volta pro Yuuji, ao menos no final bom. No final ruim, por algum motivo quando você faz uma escolha diferente, ela aleatoriamente volta pro Yuuji, que por algum motivo agora não seguiu ela até o local, vai correndo na direção dele e acaba morrendo exatamente como os pais dela morreram... Não sei o que diabos o autor disso queria que eu pensasse, mas eu achei esse final engraçado, desculpa. Agora o final bom... Bem, é um final bonito e tudo mais, só que eu não faço ideia de por que diabos teve esse trabalho todo de fazer a Sachi explodir a escola pra se arrepender depois, sendo que a fonte do problema sempre foi o fato de que ela se culpou pela morte dos pais e pensa que eles não gostavam de verdade mais dela. Diabos, o tio dela que tava com a chave e sabia o que tinha na sala lá esse tempo todo podia ter só mostrado isso pra ela e pronto, é melhor do que deixar ela desse jeito e mandar pra uma escola feita pra arquétipos de anime traumatizados com passados horríveis!

É por isso que eu fiquei meio "ehhhh" com a rota da Sachi, é um conceito interessante, tem uma boa história e um romance bem decente, mas a resolução meio que tornou todo o processo de "consertar" a Sachi via um meio tão extremo parecer besta e desnecessário. É um daqueles casos onde a história é boa até chegar no final que de alguma forma a torna bem menos satisfatória em retrospecto, ainda assim não é uma rota que eu consideraria ruim, só... Desnecessariamente complicada, eu até ia preferir que deixassem ambíguo se os pais da Sachi foram sinceros lá no dia do aniversário dela ou não, se eles morreram com algum ressentimento e dessem um final pra história depois que ela decide explodir a escola. Já que o final ruim parece forçado lá só pra ter um final ruim, bota alguma escolha armadilha que faz a Sachi querer explodir a escola, mas perceber que se apegou a essa escola e por isso quer ir pros ares junto, pelo menos faria mais sentido do que dar a ela a mesma morte que os pais dela tiveram porque sim. Acho que é isso... Eu não odiei a rota da Sachi, de qualquer forma, foi ok.


E por último, mas não menos importante, a rota da Amane. Sabe por que eu deixei essa por último? Porque eu não gosto de garotas fáceis, e pra entrar na rota da Amane eu tinha que simplesmente obedecer o pedido dela e beijá-la! Que graça tem nisso, porra? Cadê o desafio de ter que me esforçar pra conquistar o coração dessa digníssima dama ruiva tetuda que estuda na mesma escola que eu? E se ela se ofereceu tão fácil assim pra mim, com certeza ela vai acabar pegando outro homem com a mesma facilidade, essa... Essa puta imoral e promíscua que já deve ter dado pra todos os homens de Mishima e todas garotas da escola e abortado umas 50 vezes, e fica postando foto fazendo cara de ahegao no facebook pra farmar aquele monte de otaku virjão pra ser escravo! Fica longe de mim, sua merdalher attention whore do caralho!

Ok, agora falando sério... Eu deixei a rota da Amane por último porque um amigo meu disse que é a melhor rota e que também é perfeita como conclusão pra fechar todos os elementos da história que ainda ficaram em aberto depois de jogar as outras rotas, então eu decidi confiar nele. Dito isso... Bem, pelo menos a rota da Amane não perde tempo pra começar com romance, no fim das contas a Amane tava só brincando com o pedido do beijo, mas o Yuuji resolveu forçar um beijo pra cima dela pra mostrar que esse tipo de brincadeira pode ser perigoso. Então depois disso eles têm uma pequena conversa sobre esse beijo e o Yuuji diz que aceita ela como namorada, porém não vai ter como ser um bom namorado pra ela devido ao seu "trabalho misterioso" que vai tomar boa parte do tempo dele, e que se ele sumir de repente, é pra ela esquecer dele. A Amane aceita essas condições depois de confirmar que o Yuuji realmente a ama, e então eles começam a namorar a partir de agora, e só essa cena em particular já mostra que a Amane é bem mais tímida e ansiosa do que ela deixa parecer, pelo modo como ela fica sem jeito depois do Yuuji beijar ela, quando os dois concordam em namorar ela fica tão nervosa que não consegue ficar em pé e precisa sentar na cama dele, e então ele tem que carregar ela até o quarto dela.

Agora com o relacionamento amoroso oficialmente estabelecido, Yuuji e Amane então passam mais tempo juntos e ela continua sendo excepcionalmente bondosa com ele, também mostrando preocupação com a possibilidade de que ele pode simplesmente desaparecer alguma hora. O próprio Yuuji comenta que ela chega até a ser conveniente demais, só que ele acaba só atribuindo essa suspeita ao fato de que ele não tem uma boa auto-estima e acha estranho quando alguma outra pessoa acaba sendo gentil demais com alguém como ele. Acontece que a Amane também não é exatamente segura de si mesma, ela quer ser uma namorada "pefeita" pro Yuuji e tem medo de qualquer chance disso dar errado, até mesmo da possibilidade de que o Yuuji acabe traindo ela com outra e assim os seguidores dela no Facebook passem a chamá-la de cuck. Pra impedir isso, a solução que a Amane procurou foi fazer com que o Yuuji a coma de jeito, e eles transam... Várias vezes, essa deve ter sido a rota onde o pessoal da Front Wing acabou lembrando e falando "Ô porra a gente é desenvolvedor de jogo hentai!" e então enfiaram diversas cenas de sexo em diversos contextos, chega até a parecer um filme pornô, honestamente.

Eventualmente, Yuuji, Amane e as outras garotas vão a um daqueles festivais onde elas vestem yukatas e no meio da diversão toda ele acaba escutando umas garotas se referindo à Amane como uma "barata" e ficando curioso quanto ao motivo disso. Agora que a Amane tem mais confiança no Yuuji, ela acaba revelando quais são os verdadeiros motivos dela agir da maneira que ela age, e por que ela vem tratando exclusivamente o Yuuji dessa forma tão gentil desde o começo do jogo. Como você já deve prever, essa é a história do passado da Amane e o que levou ela a estudar em Mihama, mas não só isso, ela também era amiga da Kazuki, a irmã do Yuuji que nas outras rotas só foi mencionada em umas cenas aqui e ali. Finalmente eu vou saber quem diabos era essa garota e por que ela é tão importante assim!

Basicamente... A segunda metade da rota da Amane inteira é o Yuuji lendo o diário dela que conta a história de um incidente onde Amane, Kazuki e as garotas da sua sala voltavam de uma excursão, porém o ônibus acabou ficando desgovernado e caiu de um barranco direto pra uma floresta logo abaixo, duas pessoas morreram só com a queda e outra morreu poucos minutos depois, as garotas e o professor que tava junto não tinham meios de contatar as pessoas de fora da cidade, então precisavam encontrar um caminho pra fora enquanto tentam sobreviver de qualquer forma possível. Eu disse que a seção de flashback da Michiru é a minha segunda favorita do jogo porque essa aqui é a minha favorita definitivamente, é de longe a mais intensa e sombria do jogo todo, não vou dar spoilers grandes, porém... Eu tenho um problema com uma certa coisa sobre essa história, e esse problema se chama Kazami Kazuki. A Kazuki é basicamente uma Mary Sue, pra quem não sabe, Mary Sue é um termo usado pra descrever uma personagem "perfeita" ao ponto de parecer idealizada e sem nenhuma grande falha, e ela se encaixa exatamente nessa descrição: Tirava notas perfeitas na escola, todos amavam ela e a consideravam um gênio inigualável, ela também sabe o que fazer pra sobreviver nesse ambiente hostil da floresta e até consegue traçar uma rota de escapatória! O meu problema com a Kazuki é que, além dela ser esse tipo de personagem que eu não gosto muito, ela não avisa ninguém exceto a Amane sobre essa rota que ela descobre, e não parece ter nenhum motivo em particular pra isso, todo mundo acaba morrendo aos poucos por circunstâncias diferentes e ainda assim a Kazuki não ajuda nem a dar um pouco de esperança pra eles falando sobre isso da rota. A única justificativa aparente é que ela não tinha certeza se a rota toda daria num caminho pra fora até tudo ficar na pior, mas... Porra, pelo menos avisa que há uma possível rota pra fora da floresta, isso com certeza impediria muita coisa ruim que acabou acontecendo nessa parte do jogo!

De qualquer forma, a Amane acaba sendo a única sobrevivente e sente uma imensa culpa por isso, então quando ela soube que o Yuuji é o irmão da Kazuki, ela quis cuidar dele pra compensar o "pecado" que ela teve de sobreviver ao incidente que matou tantas pessoas, inclusive a Kazuki. Então ela nunca realmente se apaixonou pelo Yuuji à primeira vista como disse que o fez no começo, ela só viu no Yuuji a figura que poderia "puní-la" por ter sobrevivido a isso, ela queria compensar o fato de que a Kazuki não está aqui por causa dela e por isso se forçou pra cima do Yuuji esse tempo todo, só que transar com ele o tempo todo acabou a deixando feliz, e isso não era bom porque pra ela, ela não merecia ser feliz, então ela chega até a pedir ao Yuuji que a mate. Obviamente, ele se recusa a matar a Amane porque a esse ponto ele realmente a ama e quer fazer com que ela entenda que a única pessoa que precisa perdoá-la é ela mesma, e eventualmente os dois vão até o vale onde o incidente ocorreu pra procurar algum tipo de "tesouro" que a Kazuki deixou, eventualmente eles entram em conflito com um caçador que se revela como o pai de uma das garotas que morreram no incidente e o cara quer matar a Amane por ter "matado" a sua filha. É ali que, novamente, as coisas ficam convenientes demais e o "tesouro" da Kazuki era uma faca, porque aparentemente ela previu que essa exata situação ia acontecer e a Amane precisaria dessa faca... Vai chupar um cavalo, Kazuki! A culpa disso tudo é sua e você ainda vem com "ai ai ai ui ui ui olha como eu sou a Kazuki sou perfeita em tudo eu até prevejo coisas que vão acontecer anos depois com exatidão eu sou um gênio" mesmo depois de estar possivelmente morta! Mas que caralho, viu...

Bem, a escolha que leva ao final bom ou ruim é feita exatamente nesse momento da história, o final ruim não é nem um pouco agradável, enquanto o final bom é o mais conclusivo de todas essas rotas mesmo, sério, tem o maior time skip de todos, tudo é fechado apropriadamente e a história termina de forma tão pacífica que realmente eu fiz certo em deixar essa rota por último. Foi uma boa rota, a primeira metade não foi lá a coisa mais interessante do mundo pra mim porque eu tava ficando enjoado de tudo acabar virando desculpa pra transar depois de um tempo, mas a segunda metade e o final bom mais do que compensaram isso. Embora eu tenha lá meus problemas com a Kazuki e o modo como ela foi escrita na história, eu consigo ignorar isso sem muito esforço porque é tão boa assim essa parte da rota, minha segunda favorita depois da rota da Michiru.

A propósito, a minha garota favorita é a Yumiko, provavelmente tava óbvio antes de eu revelar, mas ok.

"Ai André mas você se incomoda com a Kazuki e não fala nada do Yuuji e de como ele sempre sabe exatamente o que fazer pra ajudar as garotas. É só porque ela é mulher e ele é homem, né? Seu machista misógino coxinha bolsominion de merda!"

É eu tava querendo deixar isso pra depois de discutir as rotas e as personagens principais dela, e já que você quer tanto assim que eu faça isso... Ok, vamos falar do Yuuji então.


Sim, o Yuuji meio que é um Gary Stu, que é basicamente a Mary Sue, só que homem. Yuuji é bom em combate corpo a corpo, táticas de combate militar e manuseio de armas, porque na verdade tem toda uma carreira militar vivida antes de estudar em Mihama, ele não parece se esforçar muito pra ajudar as garotas a resolverem seus problemas nas suas rotas, o que o torna um pouco conveniente demais e também faz com que o jogo tenha uma certa deficiência de momentos onde a garota e o protagonista acabam tendo algum tipo de conflito um com o outro. Apesar dele ter uma certa dificuldade em entender exatamente o problema em casos como a Michiru e a Amane, assim que ele acaba entendendo, ele faz exatamente as coisas necessárias que tornam a resolução do problema possível... Umas até meio extremas demais, como na rota da Sachi, que inclusive eu já disse que não precisava ter feito aquilo e ele podia simplesmente ter mostrado aquela sala lá pra ela assim que descobrisse qual o problema.

Esse tipo de protagonista não é meu favorito, na verdade eu até odeio protagonistas assim porque eles costumam eliminar qualquer potencial tensão que um conflito grande na história geraria. E eu não sou o único, se você pegar um monte de pessoas que odeiam Sword Art Online e perguntar pra elas por que esse anime é uma merda, com certeza uma das primeiras coisas que elas vão mencionar é o protagonista, Kirito, que é basicamente um deus dentro dessa história toda. Claro que o Kirito não é o único problema com Sword Art Online, mas vamos deixar isso pra discutir outro dia. Dito isso, o Yuuji com certeza não é um Kirito da vida, primeiro porque apesar da Garystuzice, ele ainda é um personagem que em diversos momentos demonstra insegurança, o senso de humor dele também o ajuda a ser ao menos divertido de acompanhar, e mais importante: A história não fica repetidamente me falando sobre o quão incrível o Yuuji é caso eu não tenha percebido. Agora a Kazuki até em outras rotas pareceu ser essa pessoa que tá simplesmente em outro nível comparado com o resto da humanidade, e em comparação com o Yuuji ela é extremamente monótona, ela não tem o senso de humor e nem as ideias malucas que o Yuuji acaba tendo, então ela é só uma Mary Sue rasa mesmo.

Então eu admito sim que o Yuuji é um Gary Stu, porém ele é um dos poucos casos aceitáveis disso pra mim e o desenvolvimento pelo qual ele passa nas rotas é bem decente, mas se você por acaso odeia ele por esse aspecto, eu realmente não tenho o que defender. O background dele não é totalmente explorado porque os outros dois jogos da série, Grisaia no Meikyuu e Grisai no Rakuen, fazem isso, mas se você só tiver jogado esse aqui... É, o Yuuji não é totalmente explorado, então ele acaba sendo talvez um personagem raso comparado com as outras garotas.

Mas o meu maior problema com Grisaia no Kajitsu não é o Yuuji, nem mesmo a rota da Makina que é uma bosta ou as falhas de roteiro em certos momentos da história... Meu maior problema com esse jogo é o seu worldbuilding. Pra quem não sabe o que é isso, se trata de como o mundo onde a trama se passa é construído, de modo que as coisas funcionem sem a presença ou influência do protagonista, e Grisaia no Kajitsu tem um worldbuilding bem ruim pra se dizer o mínimo.

Nesse mesmo mundo, você tem duas personagens que pertencem a famílias poderosas que acabam chegando a situações onde elas exigem que essas personagens voltem pra elas e uma garota que vem sendo stalkeada por um pai maluco que tá afim de matá-la... Mas nada disso acontece fora das rotas específicas dessas garotas, por algum motivo o Michiaki não vai atrás da Yumiko a menos que você entre na rota da Yumiko, caso contrário a história progride normalmente e inclusive ela tá lá de boas na dela sem ninguém incomodar, o mesmo vale pra Makina e pra Amane que nunca é caçada pelo pai da garota lá a não ser que seja na rota específica dela. Por que? Esses personagens antagonistas simplesmente desistem dos seus objetivos? Elas conseguiram lidar com esses problemas sozinhas em offscreen? Não faz sentido, não tem como todos esses elementos se encaixarem em uma narrativa consistente porque eles dependem do Yuuji ser parte da história pra acontecerem e serem resolvidos, esse aspecto do jogo é de longe o mais mal escrito e planejado também, tanto que as sequências ditam que canonicamente o Yuuji ajudou todas elas, mas sem ter romance com nenhuma, que é o que acontece de forma rushada no anime e ainda assim é meio absurdo que tudo isso tenha acontecido em apenas alguns meses, no mínimo um ano, que é o tempo em que a maioria das rotas se passam.

Sim, é comum em Visual Novels que envolvem romance você acabar escolhendo uma garota enquanto as outras continuam com seus problemas, Katawa Shoujo mesmo é um exemplo disso... Mas Katawa Shoujo não envolve tramas políticas de fora da escola relacionadas a nenhuma das garotas de lá, as histórias são escritas de modo que dê pra acreditar que elas eventualmente vão superar seus problemas mesmo sem o Hisao poder ajudar todas. Agora, não sei você, mas eu não consigo acreditar que a Makina sem treinamento e nem nada conseguiu impedir que a sua mãe a sequestre pra forçá-la a ser a herdeira da família enquanto o Yuuji tava lá arrombando a pata de camelo da Amane pela 20ª vez na semana.

Grisaia no Kajitsu simplesmente não funciona como uma história que engloba todas as suas rotas, mas isso não tira o mérito das rotas como histórias separadas, que excetuando a da Makina, são todas bem sólidas e com boas mensagens a serem transmitidas. A ideia de pegar garotas com personalidades genéricas de anime e explorar um lado mais sombrio disso, mostrando o que poderia levar uma garota a adotar alguma dessas personalidades é com certeza interessante e ajuda Grisaia no Kajitsu a se distinguir de outras obras que envolvem o protagonista indo parar nesses haréns da vida. Eu diria que o prólogo pode até ser lido com outra perspectiva depois de terminar todas as rotas, você vê os vários momentos de comédia causados pelas atitudes das garotas e agora sabe os motivos delas agirem assim, é bem mais satisfatório olhar pra isso em retrospecto. A mensagem principal do jogo é que você pode encontrar maneiras efetivas de lidar com algum trauma temporariamente, as garotas encontraram as suas maneiras de fazer isso através das suas personalidades "falsas" que as ajudaram momentaneamente, mas isso só funciona por um tempo. Enquanto você não realmente encarar esse trauma e superá-lo, você vai continuar a ser assombrado por ele talvez pelo resto da sua vida, e por mais que seja difícil, muito difícil em alguns casos, infelizmente não há outro jeito de lidar com isso.

Agora, sobre o resto das coisas que não são a história... Grisaia no Kajitsu é um jogo bonito até. Os sprites das personagens são bem variados e expressivos, elas têm um design agradável, em especial os uniformes delas que são bonitos, apesar que o Yuuji tem um visual bem típico de protagonista de anime, os backgrounds possuem um nível bem respeitável de detalhamento, as CGs são bem feitas...

Uhhh... Yuuji? Que diabos de pose é essa?
... Ok, nem todas são. Mas a maioria delas são boas sim, se eu tenho algo a reclamar desse jogo quando se trata dos visuais é que não tem CGs bem desenhadas assim o suficiente, mas tem um monte que mostram os personagens em um estilo de arte chibi enquanto fazem coisas engraçadinhas. Grande parte dessas CGs são do prólogo, e elas são ok, mas... Eu queria mais CGs pra momentos que precisavam ter CGs, como a parte onde o Yuuji abraça a Michiru depois do gato morrer, isso não é mostrado em nenhuma CG e é uma pena, porque teria sido muito mais impactante se tivesse.

A trilha sonora é boa o suficiente, apesar de não ser exatamente variada, as músicas são bem memoráveis e se encaixam bem nas cenas em que elas tocam. Além da música da opening e dos créditos das rotas, de músicas in-game tem a Dreadlock e a Waratte Itakute que são as minhas duas favoritas e as únicas que eu consegui encontrar no Youtube com qualidade decente, por algum motivo. As músicas só sofrem um pouco pela falta de variedade de instrumentos mesmo, a grande maioria são músicas de piano ou acústicas, vez ou outra tem um violino, inclusive as músicas mais diferentes costumam ser minhas favoritas também, não tenho como linkar elas, mas a Rock You, a Toy Box e a Jumbo Parfait que são mais agitadas também são legais.

A dublagem é excelente, as vozes das personagens principais combinam perfeitamente com elas e as dubladoras fazem um ótimo trabalho em capturar bem as personalidades de cada uma, os secundários também não fazem feio. Eu só tenho uma pequena reclamação, que seria o fato de que o Yuuji não tem dublagem... É, eu sei que Visual Novels escolhem não dar vozes pro protagonista pra permitir que o jogador faça self-insert, mas isso sempre foi estranho pra mim. A solução pra isso devia ser simples, afinal de contas, se você não quer que o protagonista tenha voz pra poder fingir que é ele ou alguma coisa do tipo, vai pro menu de opções e desativa a voz dele, oras! Como eu não ligo pra isso, não consigo deixar de estranhar quando o Yuuji não "fala" nada e as personagens reagem, mas dá pra se acostumar com isso, não é nada grave demais.


É basicamente isso, Grisaia no Kajitsu é sem dúvidas uma Visual Novel ambiciosa, que tenta incorporar diversos gêneros de ficção diferentes: Romance, ação, comédia, política, horror, drama psicológico, entre outros. O jogo acerta em vários pontos, mas em outros dá a impressão de que os caras morderam um pouco mais do que dão conta de mastigar, especialmente se tratando do mundo que deveria ligar todas essas histórias diferentes que as rotas contam. Apesar de nem sempre acertar em cheio e até mesmo ter algumas falhas no roteiro, a maioria das rotas ainda se conseguem se sobressair e serem boas nos seus próprios méritos, o desenvolvimento dos personagens é bem feito e o que não falta são cenas que com certeza eu vou me lembrar mesmo anos depois de ter jogado isso aqui.

Não joguei nenhuma das sequências, porém assisti os animes baseados nelas que aparentemente são bem mais aceitos do que o anime desse jogo aqui, e são complementos decentes... Ainda que também prejudiquem a credibilidade do mundo no qual a série se passa, mas acho que a esse ponto não dá pra fazer muita coisa a respeito. Ainda assim, eu meio que consigo entender por que Grisaia no Kajitsu ficou tão popular na comunidade de Visual Novels, além das personagens serem extremamente gostáveis por si só, também tem material suficiente pra atrair fãs dos vários gêneros que o jogo incorpora e muitos até não vão se importar com as falhas que eu citei. Mas foda-se, eu me importo, porque eu sou o cara que tem que se importar com defeitos pra poder escrever uma review justa desse negócio, perdoe-me se você não tem a capacidade intelectual para fazê-lo e só quer saber de diversão barata, amigo.

Tem uma coisa, no entanto... Eu ainda não sei o que diabos o título do jogo significa ou qual é a relação do título com a história. Quer dizer, eu entendi que as personagens são como frutas que caíram de uma árvore que representa o resto do mundo ou algo assim, mas não sei por que cada personagem é representada por uma fruta diferente e o que essa fruta tem a ver com a personagem, mas tanto faz. Talvez Grisaia no Kajitsu também seja uma obra profunda demais pra mim só por causa desse título, e quando eu finalmente descobrir a verdade por trás desse nome, tudo vai fazer sentido e essa review vai estar inválida pra sempre porque agora essa é sem dúvidas uma obra perfeita! Até esse dia chegar... Grisaia no Kajitsu é um bom jogo, e é isso.

Prós:
+ As personagens principais são muito carismáticas.
+ As rotas apresentam histórias bem desenvolvidas com narrativa competente.
+ Quando as cenas de comédia são boas, elas são realmente boas.
+ O Yuuji é um Gary Stu aceitável, o que é raro.
+ Arte bonita na maior parte do tempo.
+ Trilha sonora agradável.
+ Ótima dublagem.

Contras:
- A rota da Makina é uma merda.
- Worldbuilding terrível.
- Algumas falhas de roteiro presentes nas outras rotas.
- Prólogo mais longo do que precisava ter sido.

Veredicto:

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